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Câncer passa de peixe para peixe, se espalha por lago entre Estados Unidos e Canadá e se torna o quarto tumor transmissível conhecido pela ciência
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 29/07/2026 às 10:22
Curiosidades
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Melanoma formado por células cancerígenas vivas atingiu bagres-marrons, atravessou um lago de 48 quilômetros e surpreendeu pesquisadores.
Uma descoberta científica incomum revelou que um tipo de câncer consegue passar diretamente de um peixe para outro.
O caso foi identificado em bagres-marrons encontrados no Lago Memphremagog, localizado entre Vermont, nos Estados Unidos, e Quebec, no Canadá.
Pesquisadores da Universidade de Vermont concluíram que os tumores não surgiram separadamente em cada animal.
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As próprias células cancerígenas são transmitidas entre os bagres e continuam crescendo dentro dos novos hospedeiros.
A descoberta representa o quarto câncer transmissível conhecido pela ciência, além de ser o primeiro registrado em peixes e em um ambiente de água doce.
Pescador encontrou peixe coberto por manchas semelhantes a piche
O primeiro caso chamou atenção em 2012, quando um pescador retirou do lago um bagre-marrom coberto por crescimentos escuros.
As lesões pareciam uma camada de piche espalhada sobre a pele do animal.
O peixe foi entregue a Peter Emerson, biólogo do Departamento de Pesca e Vida Selvagem de Vermont.
Emerson monitorava o Lago Memphremagog desde 2009, mas nunca havia observado algo semelhante.
Menos de três anos depois, os tumores já apareciam em uma parcela significativa dos bagres analisados.
Poluição e microrganismos foram investigados
Inicialmente, os pesquisadores suspeitaram de contaminação ambiental.
Bagres-marrons são considerados espécies sentinelas porque podem desenvolver tumores em águas contaminadas por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.
A tempestade tropical Irene atingiu a região em 2011 e provocou enchentes intensas.
Biólogos consideraram a possibilidade de a água ter deslocado substâncias tóxicas para o lago.
Análises posteriores mostraram, porém, que lagos mais contaminados abrigavam peixes aparentemente saudáveis.
Vírus, bactérias e outros microrganismos também foram procurados durante anos.
Nenhum agente infeccioso convencional foi relacionado à doença.
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Viviane Alves
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Sequenciamento genético revelou câncer clonal
A equipe passou a analisar amostras de tecido por meio do núcleo de bioinformática da Universidade de Vermont.
Julie Dragon, professora de Microbiologia e Genética Molecular, decidiu procurar mutações compartilhadas entre os tumores.
Tumores comuns costumam apresentar DNA semelhante ao animal no qual surgiram.
Os melanomas dos bagres mostraram um comportamento completamente diferente.
Todos os tumores formavam um único grupo genético, enquanto os peixes hospedeiros pertenciam a outro conjunto.
Centenas de milhares de mutações apareciam nos tumores de animais diferentes.
Essas alterações não estavam presentes no DNA dos próprios bagres.
A análise confirmou que o melanoma era clonal.
Portanto, o próprio câncer funcionava como agente transmissível.
Doença atravessou lago com mais de 48 quilômetros
A equipe voltou a monitorar o lago em 2017.
Quatro pontos ficavam em Vermont, enquanto outros três estavam localizados em Quebec.
A prevalência da doença era semelhante em todas as áreas analisadas.
Esse resultado indicou que o câncer havia se espalhado por praticamente todo o lago binacional em poucos anos.
Exames genéticos sugeriram, porém, que a linhagem tumoral pode ter surgido em outro lugar.
Os tumores eram mais próximos de bagres saudáveis encontrados nos estados de Maine e New Hampshire.
Casos também apareceram em New Brunswick, Nova Escócia, Massachusetts, Pensilvânia, Wisconsin e Nova York.
Câncer aparece em poucos lagos
A região acompanhada por Emerson possui aproximadamente 90 lagos.
Bagres vivem em quase todos eles, mas o câncer foi identificado somente em um.
Essa distribuição sugere que a doença consegue sobreviver nos animais.
A principal barreira parece estar no transporte entre diferentes corpos d’água.
Atividades humanas podem contribuir para esse deslocamento, especialmente por meio de água, equipamentos e iscas vivas.
O comportamento se aproxima daquele observado na disseminação de espécies invasoras.
Tumores afetam boca e “bigodes” dos peixes
Os melanomas podem surgir em diferentes partes externas do corpo.
Lesões foram encontradas na boca e nos barbilhões, conhecidos popularmente como os “bigodes” dos bagres.
Essas estruturas ajudam os animais a localizar alimentos no fundo do lago.
Tumores avançados deixam os barbilhões menores e podem prejudicar a alimentação.
O Lago Memphremagog possui alimento abundante, reduzindo o risco imediato de fome.
A população de bagres continua numerosa, enquanto a prevalência da doença parece ter se estabilizado.
Cientistas ainda estudam como impedir a transmissão
Nenhum método específico foi definido para controlar a doença no lago.
Regras locais já proíbem o transporte de água e iscas vivas para outros ambientes.
Essas normas foram criadas para impedir a disseminação de espécies invasoras.
A mesma medida pode, entretanto, reduzir o risco de levar células cancerígenas para outros lagos.
Fotografias publicadas por pescadores no aplicativo Fishbrain também ajudam pesquisadores a localizar novos casos.
O monitoramento mostra como imagens enviadas por cidadãos podem ampliar a observação de doenças em animais selvagens.
Quantos outros cânceres transmissíveis podem estar circulando entre espécies pouco estudadas sem que a ciência tenha percebido? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

