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Quase ninguém esperava que o inverno pudesse render uma safra tão grande de uvas viníferas, mas a dupla-poda já projeta 4,5 mil toneladas, amplia o cultivo em 15% e muda o cenário da produção de vinhos brasileiros em 2026
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 29/07/2026 às 13:21
Agronegócio
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Safra de inverno de uvas viníferas cresce no Brasil, amplia áreas cultivadas, reforça a qualidade da produção e consolida a técnica da dupla-poda como uma das principais apostas das vinícolas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A safra de inverno de uvas viníferas deve alcançar 4,5 mil toneladas em 2026, segundo estimativa da Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin). O volume será produzido por aproximadamente 60 vinícolas que utilizam a técnica da dupla-poda, considerada uma das principais responsáveis pelo crescimento da vitivinicultura nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Além do aumento da produção, a área cultivada chegou a cerca de 1.500 hectares, crescimento de 15% em relação a 2025. Apesar disso, parte das vinícolas enfrentou perdas provocadas pelas condições climáticas ao longo do ciclo produtivo.
Mesmo assim, graças ao uso de tecnologia e ao manejo intensivo das lavouras, a qualidade polifenólica das uvas foi preservada, garantindo boas perspectivas para os vinhos produzidos nesta safra.
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Dupla-poda impulsiona a produção de vinhos de inverno no Brasil
A expansão da dupla-poda continua fortalecendo os vinhos de inverno brasileiros e permitindo que a colheita aconteça durante os meses mais secos e frios do ano.
Segundo a Anprovin, o crescimento da área plantada demonstra que cada vez mais produtores estão investindo nesse sistema de cultivo.
Ao contrário do modelo tradicional utilizado no Sul do país, a técnica oferece maior flexibilidade para o momento da colheita e busca favorecer a maturação das uvas destinadas à produção de vinhos.
Como consequência, as vinícolas seguem ampliando investimentos e consolidando novos terroirs fora das regiões tradicionalmente produtoras.
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Caio Aviz
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São Paulo adia a colheita para elevar a qualidade das uvas
Em São Paulo, parte da colheita foi realizada mais tarde para que as uvas atingissem o grau Brix considerado ideal pela filosofia do grupo de enologia da Philosophia Wine.
Segundo Cláudio Góes, empresário e presidente da Anprovin, a estratégia confirmou mais uma vantagem proporcionada pela dupla-poda.
Diferentemente do que acontece em outras regiões produtoras, as uvas puderam permanecer nos vinhedos por mais tempo, permitindo que fossem colhidas apenas quando alcançaram o padrão desejado para a vinificação.
Enquanto isso, em Ribeirão Preto (SP), a vinícola Terras Altas também registrou resultados positivos.
De acordo com o engenheiro agrônomo Ricardo Baldo, a produção deverá atingir o volume inicialmente previsto.
Além disso, os cachos foram colhidos poucos dias antes da chegada de um forte temporal, evitando prejuízos maiores para a safra.
Vinícola do Rio de Janeiro prepara uma das melhores safras de sua história
Em Teresópolis (RJ), a vinícola Maturano conseguiu escapar das principais intempéries registradas durante o ciclo de produção.
Com isso, a empresa projeta uma das melhores safras de sua história em 2026, principalmente para as variedades Cabernet Franc e Chardonnay cultivadas no inverno.
Neste ano, a família Maturano também realizará o engarrafamento de seus primeiros rótulos.
Para essa etapa, o trabalho é conduzido pela enóloga Monica Rossetti, responsável por coordenar um investimento em equipamentos utilizados na moderna vitivinicultura mundial.
Segundo a vinícola, a iniciativa representa uma aposta no potencial do terroir de Teresópolis, caracterizado pela elevada amplitude térmica diária da região serrana.
Vinícola mineira enfrenta perdas e aposta em um novo vinho de Syrah
Em Jacutinga (MG), a vinícola Rastelli enfrentou dificuldades provocadas pelo míldio, doença favorecida pela combinação entre umidade elevada e dias chuvosos.
Segundo o proprietário Juliano Rastelli, as maiores perdas ocorreram durante a floração e também próximo da colheita.
As variedades Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc foram as mais afetadas pelas condições climáticas.
Por outro lado, a Syrah apresentou maior resistência, tornando-se um dos principais destaques da produção regional.
Mesmo diante desse cenário, a vinícola decidiu investir em um novo vinho Syrah produzido por maceração carbônica.
Nova técnica de vinificação aposta na maceração carbônica
A maceração carbônica é amplamente conhecida pela produção dos tradicionais vinhos Beaujolais.
Nesse processo, os cachos são colocados inteiros em tanques saturados com dióxido de carbono, fazendo com que a fermentação aconteça de dentro para fora das bagas.
Como resultado, o método produz vinhos leves, frescos, muito frutados, com taninos suaves e acidez equilibrada, características indicadas para dias mais quentes e momentos de confraternização.
Segundo a programação divulgada pela vinícola, o lançamento oficial desse novo rótulo acontecerá em 1º de agosto de 2026, durante a TurisAgro.
Safra de inverno reforça o crescimento da vitivinicultura brasileira
Mesmo diante dos desafios provocados pelo clima em diferentes regiões produtoras, a safra de inverno de 2026 confirma o avanço da vitivinicultura brasileira.
O crescimento da área cultivada, os investimentos em tecnologia, a expansão da dupla-poda e a aposta em novos rótulos demonstram a evolução do setor nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo dados apresentados pela Anprovin, os resultados desta temporada reforçam o potencial dos vinhos de inverno produzidos no Brasil e evidenciam a consolidação de novos polos vitivinícolas.
Com o aumento da produção e a expansão das áreas cultivadas, você acredita que os vinhos brasileiros ganharão ainda mais espaço no mercado nacional e internacional?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

