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Governo de Lula libera R$ 1,3 bilhão em meio ao temor do El Niño: veja como o pacote bilionário pretende proteger milhões de brasileiros da seca, da fome e dos incêndios que já assombraram o país antes
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 29/07/2026 às 16:37
Atualizado em 29/07/2026 às 16:38
Agronegócio, Economia
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Reforço orçamentário reúne compra de alimentos, cestas básicas e ações de prevenção a incêndios em resposta a um dos fenômenos climáticos mais temidos da história recente do Brasil
O governo federal decidiu não deixar nada ao acaso. Nesta quarta-feira (29), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão destinado a enfrentar os possíveis impactos do El Niño no território brasileiro. O anúncio, feito em Brasília, reúne medidas que vão da compra de grãos à criação de estruturas de monitoramento em tempo real — um esforço que, segundo o próprio governo, não tem precedentes recentes no país.
Ainda durante o encontro, Lula fez questão de reforçar o caráter preventivo da iniciativa. “Eu sinceramente não acredito que algum outro país tenha se manifestado com tanta preciosidade de preocupação para enfrentar o El Niño. Se ele vai acontecer de forma grave, nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar”, declarou o petista, deixando claro que a estratégia é agir antes que a crise se instale, e não depois.
Uma sala de situação e nove frentes temáticas
Para coordenar as ações, o Executivo criou uma sala de situação que reúne 24 ministérios. Além disso, nove salas temáticas específicas serão instaladas para tratar separadamente de incêndio, saúde, estiagem, prevenção e resposta a desastres, energia, combustível, agricultura, segurança alimentar e assistência social. A lógica, segundo integrantes do governo, é evitar que a resposta a um fenômeno climático de múltiplas frentes fique concentrada em um único órgão.
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Do total anunciado, R$ 998 milhões serão direcionados a medidas ligadas ao abastecimento de alimentos, à segurança alimentar, à saúde e ao monitoramento hidrológico. Já os outros R$ 337 milhões correspondem a um crédito extraordinário aberto por Medida Provisória, voltado exclusivamente para ações de fiscalização ambiental e de prevenção e combate a incêndios florestais — uma preocupação recorrente em anos de seca intensa.
Milho, arroz e cestas básicas para comunidades vulneráveis
Entre as medidas mais robustas do pacote está a aquisição de estoques públicos de alimentos. Serão R$ 850 milhões destinados à compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz, volume pensado justamente para dar sustentação ao mercado caso a produção agrícola seja afetada pela irregularidade climática. Paralelamente, R$ 65 milhões serão aplicados na aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos para povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares — grupos historicamente mais expostos aos efeitos de secas e enchentes.
O pacote ainda reserva R$ 13 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com atendimento previsto a 21,6 mil agricultores da Região Norte, além de R$ 45 milhões voltados aos Centros de Informação em Saúde e Clima e à Força Nacional do SUS (ForSUS). Outros R$ 25 milhões serão empregados especificamente no monitoramento do nível dos rios, item sensível para regiões que dependem da navegabilidade fluvial para escoar produção e garantir abastecimento.
Cada região do país, um risco diferente
Segundo o governo federal, o El Niño pode provocar tanto secas e atraso nas chuvas quanto precipitações acima da média, a depender da região. Na Região Norte, a maior preocupação recai sobre o acesso à água para consumo e produção, a navegabilidade dos rios, o risco de incêndios e o possível isolamento de comunidades ribeirinhas, com período crítico entre agosto e dezembro. Já no Nordeste, a atenção se concentra nos impactos sobre áreas agrícolas produtivas, entre setembro e dezembro.
No Centro-Oeste, o alerta é para incêndios e prejuízos à produção agrícola entre julho e outubro. O Sudeste, por sua vez, pode conviver com incêndios e ondas de calor de setembro a dezembro, enquanto a região Sul deve enfrentar o cenário oposto: risco de enchentes e deslizamentos entre julho e dezembro.
Trata-se de um fenômeno conhecido — mas nem por isso menos temido. O El Niño consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico acima da média histórica, o que eleva a probabilidade de eventos climáticos extremos como ondas de calor, inundações e secas, dependendo da localização geográfica. A história brasileira já registrou episódios marcantes do fenômeno: entre 1877 e 1879, uma seca devastadora no Nordeste matou cerca de 500 mil pessoas, o equivalente a 5% da população do Império à época. Nos anos de 1982 e 1983, chuvas torrenciais castigaram o Sul do país, enquanto o Nordeste enfrentava uma das secas mais severas do século. Já entre 1997 e 1998, temperaturas recordes em Mato Grosso, acima de 40°C, dizimaram lavouras de milho, feijão e arroz.
Mais recentemente, em 2023, a Amazônia viveu uma das piores estiagens de sua história: o nível do Rio Negro, em Manaus, chegou a 12,7 metros — o menor patamar desde o início da série histórica, em 1902 —, isolando comunidades inteiras e comprometendo a logística regional. É justamente para evitar a repetição desse cenário que o governo decidiu antecipar o tabuleiro, reunindo bilhões em recursos antes mesmo de o fenômeno se confirmar em toda a sua força.
Com informações da CNN Brasil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

