A nova gestão do prefeito Rodrigo Damasceno começa a conviver com um cenário de desgaste político que, segundo relatos de aliados e integrantes da própria base, lembra problemas enfrentados durante seu primeiro mandato. O que lhe custou a reeleição e deixou o atual gestor 8 anos no limpo, um exemplo disso, foi sua transparência para atender no hospital de Feijó.
Durante a campanha eleitoral, Rodrigo apresentou o discurso de que havia amadurecido politicamente e que os erros do passado eram consequência da pouca experiência administrativa da época. A promessa era de uma gestão mais dialogada, com maior capacidade de ouvir aliados e construir consensos. Entretanto, nos bastidores da política local, cresce a avaliação de que essa mudança ainda não foi percebida por parte de integrantes da base governista. Isso ficou nítido com a militância do PCdoB, que na campanha era tratada como linha de frente, mas na divisão do bolo ficou na última fila e muitos sequer foram agraciados.
Nomes que antes figuravam entre os principais apoiadores também foram descartados ao longo da gestão. Entre eles, são citados Cleane Monteiro, Yonara e Ronilson do Ó, apontados por interlocutores como exemplos de lideranças que se doaram bastante na campanha e depois foram desligados do governo de forma abrupta.
As críticas também alcançam a relação com a Câmara Municipal. Recentemente, o vereador Arife Eleamen afirmou publicamente que o prefeito sequer responde os parlamentares da base. Nos bastidores, a maioria dos vereadores reclamam da dificuldade de acesso ao gestor e da concentração das decisões em um grupo restrito de pessoas próximas. Algumas dessas pessoas estavam em campanha de outros lugares , mas que depois da vitória vieram fazer parte do governo.
Na avaliação de analistas políticos, um dos principais desafios da administração não está apenas na execução de obras e ações de governo, mas na articulação política. A percepção é de que uma base insatisfeita pode comprometer a governabilidade e dificultar projetos futuros.
Enquanto isso, lideranças que participaram da campanha já começam a discutir o cenário eleitoral de 2028. A preocupação manifestada por alguns aliados é que, caso o modelo de relacionamento político não seja revisto, a administração possa repetir dificuldades que marcaram o primeiro governo de Rodrigo Damasceno.
Outra insatisfação é que enquanto falta espaço para aliados na prefeitura, o tio e o padrasto do prefeito foram nomeados com salário acima de R$ 8 mil no Governo do Estado .

