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Aos 24 anos ela imaginava que acabaria em mais um apartamento moderno, até se mudar para uma casa de 1850 e descobrir que as paredes de pedra a fizeram quase não precisar ligar o ar-condicionado no verão, além de lareira, pisos originais e até interruptores de botão
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 03/08/2026 às 17:27
Atualizado em 03/08/2026 às 17:33
Construção
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A casa construída em 1850 que Calista Hill, de 24 anos, passou a habitar mudou a percepção dela sobre o que procurar em um imóvel, conforme entrevista exclusiva concedida à revista People. O prédio de tijolos aparentes foi restaurado e dividido em oito unidades, seguindo diretrizes de preservação histórica.
O ganho que ela destaca em primeiro lugar não é estético. O revestimento externo de pedra regula a temperatura de forma tão eficiente que ela quase não precisou usar o ar-condicionado durante o verão, diferença que atribui diretamente à comparação com a moradia anterior, uma construção nova de paredes finas.
O que ela procurava antes de encontrar o imóvel
A busca dela não era por qualquer prédio antigo, e sim por uma combinação específica. Segundo o relato, ela sempre se sentiu atraída por construções com autenticidade e personalidade.
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A descrição do apartamento ideal que ela tinha em mente reunia elementos de duas épocas: charme histórico de um lado, com lareira, pisos de madeira originais e molduras de gesso, e comodidades atuais de outro, com cozinha e banheiro reformados.
O imóvel encontrado atendia a todos esses pontos ao mesmo tempo, situação que ela descreve como incomum. A expectativa dela era acabar em mais um apartamento moderno, e foi justamente a construção histórica que a convenceu de que estava procurando as coisas erradas até então.
A parede de pedra que substituiu o ar-condicionado
O elemento que mais surpreendeu na prática tem a ver com conforto térmico. Ela conta que, na moradia anterior, as paredes eram muito finas e o conjunto parecia menos sólido.
A diferença que ela percebeu depois da mudança está na inércia térmica do material. Parede espessa de pedra ou de alvenaria maciça demora muito mais para absorver o calor externo e também para liberá lo, o que suaviza a variação de temperatura ao longo do dia.
Esse comportamento é conhecido na construção civil e não depende de tecnologia embarcada. Massa térmica funciona sem energia elétrica, sem manutenção e sem custo operacional, e é justamente o que costuma desaparecer em construções feitas com vedação leve e prazo curto de obra.
Vale registrar que a economia mencionada por ela é relato pessoal, sem medição de consumo. A entrevista não traz comparação de conta de energia entre os dois imóveis.
Mais espaço por uma troca que não estava no plano
imagem: Colina Calista
O ganho de área também não fazia parte da expectativa inicial. Ela deixou um apartamento de dois quartos e um banheiro e passou a ocupar uma unidade com dois quartos e dois banheiros, além de espaço externo compartilhado.
A descoberta do imóvel aconteceu junto com a colega com quem divide a moradia, e o benefício adicional não estava previsto quando as duas encontraram o anúncio.
O prédio antigo, porém, impõe suas próprias condições. Por se tratar de uma construção reformada, existem particularidades de distribuição interna que fogem do padrão. Ela trata essas irregularidades como desafio, e não como defeito, dizendo que a organização e a decoração se tornaram um exercício divertido justamente por causa disso.
O que sobreviveu da construção original
imagem: Colina Calista
A restauração do prédio aconteceu depois da morte do antigo proprietário, ocorrida alguns anos antes. A propriedade foi então convertida em oito unidades, com obras conduzidas segundo diretrizes de preservação.
Boa parte do trabalho artesanal original permaneceu no lugar. Estão preservados as lareiras, os azulejos ornamentados, os elementos em madeira e as molduras, conjunto que foi o primeiro a chamar a atenção dela quando conheceu o imóvel.
Essa preservação é o que diferencia uma reforma de uma demolição interna. Manter acabamento de época encarece e atrasa a obra, porque exige mão de obra especializada e materiais compatíveis, e é por isso que muitos prédios antigos acabam com o interior inteiramente refeito em padrão contemporâneo.
As janelas de quase dois metros e a despensa embutida
imagem: Colina Calista
Entre os detalhes menos evidentes, dois se destacam no relato dela. O primeiro é a despensa embutida, solução comum em construções daquele período e praticamente ausente em plantas atuais.
O segundo são as janelas da sala de estar, com quase 1,80 metro de altura, que enchem o ambiente de luz natural ao longo do dia.
Ambos os elementos revelam um padrão construtivo diferente do atual. Pé direito alto permite janela alta, e janela alta distribui luz mais profundamente no ambiente, característica que se perdeu à medida que a altura dos pavimentos foi reduzida para otimizar o número de andares por edifício.
Os interruptores de botão que ela nunca tinha visto
O detalhe que ela aponta como mais inesperado é também o mais discreto. Todos os interruptores elétricos do apartamento funcionam por botão, formato que ela desconhecia completamente antes da mudança.
O sistema cobre todos os pontos da unidade, das luminárias e ventiladores de teto até o espelho do banheiro. O que a agrada não é apenas a peça em si, mas a coerência do conjunto: o mesmo padrão se repete em todo o prédio.
Esse tipo de interruptor foi comum em instalações elétricas antigas e voltou a ser fabricado como item de reposição para imóveis históricos. É o tipo de elemento que passa despercebido até o momento em que se percebe que ele existe em todos os cômodos, e foi exatamente essa continuidade que chamou a atenção dela.
A sensação de entrar em casa, e não em um hall
O ponto final do relato dela não é técnico nem estético, é de percepção. Ela afirma que a parte favorita de morar em um prédio como aquele é que o lugar realmente parece uma residência.
A comparação que ela faz é com a entrada. Ao abrir a porta da frente, a sensação é de entrar em uma casa, e não em um saguão de edifício, diferença que muda a relação com o espaço logo no primeiro passo.
Ela descreve a experiência como voltar no tempo, para um período em que as construções eram pensadas para serem bonitas, executadas com cuidado e feitas para durar, em vez de erguidas o mais rápido e barato possível. É uma avaliação pessoal e comparativa, e não uma afirmação sobre a qualidade média da construção contemporânea, que varia enormemente conforme o projeto e o padrão adotado.
Um imóvel antigo que funciona melhor que o novo
O que essa história tem de mais útil não é o encantamento com o acabamento de época, é o dado prático que apareceu por acaso. A parede espessa fez o que o material moderno leve não fez, e o efeito apareceu na conta de energia sem que ninguém tivesse instalado nada.
Isso não significa que construção antiga seja sempre melhor. Significa que algumas soluções abandonadas por custo e velocidade de obra cumpriam funções que hoje precisam ser resolvidas por equipamento.
E você, moraria em um imóvel de mais de um século mesmo com layout torto e instalação antiga? Acha que a construção nova perdeu qualidade ou apenas ficou mais acessível? Conta nos comentários qual detalhe da casa antiga de família você gostaria de ter no imóvel onde mora hoje.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

