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Britânico compra uma ilha deserta e devastada, passa 60 anos plantando sozinho 16 mil árvores, reconstrói uma floresta inteira, recupera o ecossistema e transforma o território abandonado em santuário para tartarugas gigantes ameaçadas
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/08/2026 às 17:13
Curiosidades
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Brendon Grimshaw comprou a Ilha Moyenne em Seychelles em 1962, plantou 16 mil árvores com René Lafortune, recuperou a vida selvagem, protegeu tartarugas-gigantes-de-aldabra e recusou US$ 50 milhões para impedir que o território virasse resort de luxo.
Brendon Grimshaw comprou a Ilha Moyenne, em Seychelles, em 1962, por £8 mil, quando ainda trabalhava como editor de jornal na África. O território, localizado ao norte de Mahé e dentro da região do Ste Anne Marine National Park, havia passado décadas abandonado antes de se transformar em um dos casos mais conhecidos de conservação individual no Oceano Índico.
Ao lado do seychellense René Lafortune, Grimshaw iniciou um trabalho de recuperação ambiental que atravessou décadas. Segundo o Seychelles Nation, os dois plantaram 16 mil árvores à mão, abriram cerca de 4,8 quilômetros de trilhas naturais, ajudaram a reintroduzir plantas endêmicas e criaram condições para que a ilha se tornasse um refúgio de aves e tartarugas-gigantes.
Ilha Moyenne foi comprada por Brendon Grimshaw em 1962 por £8 mil
Quando Grimshaw adquiriu a Ilha Moyenne, o local estava longe da imagem de paraíso preservado que passaria a carregar anos depois. O Seychelles Nation registrou que a ilha havia ficado abandonada por cerca de meio século e estava tomada por vegetação densa.
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O britânico só passou a viver de forma permanente na ilha em 1973, mas o compromisso com o território começou antes. A ideia não era transformar Moyenne em empreendimento turístico privado, e sim recuperar a vegetação, proteger a biodiversidade e construir um espaço de visitação controlada.
A localização ajudava a tornar o projeto ainda mais estratégico. Moyenne fica próxima de Mahé, a principal ilha de Seychelles, e integra uma região de forte relevância ambiental no arquipélago, cercada por áreas marinhas protegidas.
Brendon Grimshaw e René Lafortune plantaram 16 mil árvores à mão
A transformação da ilha não veio de uma grande empresa, de um governo estrangeiro ou de um projeto multimilionário. Segundo o Seychelles Nation, Grimshaw e René Lafortune plantaram 16 mil árvores, incluindo 700 árvores de mogno, em um esforço manual de longo prazo.
A dupla também abriu aproximadamente 4,8 quilômetros de trilhas naturais, criando caminhos para circulação, observação da natureza e manejo do território. O trabalho foi feito ao longo de décadas, antes de Moyenne se consolidar como uma reserva natural reconhecida.
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A recuperação vegetal mudou a base ecológica da ilha. Onde havia uma área abandonada e sem estrutura de conservação, passou a existir uma cobertura verde capaz de sustentar aves, tartarugas e espécies vegetais nativas de Seychelles.
Tartarugas-gigantes-de-aldabra passaram a viver livres na ilha
Um dos símbolos mais fortes da Ilha Moyenne é a presença das tartarugas-gigantes-de-aldabra, espécie emblemática de Seychelles. O Seychelles Nation informou que 110 tartarugas gigantes foram levadas para a ilha e passaram a viver em habitat natural.
A importância desse trabalho fica mais clara quando se observa a história da espécie. A organização Nature Seychelles registra que as tartarugas-gigantes eram encontradas em várias ilhas do Oceano Índico, mas foram intensamente caçadas entre os séculos 17 e 19 por navegadores que as usavam como fonte de alimento.
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Segundo a Nature Seychelles, a espécie Aldabrachelys gigantea é classificada como vulnerável na lista da IUCN, e a população selvagem mais importante sobrevive no Atol de Aldabra, onde vivem cerca de 100 mil tartarugas. A presença desses animais em ilhas como Moyenne reforça o papel das reintroduções e dos refúgios protegidos.
Recuperação ambiental trouxe aves, plantas endêmicas e trilhas naturais
A recuperação de Moyenne não se limitou às tartarugas. O Seychelles Nation registrou que Grimshaw ajudou a atrair cerca de 2 mil aves para a ilha e que Moyenne passou a reunir mais de dois terços das plantas endêmicas de Seychelles.
Durante a declaração da ilha como parque nacional, Grimshaw afirmou que ele e Lafortune haviam introduzido 45 plantas endêmicas no território. O parque também passou a contar com palmeiras endêmicas, incluindo coco-de-mer, uma das espécies vegetais mais conhecidas do arquipélago.
Essa combinação fez de Moyenne um caso raro de restauração ecológica em pequena escala. A ilha tem apenas cerca de 9 hectares, mas passou a concentrar trilhas, vegetação nativa, aves, tartarugas e estruturas de visitação controlada.
Brendon Grimshaw recusou US$ 50 milhões para não vender a ilha
Com o avanço do turismo de alto padrão em Seychelles, Moyenne passou a despertar interesse imobiliário. O Seychelles Nation registrou que Grimshaw recebeu uma oferta de US$ 50 milhões pela ilha, mas recusou vender.
A recusa estava ligada ao destino que ele queria para o território. Em vez de permitir que a ilha fosse convertida em um destino exclusivo para milionários, Grimshaw defendia que Moyenne fosse preservada como parque nacional e aberta ao público.
Esse ponto transformou sua trajetória em uma história de conservação com forte apelo humano. A ilha poderia ter sido convertida em resort, empreendimento privado ou área turística de luxo, mas foi mantida como espaço de proteção ambiental.
Ilha Moyenne virou parque nacional e consolidou o legado ambiental
A Ilha Moyenne foi declarada parque nacional em processo oficial registrado pelo governo de Seychelles. O Seychelles Nation publicou, em 2009, que a designação havia sido formalizada após acordo assinado por Grimshaw e autoridades do país.
A decisão garantiu proteção institucional ao trabalho iniciado décadas antes. Para Grimshaw, a criação do parque era a forma de impedir que a ilha fosse privatizada e assegurar que sua recuperação ambiental não dependesse apenas da presença dele.
Em 2013, após a morte de Grimshaw, o Seychelles Nation informou que Moyenne havia sido deixada para a Moyenne Island Foundation Society, organização sem fins lucrativos criada por ele para dar continuidade à proteção da ilha.
Moyenne Island Foundation passou a manter a conservação da ilha
A continuidade do projeto ganhou reforço com um acordo firmado entre a Moyenne Island Foundation Society e a Seychelles National Parks Authority. Segundo o Seychelles Nation, o memorando tinha o objetivo de intensificar as ações de conservação e fortalecer a capacidade técnica do trabalho iniciado por Grimshaw.
A fundação ficou responsável pela gestão geral da ilha, em alinhamento com seus objetivos e com as políticas públicas de Seychelles. Isso permitiu que o legado deixasse de ser apenas uma iniciativa pessoal e passasse a ter estrutura institucional.
A história de Moyenne se tornou um exemplo de restauração ambiental baseada em persistência, manejo de longo prazo e proteção legal. Grimshaw morreu em 2012, aos 87 anos, mas deixou uma ilha reflorestada, protegida e reconhecida como parque nacional.
Uma ilha abandonada que virou símbolo de conservação no Oceano Índico
O caso da Ilha Moyenne mostra como um território pequeno pode ter grande peso ambiental quando recebe proteção adequada. A transformação começou com uma compra privada, passou por décadas de plantio manual e terminou com reconhecimento oficial dentro do sistema de áreas protegidas de Seychelles.
A parceria entre Brendon Grimshaw e René Lafortune foi decisiva para mudar o destino da ilha. Sem esse trabalho, Moyenne poderia ter seguido o caminho de outras áreas costeiras pressionadas pelo turismo e pela especulação imobiliária.
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Hoje, a ilha permanece associada a uma escolha rara: recusar US$ 50 milhões para proteger árvores, aves, tartarugas-gigantes e um ecossistema inteiro.
Mais do que uma propriedade privada recuperada, Moyenne se tornou um lembrete de que conservação ambiental também depende de decisões individuais levadas até o fim.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

