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Novo turismo de luxo quer levar três passageiros ao mundo escuro de 1.000 metros abaixo do oceano, em um submersível chinês com janela panorâmica criado para resistir a pressão 100 vezes maior que a da superfície
Escrito por Ana Alice
Publicado em 05/08/2026 às 23:13
Ciência e Tecnologia
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Um projeto chinês de turismo subaquático pretende levar três passageiros e um operador a uma região de escuridão permanente, sob pressão extrema, usando uma cabine panorâmica que ainda depende de protótipo, testes e autorizações.
A ideia de entrar em uma cabine transparente e observar o oceano profundo sem depender apenas de câmeras parece pertencer a uma experiência ainda distante do turismo convencional.
Na China, porém, engenheiros trabalham em um submersível voltado a passageiros que pretende levar pequenos grupos a uma região do mar onde a luz solar já não alcança, a temperatura fica próxima de 4 °C e a pressão externa chega a aproximadamente cem vezes a encontrada na superfície.
Projeto chinês pretende explorar o turismo subaquático
O projeto é conduzido pelo China Ship Scientific Research Center, centro de pesquisa instalado em Wuxi, na província de Jiangsu, e ligado à estatal China State Shipbuilding Corporation.
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A profundidade anunciada pelo diretor do centro, Ye Cong, é de cerca de 1.000 metros.
Protótipo estava previsto para o final de 2026
Ye Cong informou em março de 2026 que os engenheiros haviam concluído o projeto estrutural depois de mais de quatro anos de pesquisa.
O plano divulgado prevê a construção de um protótipo antes do final de 2026.
Depois dessa etapa, a equipe deverá realizar testes no mar e modificar o projeto de acordo com os resultados obtidos.
A operação comercial foi colocada como uma possibilidade anterior a 2030, desde que a fabricação, os ensaios, as autorizações e as demais etapas ocorram conforme o planejamento.
“As pessoas poderão viajar a uma profundidade de cerca de 1.000 metros no submersível”, afirmou Ye Cong, em tradução livre.
Submersível terá espaço para quatro pessoas
A embarcação terá espaço para quatro pessoas no total.
Apesar de algumas reportagens mencionarem quatro passageiros, a descrição divulgada pelo centro informa que serão três turistas e um operador, responsável pela condução do veículo.
A configuração mantém o grupo pequeno e aproxima o projeto de outros submersíveis usados em expedições particulares, pesquisas e viagens de alto padrão.
Janela panorâmica está entre os desafios técnicos
O desenvolvimento de uma janela panorâmica está entre os principais pontos técnicos destacados pelo centro.
Em profundidades elevadas, uma área transparente precisa permitir a observação do ambiente sem comprometer a resistência da estrutura que separa os ocupantes da pressão externa.
A fonte primária descreve o componente como uma janela panorâmica.
A informação de uma visão completa de 360 graus aparece em reportagens posteriores, mas não foi acompanhada pela divulgação pública de desenhos técnicos, dimensões, fotografias do protótipo ou especificações que permitam avaliar exatamente o campo visual oferecido aos passageiros.
Pressão aumenta conforme o submersível desce
A pressão ajuda a explicar por que uma janela de observação pode se tornar uma das partes mais complexas do equipamento.
A cada 10 metros de profundidade, a pressão aumenta em aproximadamente uma atmosfera.
A 1.000 metros, o veículo precisa operar sob algo próximo de cem atmosferas, enquanto uma descida a 4.000 metros envolveria uma pressão superior a 400 atmosferas.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos informa que, a 4.000 metros, a pressão ultrapassa 5.850 libras por polegada quadrada.
Escuridão e frio exigem sistemas próprios
Além da força exercida pela água, o projeto precisa considerar baixas temperaturas, ausência de luz natural, corrosão, comunicação limitada, fornecimento de energia, flutuabilidade e sistemas capazes de trazer o submersível de volta à superfície em diferentes cenários.
Abaixo de aproximadamente 200 metros, a luz solar deixa de alcançar o oceano em quantidade suficiente para iluminar o ambiente.
Nas regiões profundas, a temperatura média da água fica em torno de 4 °C, embora as condições possam variar conforme o local.
Isso significa que a experiência prometida pela janela panorâmica dependerá principalmente dos sistemas de iluminação instalados no próprio veículo.
Sem refletores, grande parte da paisagem ao redor seria praticamente invisível.
China já construiu veículos para grandes profundidades
O centro de Wuxi não parte do zero no desenvolvimento de veículos subaquáticos.
A instituição participou de programas chineses de exploração científica que produziram equipamentos como o Jiaolong, o Deep-Sea Warrior e o Fendouzhe.
O Jiaolong alcançou 7.062 metros em 2012.
O Deep-Sea Warrior possui profundidade operacional de aproximadamente 4.500 metros, enquanto o Fendouzhe chegou a 10.909 metros na Fossa das Marianas em 2020.
Esses veículos foram construídos principalmente para missões científicas, coleta de amostras e observação do fundo do mar, e não para funcionar como atrações turísticas regulares.
Turismo exige cuidados diferentes da pesquisa científica
Transformar essa experiência técnica em um produto comercial acrescenta exigências diferentes.
Um equipamento científico pode ser operado por equipes altamente treinadas dentro de missões planejadas com embarcações de apoio, pesquisadores e protocolos especializados.
No turismo, o veículo precisará receber pessoas sem treinamento profissional, oferecer procedimentos compreensíveis, estabelecer critérios de saúde e criar uma operação comercial repetível.
Também será necessário definir regras sobre certificação, inspeções, manutenção, limites climáticos e capacidade de resposta em emergências.
Submersíveis turísticos já operaram na China
A China já possui dezenas de submersíveis turísticos em funcionamento, mas a maioria opera a profundidades próximas de 20 metros, em lagos, reservatórios e áreas costeiras.
O mesmo centro de pesquisa construiu anteriormente os veículos Huandao Jiaolong 1 e Huandao Jiaolong 2 para uso turístico em Sanya, na ilha de Hainan.
Cada unidade era conduzida por dois operadores, podia transportar sete passageiros e descer a cerca de 40 metros.
As atividades, contudo, foram suspensas por restrições regulatórias, segundo o relato de Ye Cong ao China Daily.
A informação mostra que construir um submersível funcional não garante, por si só, a continuidade de uma operação turística.
Autorizações, normas locais e aceitação das autoridades podem interferir no cronograma mesmo depois que o equipamento estiver tecnicamente pronto.
No caso do novo modelo, ainda não foram divulgados o ponto de partida das viagens, a duração de cada mergulho, a embarcação de apoio, as rotas previstas ou os critérios que serão aplicados aos passageiros.
Preço das viagens ainda não foi definido
O preço também não foi oficialmente definido.
Os cerca de US$ 150, ou aproximadamente 140 euros, citados em algumas reportagens correspondem a uma referência geral para passeios realizados perto da superfície e não a uma tarifa confirmada para o novo submersível chinês.
Viagens mais profundas oferecidas pelo mercado internacional podem custar de alguns milhares a dezenas de milhares de dólares por pessoa, dependendo da profundidade, do destino, da duração e da logística necessária.
Representantes do setor ouvidos pelo South China Morning Post classificaram esse tipo de viagem como um produto destinado a um público de nicho e apontaram o preço e a segurança como fatores decisivos para a existência de demanda.
Mercado de submersíveis ainda é restrito
Empresas como Triton Submarines e U-Boat Worx já oferecem ou desenvolvem submersíveis particulares e turísticos capazes de alcançar grandes profundidades.
O projeto chinês entraria, portanto, em um segmento que já possui fabricantes internacionais, mas que continua pequeno quando comparado ao turismo marítimo convencional.
O mercado depende de equipamentos especializados, navios de apoio, equipes treinadas e locais que combinem profundidade, interesse visual e condições adequadas de operação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

