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Depois de viver em situação de rua, ele recebeu o certificado de Mestre Calceteiro e contou na formatura que já tinha feito sua primeira calçada profissional, numa iniciativa de Curitiba que qualificou 53 pessoas para o mercado de trabalho
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/08/2026 às 22:27
Atualizado em 11/08/2026 às 22:52
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Trajetória marcada por vulnerabilidade, capacitação profissional e uma oportunidade concreta de trabalho mostra como um curso de ofício abriu novas perspectivas em Curitiba, reunindo formação prática, certificação reconhecida e a realização do primeiro serviço profissional antes mesmo da cerimônia de entrega dos certificados.
Depois de viver em situação de rua, Adriano de Lima chegou a uma cerimônia de formatura em Curitiba com uma conquista que já produzia resultado fora da sala de aula: aos 38 anos, recebeu o certificado de Mestre Calceteiro após concluir seu primeiro serviço profissional.
A construção da calçada de uma casa no litoral foi apresentada por Adriano como o primeiro trabalho realizado depois da formação, mostrando que o conhecimento adquirido no curso já havia sido aplicado antes mesmo da entrega oficial do certificado durante a cerimônia.
Voltada a pessoas acolhidas pela rede de assistência social da capital paranaense, a iniciativa ensinou técnicas de calcetaria ligadas à construção e manutenção de calçadas, com uma proposta direcionada à criação de caminhos concretos para entrada ou retorno ao mercado de trabalho.
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Segundo a Prefeitura de Curitiba, a cerimônia reuniu 15 homens acolhidos pela Fundação de Ação Social que concluíram o curso, enquanto a certificação das quatro primeiras turmas da capacitação elevou para 53 o número de participantes alcançados pela formação profissional.
Mestre Calceteiro transforma aprendizado em primeiro serviço profissional
Entre os formandos, Adriano estava acolhido em um hotel social administrado dentro da estrutura municipal de atendimento, e a certificação representou uma etapa adicional de sua trajetória ao lado da experiência prática que ele já havia conseguido desenvolver profissionalmente.
Ao relatar sua primeira calçada durante a entrega dos certificados, o novo calceteiro deu uma dimensão prática ao objetivo do projeto, que buscou ultrapassar o aprendizado em sala e oferecer um ofício aplicável em serviços contratados por moradores, empresas e organizações.
Esse tipo de trabalho exige conhecimento sobre preparação do terreno, disposição das pedras e organização do pavimento para criar superfícies resistentes, enquanto em Curitiba a atividade também se relaciona a uma característica tradicional da paisagem urbana marcada por pequenas pedras e diferentes composições.
Curso de calcetaria oferece formação prática e certificação
Justamente por essa ligação com o cotidiano da cidade, os participantes aprenderam técnicas relacionadas à calcetaria em uma formação profissional desenvolvida em parceria com o Senac, instituição responsável pela certificação dos alunos que completaram o percurso previsto pelo programa.
Para pessoas acompanhadas pela rede de acolhimento, a qualificação oferece uma habilidade profissional formalmente reconhecida, e o programa foi organizado para aproximar esse público de uma atividade capaz de gerar contratação por empresas ou prestação de serviços realizados por demanda.
Na etapa inicial da iniciativa, nove homens atendidos pela rede de acolhimento concluíram a primeira turma depois de 13 dias de formação, e novas turmas foram abertas posteriormente até que o total de participantes certificados pela capacitação chegasse a 53.
Durante a cerimônia que reuniu Adriano e outros 14 formandos, o foco permaneceu na passagem do aprendizado para a atividade profissional, e a Fundação de Ação Social informou que pretendia aproximar os participantes de empresas ligadas à construção e manutenção urbana.
Qualificação profissional amplia caminhos para o mercado de trabalho
Além de buscar empresas que prestam serviços ao município, a estratégia previa contato com outras companhias do setor, permitindo que os alunos deixassem a formação com conhecimento prático e um documento emitido por uma instituição profissional que comprovava a capacitação concluída.
No caso de Adriano, porém, a experiência profissional começou antes dessa aproximação institucional, porque a calçada construída em uma residência no litoral já permitia ao novo calceteiro apresentar um serviço efetivamente realizado depois do aprendizado recebido durante o curso.
O episódio também colocou em evidência uma profissão presente no cotidiano das cidades, embora o processo de formação de seus trabalhadores seja menos visível, já que executar calçadas de pedra depende de técnica para preparar a base, organizar as peças e estruturar a circulação.
Petit-pavê de Curitiba entra na formação dos novos calceteiros
Em Curitiba, o petit-pavê aparece em diferentes pontos e integra a paisagem de áreas públicas e privadas, circunstância que conecta a capacitação oferecida aos participantes à necessidade de profissionais capazes de trabalhar com pedras utilizadas na composição dessas calçadas.
Enquanto aprendiam o novo ofício, Adriano e os demais participantes continuavam acompanhados pela estrutura municipal de assistência social, inserindo a formação profissional em um atendimento que também envolve necessidades básicas e a reconstrução de autonomia para pessoas vinculadas aos serviços de acolhimento.
Embora a entrega dos certificados marcasse o encerramento formal do curso, o projeto buscava prolongar seus efeitos para além da cerimônia, e o município passou a trabalhar na aproximação dos formandos com possíveis empregadores e prestadores de serviços interessados nessa mão de obra.
Com 53 pessoas capacitadas nas quatro primeiras turmas, a iniciativa deixou de ficar restrita a um único grupo e passou a levar a mesma qualificação a dezenas de participantes atendidos pelos serviços sociais de Curitiba em diferentes etapas da formação.
Da situação de rua à formação profissional
Dentro desse conjunto, Adriano se tornou um exemplo concreto porque chegou à certificação já podendo apresentar um serviço realizado, reunindo em uma mesma trajetória a passagem pela situação de rua, o acolhimento em hotel social, a formação técnica e a primeira calçada profissional.
Para quem recebe qualificação enquanto reorganiza outras áreas da vida, um certificado acompanhado de habilidade prática pode ampliar possibilidades profissionais, enquanto os novos calceteiros de Curitiba passaram a depender da chegada de oportunidades capazes de transformar o treinamento recebido em trabalho regular.
Se uma formação relativamente curta conseguiu levar um homem que viveu em situação de rua até seu primeiro serviço profissional antes mesmo da entrega do certificado, quantas outras oportunidades poderiam surgir com iniciativas semelhantes em diferentes cidades brasileiras?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

