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Dona de Gillette, Oral-B, Pampers e Ariel corta 7 mil empregos, começa a retirar produtos famosos das prateleiras em vários mercados e fecha operação própria em país enquanto executa uma das maiores reestruturações de sua história
Escrito por Ana Alice
Publicado em 20/08/2026 às 23:09
Atualizado em 20/08/2026 às 23:10
Economia
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Uma das maiores fabricantes de bens de consumo do mundo iniciou uma ampla reorganização que combina milhares de demissões, mudanças industriais e retirada de produtos conhecidos de mercados específicos até o ano fiscal de 2027.
Uma das maiores fabricantes de bens de consumo do mundo entrou em uma reorganização que mistura até 7 mil cortes de empregos, fechamento de operações próprias e retirada de produtos conhecidos de mercados específicos.
A Procter & Gamble (P&G), dona de Gillette, Oral-B, Pampers, Ariel, Pantene, Head & Shoulders e Tide, pretende concluir a maior parte do programa até o fim do ano fiscal de 2027.
O plano começou a ganhar forma em junho de 2025.
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Segundo o portal Tempo Novo, a empresa anunciou que reduziria em até 7 mil os cargos não ligados diretamente à fabricação, número equivalente a aproximadamente 15% de sua força de trabalho não industrial naquele momento e perto de 6% do quadro global.
Meses depois, ficou claro que a reorganização iria além das demissões.
Nas Filipinas, categorias inteiras ligadas a Pampers, Whisper, Tide e Ariel começaram a deixar o mercado.
Na Índia, a P&G também decidiu abandonar detergentes em barra para roupas.
Já no Paquistão, a companhia encerrou seu modelo de fabricação e comercialização próprias e passou a estruturar o abastecimento por distribuidores.
A mudança, porém, não significa o desaparecimento mundial dessas marcas.
Gillette, Oral-B, Pampers, Ariel, Tide, Pantene e Head & Shoulders continuam entre as marcas mantidas oficialmente pela P&G em 2026.
O que está ocorrendo é uma seleção de categorias, versões de produtos e formas de operação conforme o país.
Dona da Gillette e Oral-B começou corte de até 7 mil postos
A dimensão do programa aparece primeiro no quadro de funcionários.
Quando apresentou o plano em junho de 2025, a P&G informou que pretendia eliminar até 7 mil funções não industriais ao longo de dois anos, com conclusão prevista até o final do exercício fiscal de 2027.
Na prática, isso significa que o impacto está concentrado principalmente em cargos administrativos, corporativos, serviços compartilhados e outras funções fora das linhas de fabricação.
A companhia explicou que pretende trabalhar com equipes menores, funções mais amplas, maior digitalização e automação de processos internos.
O corte de aproximadamente 15% da estrutura não industrial tornou-se, portanto, uma das peças de um projeto mais abrangente de produtividade.
Enquanto funcionários deixam a empresa, a própria estrutura de produtos também passa por uma redução.
E é nessa parte do plano que alguns nomes extremamente conhecidos começaram a desaparecer das lojas em determinados países.
Pampers começou a sair das prateleiras nas Filipinas
Um dos casos mais visíveis ocorreu com Pampers.
A P&G Philippines confirmou em dezembro de 2025 que encerraria as operações locais em três categorias: cuidados com bebês, cuidados femininos e detergentes em barra para roupas.
No segmento infantil, isso significou a retirada de Pampers das operações próprias da companhia nas Filipinas.
A fase de saída havia começado em novembro de 2025.
O Philippine Star encontrou estabelecimentos que já não recebiam novos estoques e lojas físicas e virtuais nas quais produtos Pampers apareciam esgotados.
A própria divisão filipina da P&G explicou que a decisão fazia parte de uma revisão do portfólio destinada a concentrar recursos nas categorias consideradas prioritárias.
Pampers, portanto, deixou de fazer parte da operação da P&G naquele mercado, mas não deixou de existir globalmente.
A marca continua incluída pela multinacional em sua lista oficial de grandes negócios internacionais.
Whisper também entrou no corte de produtos
O mesmo aconteceu com a linha de cuidados femininos.
Nas Filipinas, a categoria representada pela marca Whisper também foi incluída na retirada.
A P&G informou que o encerramento permitiria direcionar investimentos e recursos para produtos considerados mais relevantes dentro do portfólio local.
Assim como ocorreu com Pampers, comerciantes começaram a observar a redução de estoque durante o processo de saída.
A mudança é particularmente curiosa porque Pampers e Whisper estavam ligadas à operação industrial filipina havia décadas.
A fábrica de Cabuyao, por exemplo, iniciou a produção dessas categorias ainda nos anos 1990 e posteriormente incorporou outros produtos da companhia.
Trinta anos depois, a mesma multinacional passou a rever quais dessas categorias ainda justificavam produção e comercialização próprias em cada mercado.
Tide e Ariel tiveram versões eliminadas na Ásia
Outra parte da reorganização chegou aos produtos usados para lavar roupas.
A P&G decidiu descontinuar detergentes em barra na Índia e nas Filipinas, decisão posteriormente confirmada pelos executivos durante apresentações financeiras da companhia.
No mercado filipino, a categoria incluía versões em barra de Tide e Ariel.
Isso não significa que Tide e Ariel estejam sendo encerradas.
A diferença está no formato.
A empresa pode abandonar uma apresentação — como o sabão em barra — e continuar investindo em líquidos, pós, cápsulas ou outras tecnologias sob a mesma marca.
A própria estratégia atual da P&G oferece um exemplo dessa lógica: enquanto elimina algumas versões menos estratégicas, segue investindo em inovações da Tide em outros mercados, inclusive no detergente líquido e no Tide Evo.
Outros produtos de higiene também entraram na revisão
Pampers, Whisper e os detergentes em barra não são os únicos exemplos.
Executivos da P&G informaram que o programa também inclui a saída de alguns produtos de higiene bucal de faixas mais baixas de preço em determinados mercados, concentração da Olay nos mercados europeus considerados mais produtivos e simplificação do portfólio de aparelhos da Braun.
Isso ajuda a entender a dimensão real da reorganização.
A P&G não está eliminando suas maiores marcas de forma generalizada; está removendo partes do portfólio que variam conforme categoria, preço, país e modelo de distribuição.
O consumidor pode, portanto, ver uma marca desaparecer completamente de um país, perder apenas uma versão específica ou continuar encontrando normalmente outros produtos com o mesmo nome.
Paquistão perdeu fabricação própria da P&G
Em outro mercado asiático, a mudança foi ainda mais estrutural.
Em outubro de 2025, a P&G decidiu encerrar suas operações próprias de fabricação e comercialização no Paquistão.
A reorganização também atingiu a Gillette Pakistan, que passou a avaliar medidas relacionadas ao encerramento das operações e à permanência na bolsa local.
Entretanto, a estratégia não prevê simplesmente impedir que consumidores paquistaneses tenham acesso às marcas.
A P&G decidiu migrar para um modelo baseado em importações e distribuidores terceirizados, que passam a administrar as relações comerciais locais.
Isso cria uma situação diferente das Filipinas.
Enquanto determinadas categorias filipinas estão sendo efetivamente descontinuadas pela própria P&G no país, no Paquistão a principal transformação está na maneira como os produtos chegam ao mercado.
Gillette e Oral-B continuam no portfólio mundial
Os dois nomes destacados no título permanecem ativos.
Em julho de 2026, quando divulgou seus resultados anuais, a própria P&G continuava listando Gillette e Oral-B entre suas principais marcas globais, junto com Ariel, Head & Shoulders, Pampers, Pantene, Tide e outras.
Essa distinção é importante porque um programa que menciona “saída de marcas e produtos” pode gerar a impressão de que todas as linhas conhecidas da empresa correm risco imediato.
Não é o que os anúncios públicos mostram.
No caso de Oral-B, a empresa confirmou uma racionalização de alguns produtos de menor faixa de preço em determinados mercados, mas não anunciou o encerramento mundial da marca.
Com Gillette ocorre situação semelhante.
A companhia mantém a marca globalmente, embora tenha alterado sua estrutura comercial em lugares como o Paquistão.
Cortes já custaram centenas de milhões de dólares à empresa
Demitir funcionários, fechar operações e reorganizar fábricas também tem custo.
Documentos apresentados pela P&G à Securities and Exchange Commission, a SEC americana, mostram que, nos nove meses encerrados em 31 de março de 2026, o programa acumulou US$ 782 milhões em despesas de reestruturação.
Desse total, US$ 455 milhões estavam relacionados à separação de funcionários.
Outros US$ 162 milhões estavam ligados a ativos, enquanto US$ 164 milhões apareciam em outras despesas relacionadas ao processo.
Em julho de 2026, a P&G informou que já havia reconhecido mais da metade dos custos previstos para o programa durante o exercício fiscal encerrado em junho.
O restante deverá aparecer principalmente no ano fiscal de 2027.
A previsão mais recente divulgada pela companhia coloca os custos não recorrentes do programa entre aproximadamente US$ 1 bilhão e US$ 1,6 bilhão antes dos impostos ao longo dos dois anos.
No Brasil, grandes marcas seguem nas lojas
Até agosto de 2026, não há anúncio público da P&G indicando retirada de Gillette, Oral-B, Pampers, Ariel, Pantene ou Head & Shoulders do mercado brasileiro como consequência desse programa.
Os encerramentos mais claramente documentados concentram-se até agora em mercados específicos.
Nas Filipinas, Pampers e Whisper foram retiradas das operações da empresa e os detergentes em barra Tide e Ariel também entraram no corte.
Na Índia, os detergentes em barra foram descontinuados.
No Paquistão, a P&G deixou de operar diretamente fabricação e comercialização e passou a utilizar um modelo com distribuidores.
A empresa também não revelou publicamente quantos dos até 7 mil postos serão eliminados em cada país.
Isso impede atribuir ao Brasil uma parcela específica das demissões sem um anúncio oficial.
P&G faturou US$ 87 bilhões mesmo durante a reestruturação
Os cortes ocorrem em uma companhia que continua extremamente lucrativa.
No ano fiscal encerrado em 30 de junho de 2026, a Procter & Gamble registrou US$ 87 bilhões em vendas, avanço de 3% em comparação com o exercício anterior.
O lucro líquido chegou a US$ 16,1 bilhões.
A empresa também gerou US$ 19,6 bilhões em fluxo de caixa operacional durante o período.
Os números ajudam a colocar a reorganização em perspectiva.
A P&G não está promovendo os cortes porque deixou de gerar lucro ou entrou em uma situação semelhante à recuperação judicial.
A companhia está tentando reduzir custos, simplificar sua estrutura e concentrar recursos em produtos e mercados que considera capazes de oferecer retornos maiores.
Assista o vídeo
Custos de matérias-primas, energia e transporte ainda pressionam a gigante
Mesmo com bilhões de dólares em lucro, a companhia espera um ambiente difícil no novo exercício.
Para o ano fiscal de 2027, a P&G calcula uma pressão de aproximadamente US$ 1 bilhão depois dos impostos provocada por custos mais altos de matérias-primas, energia e transporte.
A empresa também trabalha em um ambiente em que consumidores estão mais atentos a preços e concorrentes locais, marcas próprias e fabricantes de menor custo disputam espaço nas mesmas categorias.
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Ana Alice
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Foi justamente esse tipo de mudança no comportamento do consumidor que a divisão filipina citou ao explicar a retirada de determinadas linhas.
No caso de Pampers nas Filipinas, por exemplo, consumidores e varejistas ouvidos pelo Philippine Star relataram crescente presença de marcas de fraldas mais baratas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

