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Fazenda vertical nos EUA cultiva morangos em torres de 9 metros, dispensa abelhas, usa IA e produz 1,8 milhão de quilos por ano
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 24/08/2026 às 17:30
Atualizado em 24/08/2026 às 17:31
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Fazenda vertical avança nos Estados Unidos com cultivo de morangos em torres de 9 metros, inteligência artificial e redução no uso de terra e água.
Uma instalação agrícola em Richmond, no estado norte-americano da Virgínia, está levando para dentro de um galpão uma cultura normalmente associada a grandes áreas abertas. A Plenty Richmond Farm foi projetada para produzir mais de 1,8 milhão de quilos de morangos por ano, utilizando estruturas verticais que chegam a aproximadamente 9 metros de altura e ocupando uma área inferior a 3.700 metros quadrados.
A operação mostra como as fazendas verticais começam a avançar além das hortaliças de folhas, que dominaram os primeiros projetos desse modelo agrícola. Segundo informações do Compre Rural, a Plenty Unlimited apresenta a unidade como a primeira instalação do mundo dedicada à produção comercial de frutas vermelhas em grande escala por cultivo vertical fechado.
Torres permitem multiplicar produção sem ampliar o terreno
A lógica da instalação rompe com a distribuição horizontal de uma plantação convencional. Os morangos são posicionados em diferentes alturas, aproveitando o volume interno do edifício em vez de depender apenas da superfície disponível no solo.
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As torres alcançam cerca de 9 metros e formam camadas sucessivas de produção. Com esse arranjo, uma pequena área física consegue acomodar uma quantidade de plantas que exigiria espaço muito maior caso todas fossem cultivadas lado a lado em uma propriedade tradicional.
Essa concentração ajuda a explicar os números divulgados pela empresa. A capacidade anual superior a 4 milhões de libras representa aproximadamente 1,8 milhão de quilos de fruta, apesar de a área efetivamente utilizada pelo sistema vertical ficar abaixo dos 3.700 metros quadrados.
Inteligência artificial acompanha milhões de informações diariamente
O cultivo não depende apenas das estruturas que sustentam as plantas. Dentro da fazenda vertical, praticamente todos os elementos do ambiente precisam ser administrados para substituir condições que normalmente seriam determinadas pela natureza.
A unidade de Richmond possui 12 salas de cultivo. Temperatura, iluminação, umidade e oferta de nutrientes são acompanhadas por um sistema próprio, enquanto ferramentas de inteligência artificial analisam mais de 10 milhões de pontos de dados todos os dias para orientar as condições mantidas em cada ambiente.
Essa estrutura permite realizar ajustes sem esperar por mudanças de estação ou pelo comportamento do clima externo. Em vez de reagir a uma onda de frio, seca ou excesso de chuva, o sistema procura manter parâmetros previamente definidos para o desenvolvimento das plantas.
Morangos não dependem de abelhas para serem polinizados
Uma das maiores dificuldades para levar frutas a ambientes fechados está na polinização. Culturas como alface não enfrentam exatamente o mesmo desafio, enquanto os morangos precisam de uma etapa eficiente para que os frutos se desenvolvam com tamanho e formato adequados.
A Plenty criou uma solução própria para essa tarefa. Em vez de utilizar abelhas dentro das salas, a empresa emprega correntes controladas de ar para transportar o pólen entre as flores, em um sistema que possui pedido de patente.
A intenção é tornar o processo mais uniforme e previsível. Com a distribuição controlada do pólen, a empresa busca reduzir variações na formação dos frutos e produzir lotes visualmente mais homogêneos, característica importante para a comercialização em grande escala.
Seis anos de testes antecederam cultivo comercial
A instalação de Richmond não surgiu de uma única experiência. A plataforma agrícola utilizada pela Plenty passou por aproximadamente uma década de desenvolvimento até chegar a uma configuração que pudesse ser aplicada a diferentes tipos de culturas.
No caso específico dos morangos, a etapa de pesquisa durou seis anos e envolveu cerca de 200 testes. Os experimentos analisaram combinações de hidratação, nutrientes, quantidade de luz e outras condições ambientais necessárias para manter as plantas produtivas no sistema fechado.
A unidade trabalha exclusivamente com variedades da Driscoll’s. Essa parceria coloca variedades comerciais conhecidas dentro de um modelo de produção completamente distinto da lavoura convencional, submetendo-as a um ambiente no qual quase todas as condições são definidas artificialmente.
Produção pode continuar independentemente da estação do ano
A independência em relação ao clima é um dos argumentos centrais desse tipo de agricultura. Chuvas excessivas, períodos secos, mudanças bruscas de temperatura e redução da luz natural deixam de exercer influência direta sobre as plantas cultivadas dentro do galpão.
Isso permite que os morangos sejam produzidos em diferentes períodos do ano sem depender da mesma janela sazonal observada em cultivos ao ar livre. Para o abastecimento, a vantagem potencial está na maior previsibilidade dos volumes disponíveis ao longo dos meses.
O controle, porém, exige infraestrutura tecnológica constante. Iluminação, climatização, distribuição de nutrientes e monitoramento passam a cumprir funções que, em uma plantação convencional, são parcialmente fornecidas pelo ambiente natural.
Plenty afirma utilizar 97% menos terra e até 90% menos água
A concentração vertical também aparece nos indicadores de utilização de recursos divulgados pela empresa. Segundo a Plenty, seu sistema emprega 97% menos área de terra e pode reduzir o consumo de água em até 90% quando comparado ao cultivo convencional.
A economia de espaço é diretamente associada às torres, enquanto a água pode circular de maneira mais controlada dentro do sistema. Como o ambiente é fechado, o produtor consegue administrar de forma mais precisa quanto cada planta recebe e reduzir perdas comuns em áreas abertas.
Outro diferencial está na localização. A unidade foi instalada de forma que mais de 100 milhões de consumidores possam ser alcançados em até um dia de viagem, segundo os dados divulgados pela companhia.
Essa proximidade busca diminuir o percurso entre cultivo, distribuição e venda. No caso dos morangos, uma fruta delicada e sensível ao transporte, encurtar a distância até grandes mercados pode reduzir o tempo entre colheita e chegada às prateleiras.
Campus de Richmond envolve investimento estimado em US$ 300 milhões
A unidade de frutas vermelhas integra um projeto maior. O campus agrícola planejado para Richmond recebeu estimativa de investimento de aproximadamente US$ 300 milhões, mostrando a dimensão financeira necessária para levar esse tipo de produção a uma escala industrial.
A fase inicial previa mais de 60 empregos, enquanto a implantação completa do complexo poderia superar 300 postos de trabalho. Parte dessas funções tende a se afastar do perfil tradicional do trabalho agrícola, já que automação, dados e controle ambiental ganham espaço ao lado do manejo das plantas.
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Produzir folhas em ambientes fechados já se tornou relativamente comum dentro do setor, mas frutas acrescentam desafios muito maiores. Polinização, formação do fruto e controle de qualidade tornam o sistema mais complexo e ajudam a explicar os anos de pesquisa empregados antes da abertura da unidade de Richmond.
A Plenty tenta demonstrar que esse obstáculo pode ser superado em escala comercial. Com torres de aproximadamente 9 metros, inteligência artificial, polinização por correntes de ar e produção anual projetada em 1,8 milhão de quilos, os morangos se transformaram em um teste importante para o futuro desse modelo.
Fonte
Compre Rural
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

