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Ele viu meninas faltarem à escola por não terem absorventes e criou uma solução com resíduos agrícolas que já produziu 2,8 milhões de unidades
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 27/08/2026 às 18:28
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Oghenekevwe William Emadago transformou um problema que conheceu no norte da Nigéria em uma tecnologia que combate pobreza menstrual e plástico e agora mira alcançar 10 milhões de mulheres e meninas por ano
Crescer no norte da Nigéria fez Oghenekevwe William Emadago presenciar uma realidade que acabaria determinando sua trajetória profissional. Meninas faltavam às aulas simplesmente porque não tinham dinheiro ou acesso a absorventes higiênicos. Anos depois, ele ajudou a criar uma solução que transforma resíduos agrícolas em absorventes acessíveis e de baixo custo, conforme informações publicadas pelo Global Citizen.
A iniciativa ganhou escala. Desde 2021, a Girlified já produziu mais de 2,8 milhões de absorventes e alcançou mais de 70 mil mulheres e meninas.
Agora, porém, o objetivo é muito maior.
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Oghenekevwe venceu o Waislitz Global Citizen People’s Choice Award. Com o reconhecimento, pretende ampliar a inovação para alcançar 10 milhões de mulheres e meninas por ano até 2030.
Meninas faltavam à escola por um motivo que chamou sua atenção
A origem da Girlified está diretamente ligada à infância e juventude de Oghenekevwe.
Enquanto crescia no norte da Nigéria, ele observou meninas enfrentando dificuldades para conseguir produtos básicos de higiene menstrual.
Sem absorventes, algumas simplesmente deixavam de frequentar a escola durante o período menstrual.
O problema, portanto, não terminava na higiene.
Ele também atingia a educação.
Diante dessa realidade, Oghenekevwe decidiu trabalhar para que meninas não precisassem escolher entre a menstruação e a própria educação.
Foi desse objetivo que nasceu a Girlified.
Resíduos agrícolas viraram matéria-prima para absorventes
A solução criada pela empresa combina dois problemas aparentemente distantes.
O primeiro é a pobreza menstrual.
O segundo é a poluição causada pelo plástico.
Para enfrentá-los ao mesmo tempo, a Girlified passou a transformar resíduos agrícolas em absorventes higiênicos acessíveis e de baixo custo.
Assim, materiais que poderiam ter pouco valor econômico ganham uma nova finalidade.
Ao mesmo tempo, a proposta busca oferecer uma alternativa aos produtos menstruais convencionais que utilizam componentes plásticos.
A lógica lembra outras iniciativas de transformação de resíduos, nas quais aquilo que antes representava descarte passa a integrar uma nova cadeia produtiva.
Porém, nesse caso, existe também um impacto social direto.
Mais de 2,8 milhões de absorventes já saíram da iniciativa
A escala alcançada desde 2021 chama atenção.
Segundo o Global Citizen, a Girlified já produziu mais de 2,8 milhões de absorventes higiênicos.
Além disso, mais de 70 mil mulheres e meninas já foram alcançadas pela iniciativa.
Esses dois números ajudam a mostrar a dimensão atual do projeto.
Entretanto, a ambição para os próximos anos é muito superior.
A empresa quer transformar uma solução que hoje alcança dezenas de milhares de pessoas em uma operação capaz de chegar a milhões todos os anos.
Prêmio do Global Citizen deverá ajudar na expansão
O trabalho de Oghenekevwe recebeu reconhecimento internacional em 2026.
Ele venceu o Waislitz Global Citizen People’s Choice Award.
A premiação faz parte dos Waislitz Global Citizen Awards, iniciativa voltada ao reconhecimento de pessoas que trabalham para combater a pobreza extrema.
Oghenekevwe também é O’Shaughnessy Fellow, pesquisador de doutorado, cofundador e diretor de operações da Girlified.
Agora, o prêmio deverá ajudar justamente na próxima etapa do projeto.
E a meta estabelecida é gigantesca.
Meta é alcançar 10 milhões de mulheres e meninas por ano
A Girlified pretende expandir a tecnologia até conseguir alcançar 10 milhões de mulheres e meninas anualmente até 2030.
Isso significa sair de uma escala de dezenas de milhares de beneficiárias acumuladas para uma capacidade de atendimento de milhões a cada ano.
Portanto, os próximos quatro anos serão decisivos.
Será necessário ampliar a capacidade de produção, distribuição e alcance da iniciativa.
Além disso, transformar resíduos agrícolas em produtos de higiene em grande escala exigirá uma estrutura muito superior à atual.
É um desafio semelhante ao enfrentado por qualquer tecnologia que deixa uma pequena escala para buscar aplicações muito maiores.
Pobreza menstrual também pode afastar meninas da educação
A história de Oghenekevwe chama atenção porque mostra uma consequência que pode passar despercebida quando se fala em acesso a produtos menstruais.
Para as meninas que ele observou no norte da Nigéria, a falta de absorventes tinha impacto direto sobre a presença na escola.
Portanto, fornecer um produto acessível pode ter efeitos que vão além da higiene.
A proposta da Girlified nasceu justamente dessa conexão.
Se uma menina consegue administrar sua menstruação com segurança e dignidade, ela deixa de enfrentar uma das barreiras que podem afastá-la da sala de aula.
Por isso, Oghenekevwe definiu seu objetivo de maneira bastante clara: nenhuma menina deveria precisar escolher entre educação e menstruação.
Solução tenta combater dois problemas com o mesmo produto
Existe ainda uma segunda dimensão no projeto.
Produtos menstruais descartáveis também geram resíduos.
Por isso, a Girlified busca enfrentar simultaneamente pobreza menstrual e poluição plástica, utilizando resíduos agrícolas como matéria-prima.
Essa combinação coloca a iniciativa entre projetos que tentam encontrar aplicações de maior valor para materiais anteriormente descartados.
Em diferentes setores, esse conceito começa a ganhar espaço. Até grandes projetos industriais procuram maneiras de combinar inovação, eficiência e novas cadeias produtivas.
No caso da Girlified, entretanto, a consequência pretendida é particularmente concreta.
Transformar resíduos agrícolas em algo que uma menina possa usar para continuar frequentando a escola.
De um problema observado na infância a 2,8 milhões de absorventes
A trajetória de Oghenekevwe começou com uma situação que ele testemunhou pessoalmente.
Meninas não conseguiam comprar ou acessar absorventes.
Como consequência, faltavam às aulas durante a menstruação.
Ele decidiu atacar justamente esse problema.
Depois, ajudou a criar a Girlified.
Desde 2021, a iniciativa transformou resíduos agrícolas em mais de 2,8 milhões de absorventes e alcançou mais de 70 mil mulheres e meninas.
Agora, o reconhecimento do Global Citizen abre uma nova etapa.
A meta é fazer essa solução chegar a 10 milhões de mulheres e meninas todos os anos até 2030.
Se conseguir atingir essa escala, uma realidade que Oghenekevwe observou ainda jovem no norte da Nigéria poderá acabar impulsionando uma solução de alcance muito maior: usar aquilo que seria resíduo agrícola para produzir um item básico que milhares de meninas ainda têm dificuldade para acessar.
Fonte
Global Citizen
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

