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Aos 41 anos e servidor público havia 12 anos, ex-diretor da Presidência estudou oito horas por dia, conciliou trabalho e família, ficou em primeiro antes da formação no CNU e foi nomeado especialista em políticas públicas com remuneração prevista de R$ 20,9 mil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/09/2026 às 13:37
Atualizado em 05/09/2026 às 13:52
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Servidor experiente reorganizou trabalho, família e rotina para buscar uma das carreiras mais disputadas do CNU, após anos em diferentes funções públicas. Preparação intensa, classificação de destaque e uma mudança profissional dentro do próprio Estado marcaram o caminho até a nomeação para o novo cargo federal.
Bruno Santos Abreu Caligaris tinha 41 anos, acumulava mais de uma década de experiência no setor público e já havia passado pela Presidência da República quando decidiu concentrar a rotina em um objetivo antigo: ingressar na carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental.
Para disputar uma das vagas do Concurso Nacional Unificado, ele reorganizou compromissos profissionais e familiares, chegou a estudar em média oito horas por dia e apareceu em primeiro lugar na classificação anterior ao curso de formação exigido para a carreira de EPPGG.
A aprovação abriu caminho para uma mudança dentro do próprio serviço público, sem romper com a trajetória construída desde 2013, quando Bruno iniciou sua atuação estatal e passou a acumular experiências em diferentes áreas da administração pública federal e estadual.
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Depois de cumprir a etapa formativa prevista no concurso, ele teve a nomeação formalizada para Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, função cuja remuneração inicial apresentada no CNU era de R$ 20.924,80 e exigia formação superior.
CNU exigiu preparação de até oito horas por dia
Segundo a Folha de S.Paulo, Bruno já acumulava uma longa trajetória no setor público quando liderou a classificação do bloco 6 para a carreira, resultado alcançado enquanto ele mantinha atividade profissional e precisava dividir a rotina entre trabalho, estudos e família.
Naquele período, atuava como assessor na Secretaria de Gestão do governo de São Paulo, o que impedia uma preparação exclusiva para o concurso e exigia um planejamento capaz de acomodar responsabilidades profissionais, convivência familiar e uma carga diária elevada de estudos.
A rotina chegou a uma média de oito horas de preparação por dia, organizada com apoio de um coach que ajudou a estruturar métodos, cronograma e acompanhamento de desempenho ao longo dos meses que antecederam as provas do Concurso Nacional Unificado.
Entre as técnicas adotadas estavam ciclos de aproximadamente 50 minutos de estudo seguidos por dez minutos de descanso, além de simulados e listas de exercícios usados para medir evolução, revisar conteúdos e reforçar os pontos considerados mais importantes para a prova.
Esse volume de preparação também modificou a dinâmica doméstica, já que Bruno era casado, pai de dois filhos pequenos e precisava preservar algum espaço para a família enquanto mantinha uma rotina de estudos comparável a uma jornada adicional de trabalho.
Nos fins de semana, grande parte do tempo passou a ser direcionada ao concurso, e uma viagem de Carnaval chegou a ser cancelada após a publicação do edital, decisão que abriu mais espaço para a preparação no período considerado decisivo antes das provas.
Trajetória no serviço público começou antes do CNU
A carreira pública, porém, já fazia parte de sua trajetória muito antes do CNU, pois Bruno se formou em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, trabalhou cerca de três anos em uma empresa de auditoria e depois migrou para o Estado.
Em 2013, iniciou essa etapa como analista-técnico de políticas sociais e teve passagem pelo Ministério da Saúde, experiência que marcou o começo de uma sequência de funções públicas posteriormente ampliada por concursos, cargos técnicos e posições de confiança em diferentes estruturas governamentais.
No ano seguinte, foi aprovado para analista tributário da Receita Federal, mas a estabilidade conquistada não encerrou o interesse pela carreira de EPPGG, que permanecia como objetivo profissional por permitir atuação transversal em órgãos e políticas públicas de naturezas distintas.
A possibilidade de trabalhar com formulação, implementação e melhoria de serviços públicos em áreas variadas pesava nessa escolha, sobretudo porque a função oferece mobilidade entre diferentes estruturas da administração federal, em vez de concentrar a vida funcional em uma especialidade específica.
Ao longo dos anos seguintes, Bruno também ocupou funções de confiança em diferentes governos e ampliou a experiência administrativa, passando por áreas relacionadas à segurança pública, planejamento, orçamento, projetos estratégicos e desenvolvimento econômico antes de disputar uma vaga no CNU.
Em 2016, tornou-se chefe de gabinete na Secretaria Nacional de Segurança Pública e, posteriormente, exerceu o cargo de subsecretário de Planejamento e Orçamento no Ministério Extraordinário da Segurança Pública, acumulando responsabilidades de gestão antes de chegar à estrutura presidencial.
Passagem pela Presidência antecedeu nova carreira federal
Entre as funções exercidas esteve a direção de projetos estratégicos na Presidência da República, posto ocupado até o fim do mandato presidencial iniciado em 2019, experiência que acrescentou ao currículo uma passagem direta por uma das estruturas centrais do governo federal.
Mais tarde, Bruno retornou ao governo federal como coordenador-geral das Indústrias Química e Petroquímica no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ampliando novamente o contato com políticas públicas de áreas diferentes antes da tentativa de ingressar definitivamente na carreira transversal.
A preparação específica para EPPGG ganhou força quando começaram a circular informações sobre a possibilidade de um novo concurso para a carreira, cenário que levou Bruno a montar um plano de estudos paralelo à atividade profissional e ajustado às limitações de tempo.
Quando o CNU passou a ter edital, cronograma e conteúdo programático definidos, a estratégia foi intensificada, exigindo constância por meses e uma distribuição rigorosa das horas disponíveis para leitura, exercícios, simulados e revisão sem abandonar as obrigações já assumidas no trabalho.
Primeiro lugar veio antes do curso de formação
O primeiro lugar veio na classificação que antecedia o curso de formação, etapa que ainda não encerrava o processo seletivo e exigia dos candidatos convocados o cumprimento de uma fase adicional antes da consolidação da classificação e do posterior ingresso na carreira.
Bruno avançou por essa formação obrigatória e, depois da conclusão das etapas previstas, teve a nomeação formalizada para o cargo, transformando a liderança obtida antes do curso em uma aprovação efetiva para uma das carreiras mais valorizadas do concurso federal.
Quando a nomeação ocorreu, a trajetória iniciada no serviço público em 2013 já alcançava 12 anos, de modo que o novo posto representava menos uma entrada no Estado e mais uma mudança de carreira construída sobre experiência acumulada em diferentes órgãos.
A função de EPPGG já aparecia entre seus objetivos havia mais de uma década, inclusive desde o concurso previsto em 2013 que acabou cancelado, o que ajuda a explicar por que a aprovação no CNU teve significado profissional mesmo para um servidor já estável.
Especialista em políticas públicas tem atuação transversal
A carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental integra o conjunto de funções transversais da administração pública federal, permitindo que seus integrantes atuem em diferentes ministérios e órgãos ao longo da vida funcional, de acordo com necessidades e políticas governamentais.
Na prática, esses servidores podem participar de planejamento, formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, característica que aproximava a carreira do tipo de atuação buscado por Bruno e ampliava a possibilidade de trabalhar com problemas diversos dentro do Estado.
A remuneração inicial de R$ 20.924,80 indicada para o cargo no CNU também colocava a carreira entre as mais valorizadas do concurso, embora o valor correspondesse à previsão remuneratória apresentada para a função e não representasse um salário líquido fixo para todos os servidores.
Além da exigência de nível superior, o processo seletivo envolvia múltiplas etapas e incluía formação posterior à classificação inicial, percurso que Bruno precisou completar antes da nomeação e que explica a diferença entre liderar uma lista preliminar e efetivamente ingressar na carreira.
No caso dele, a conquista significou uma mudança profissional sem saída do serviço público, construída depois de anos em funções técnicas, comissionadas e de assessoramento, além de uma preparação que precisou coexistir com responsabilidades familiares e uma agenda de trabalho já consolidada.
Diferentemente de candidatos que chegam a um grande concurso em busca do primeiro emprego ou da primeira estabilidade, Bruno já tinha experiência federal e estadual, ocupava posições de responsabilidade e, mesmo assim, decidiu voltar a disputar uma nova carreira desde o início.
Ainda assim, submeteu-se novamente a uma rotina extensa de preparação para alcançar uma função que considerava mais alinhada ao tipo de trabalho que pretendia desenvolver no Estado, mesmo depois de mais de uma década de experiência e estabilidade profissional acumulada.
Depois de conquistar estabilidade e acumular mais de uma década de experiência no setor público, quantos profissionais estariam dispostos a reorganizar trabalho, convivência familiar e uma rotina intensa de estudos para disputar desde o início uma carreira mais próxima de seus objetivos?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

