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Grupo de pescadores comemora ao avistar avião da FAB após sete dias à deriva; depois de “entregarem a vida a Deus”, seis cearenses são resgatados e novos vídeos mostram o primeiro contato com as famílias
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 05/09/2026 às 16:42
Atualizado em 05/09/2026 às 16:43
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Imagens divulgadas após o resgate registram a aproximação da aeronave da FAB, a chegada do Navio-Patrulha Oceânico Araguari e a videochamada em que um dos pescadores tranquiliza os familiares: “tá tudo bem”
O resgate dos seis pescadores cearenses que passaram sete dias à deriva ganhou novos registros. Vídeos feitos durante a operação mostram desde a reação dos homens ao perceberem a aproximação do avião da Força Aérea Brasileira (FAB) até o momento em que, já assistidos pela Marinha, conseguem finalmente falar com suas famílias.
As imagens acrescentam uma dimensão humana a uma operação que havia começado como uma busca por uma embarcação sem comunicação. Segundo o Diário do Nordeste, os tripulantes chegaram a acreditar que não seriam encontrados. Marciel dos Santos Souza contou à família que ele e os colegas haviam “entregado a vida a Deus”. Mesmo assim, continuavam queimando objetos durante as noites na tentativa de produzir sinais que pudessem ser vistos por alguma embarcação ou equipe de busca.
A situação mudou quando eles ouviram uma aeronave nas proximidades.
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Pescadores ouvem avião, lançam sinalizadores e percebem que finalmente foram encontrados
O grupo estava no S.E. Pescados, sem conseguir navegar normalmente devido a um problema no sistema de propulsão. De acordo com o relato de Marciel à irmã, a falha teria começado depois que o motor entrou em contato com água. O mestre tentou fazê-lo funcionar novamente, mas não conseguiu.
Durante os sete dias seguintes, os homens permaneceram na embarcação. Marciel relatou que o período foi marcado por medo e angústia, enquanto crescia a preocupação de que ninguém os encontrasse. Sua irmã, Oziele dos Santos, afirmou que ele estava rouco de tanto chorar e pedir pelo resgate.
Apesar de já estarem perdendo a esperança, eles continuavam tentando chamar atenção.
Na tarde de 3 de setembro, os pescadores ouviram o barulho de um avião. Quando perceberam a aeronave nas proximidades, lançaram os sinalizadores que ainda tinham a bordo. Os vídeos registram justamente a reação dos tripulantes nesse momento.
Era um SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano (2º/10º GAV), da FAB. A aeronave participou da operação de busca acionada pela Marinha e localizou a embarcação a centenas de quilômetros da costa.
O detalhe ajuda a explicar a importância da operação aérea: em uma área marítima tão extensa, localizar visualmente uma embarcação pesqueira relativamente pequena é parte decisiva do problema. Segundo as informações divulgadas, o SC-105 empregado na missão possui sistema infravermelho capaz de identificar diferenças de temperatura e auxiliar as buscas em condições de baixa visibilidade.
Novas imagens mostram Marinha chegando ao S.E. Pescados
Assista o vídeo
A atualização divulgada nesta sexta-feira (5) mostra uma etapa posterior.
Novos vídeos divulgados pela Marinha registram o Navio-Patrulha Oceânico Araguari aproximando-se do pesqueiro e a abordagem dos seis homens. As imagens também mostram os pescadores recebendo atendimento médico a bordo do navio.
A avaliação realizada após o encontro constatou que os seis estavam em bom estado de saúde. Embora tenham enfrentado uma semana de tensão e isolamento, não havia ocorrido falta de alimentos: o S.E. Pescados havia sido abastecido para uma viagem prevista para aproximadamente 30 dias.
O pesqueiro tinha partido de Itarema, no Litoral Oeste do Ceará, em 17 de agosto. O último contato conhecido com o responsável pela operação ocorreu em 27 de agosto. A partir da interrupção das comunicações, foi iniciada a mobilização de busca e salvamento, que envolveu 26 embarcações, além do Araguari, equipes da Capitania dos Portos e apoio aéreo.
Primeiro contato com as famílias também ficou registrado
Talvez o registro mais marcante da atualização tenha ocorrido depois da localização.
Com acesso à internet após o resgate, os pescadores puderam entrar em contato com os parentes. Um dos vídeos divulgados mostra um dos homens realizando uma videochamada e informando que o grupo havia sido resgatado pela Marinha e estava bem.
Para famílias que haviam passado dias sem saber sequer se os seis estavam vivos, a chamada encerrou uma espera iniciada com o desaparecimento das comunicações.
Oziele descreveu o período como dias de apreensão em que ninguém recebia notícias. Antes disso, Marciel havia contado que os pescadores já não acreditavam que seriam encontrados, embora continuassem queimando objetos e tentando produzir sinais de socorro.
É justamente essa sequência que torna os novos vídeos diferentes da notícia inicial sobre a localização: eles mostram o instante em que uma busca marítima de grandes proporções deixa de ser apenas uma operação e passa a ter, diante das câmeras, um desfecho visível — primeiro com o avião sobre o pesqueiro, depois com a chegada do navio e, por fim, com as famílias recebendo a confirmação que aguardavam havia uma semana.
S.E. Pescados ainda precisava ser rebocado
Mesmo após o encontro dos tripulantes, havia uma questão operacional pendente: a embarcação permanecia sem condições normais de propulsão.
O Navio-Patrulha Oceânico Araguari permaneceu nas proximidades prestando apoio enquanto era aguardada uma embarcação contratada pelo proprietário para realizar o reboque do S.E. Pescados até o porto de origem.
Assim, os novos registros fecham a parte mais angustiante da história: os seis pescadores foram encontrados vivos, receberam atendimento e conseguiram restabelecer contato com suas famílias depois de sete dias sem comunicação.
Depois de sete dias à deriva, com os pescadores afirmando que já haviam “entregado a vida a Deus”, o que mais chama sua atenção nessa operação: a persistência do grupo em continuar sinalizando por socorro ou a mobilização aérea e naval que conseguiu encontrá-los em pleno oceano?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

