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Balsa elétrica percorre 296 km entre Suécia e Noruega, levanta o casco sobre a água e usa bateria rebocada por caminhonete para recarregar
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/09/2026 às 17:50
Atualizado em 25/09/2026 às 17:55
Transporte Marítimo
Canal
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Em uma viagem de três dias entre Gotemburgo e Oslo, a balsa elétrica de passageiros utilizou asas submersas para reduzir o consumo de energia e contou com carregadores fixos e uma bateria móvel transportada por uma caminhonete elétrica, mostrando como é possível ampliar os trajetos desse tipo de embarcação sem depender exclusivamente de grandes estruturas de recarga nos portos.
Uma balsa elétrica percorreu cerca de 296 quilômetros entre a Suécia e a Noruega, em uma viagem que combinou tecnologia capaz de levantar o casco sobre a água e um sistema de recarga transportado por uma caminhonete elétrica. O trajeto começou em Gotemburgo, na costa sueca, e terminou em Oslo, capital norueguesa.
A viagem foi divulgada em 2 de fevereiro de 2026 pela Candela, fabricante sueca de embarcações elétricas. A empresa utilizou seu modelo de passageiros P12 para demonstrar como uma embarcação movida a baterias pode realizar percursos mais longos com paradas para recarga.
O detalhe mais curioso está na combinação das soluções. Enquanto pequenas asas instaladas debaixo do barco diminuem o contato do casco com a água, um sistema de baterias rebocado por uma caminhonete permite recuperar energia mesmo em lugares sem carregadores fixos.
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Balsa elétrica percorreu cerca de 296 quilômetros entre dois países em uma viagem de três dias
A travessia entre Gotemburgo e Oslo foi concluída em três dias, incluindo paradas para demonstrações e recarga das baterias. O percurso total foi de 160 milhas náuticas, medida utilizada na navegação que corresponde a aproximadamente 296 quilômetros.
A embarcação partiu da costa oeste da Suécia em direção à capital da Noruega, país que já utiliza diversas balsas elétricas no transporte de passageiros.
Durante a viagem, a equipe aproveitou pontos de carregamento existentes na Suécia e utilizou uma solução móvel nos trechos em que essa infraestrutura não estava disponível.
Assista o vídeo
Como a balsa elétrica consegue levantar o casco sobre a água e gastar menos energia
O modelo utilizado na viagem possui uma tecnologia chamada hidrofólio, formada por asas instaladas abaixo do casco. Elas permanecem submersas e ajudam a levantar o barco quando ele ganha velocidade.
O funcionamento lembra o princípio das asas de um avião. À medida que a embarcação avança, a água passa pelas estruturas submersas e produz uma força capaz de sustentar o casco acima da superfície.
Na balsa da Candela, esse movimento acontece em velocidades superiores a aproximadamente 37 km/h. Um sistema controlado por computador ajusta as asas durante a navegação.
Com o casco elevado, uma parte muito menor da embarcação permanece em contato com a água. Isso reduz a resistência enfrentada pelo barco, permitindo que ele avance com menos esforço dos motores elétricos.
A fabricante informa uma redução de aproximadamente 80% no consumo de energia em comparação com embarcações convencionais. Esse ganho de eficiência é uma das características utilizadas pela empresa para desenvolver o transporte elétrico de passageiros em velocidades mais elevadas.
O vídeo oficial da travessia permite observar a embarcação durante o percurso e entender visualmente como as asas submersas sustentam o casco.
Caminhonete elétrica rebocou sistema de baterias para recarregar a balsa durante a viagem
Uma das dificuldades enfrentadas pelas embarcações elétricas está na disponibilidade de energia nos portos. Nem todos os locais possuem instalações capazes de fornecer eletricidade suficiente para carregar rapidamente as baterias de um barco.
Para realizar a viagem até Oslo, a equipe utilizou um carregador portátil com potência de 360 kW, conectado a um sistema móvel de armazenamento de energia.
O equipamento foi fornecido pela Skagerak Energi e transportado em um reboque puxado por uma caminhonete elétrica Ford F150 Lightning.
A caminhonete não precisou fornecer diretamente a energia de sua própria bateria ao barco. Sua função era transportar o sistema de armazenamento, que alimentava o carregador utilizado pela embarcação.
Nos pontos equipados para atender barcos elétricos, a equipe utilizou estações da Aqua SuperPower. Quando não havia carregadores fixos disponíveis, entrava em operação o conjunto móvel rebocado pela caminhonete.
A combinação permitiu realizar paradas para recarga sem depender de uma instalação específica para barcos em todos os locais do percurso.
Balsa elétrica pode percorrer cerca de 74 quilômetros por carga, mas viagem completa chegou a 296 quilômetros
A autonomia é um dos pontos mais importantes para compreender o resultado da travessia.
O modelo de passageiros da Candela possui autonomia anunciada de até aproximadamente 74 quilômetros por carga, quando navega em velocidade de cruzeiro. Isso representa uma distância consideravelmente menor que o percurso completo entre Gotemburgo e Oslo.
Sua velocidade normal de operação é de aproximadamente 46 km/h, enquanto os testes realizados pela fabricante já registraram velocidades superiores a 55 km/h.
Esses números ajudam a explicar a estratégia adotada durante os três dias. O barco percorreu diferentes etapas e recuperou energia nas paradas, utilizando carregadores instalados em terra ou o sistema de baterias transportado pela caminhonete.
Assim, a viagem de 296 quilômetros demonstrou a possibilidade de ampliar o alcance operacional da balsa com uma rede de recarga, sem significar que a embarcação tenha capacidade para percorrer toda essa distância sem parar.
Recarga móvel pode reduzir a dependência de grandes instalações elétricas nos portos
A eletrificação do transporte marítimo enfrenta um desafio que vai além da fabricação de barcos movidos a baterias: a necessidade de levar energia aos lugares em que essas embarcações operam.
Algumas balsas elétricas convencionais utilizam sistemas de troca de baterias para continuar trabalhando sem permanecer paradas durante longos períodos de carregamento.
Em Oslo, a embarcação de passageiros Baronen opera com esse tipo de solução. Um conjunto de baterias instalado sobre o convés é substituído ao final das viagens, permitindo que o barco retome suas atividades.
Entretanto, a construção das estruturas necessárias para realizar essas trocas envolve investimentos elevados.
Gabriele De Mattia, engenheiro da Candela responsável pela travessia, explicou que a instalação de carregadores de grande potência pode custar tanto quanto as próprias embarcações em locais onde a rede elétrica é limitada ou pouco desenvolvida.
A Candela, fabricante sueca de embarcações elétricas, apresentou a viagem como uma demonstração da possibilidade de utilizar sistemas de carregamento mais flexíveis. A menor demanda de energia do barco permite recorrer a carregadores rápidos semelhantes aos empregados no setor automotivo.
Outro dado divulgado pela empresa foi o gasto com eletricidade. O custo total da energia utilizada durante a travessia ficou pouco acima de 200 euros.
Esse valor representa apenas a eletricidade consumida na viagem. Ele não inclui a aquisição da embarcação, o sistema de baterias, os equipamentos de carregamento ou os demais custos necessários para realizar a operação.
A travessia entre Suécia e Noruega mostrou como duas soluções podem trabalhar juntas para ampliar as possibilidades do transporte marítimo elétrico. De um lado, as asas submersas diminuem o esforço necessário para movimentar o barco. Do outro, a recarga móvel oferece uma alternativa quando não existem instalações adequadas nos portos.
O resultado foi uma viagem de aproximadamente 296 quilômetros em três dias, com o casco elevado durante a navegação em velocidade e baterias recarregadas ao longo do percurso. A experiência apresenta uma possibilidade para o transporte elétrico de passageiros em rotas que exigem mais flexibilidade de abastecimento.
Você acredita que balsas elétricas com esse sistema poderiam funcionar no transporte de passageiros entre cidades brasileiras? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha as novidades do setor marítimo.
Tags
Balsa elétricabateria móvel
Fonte
Candela
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

