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Cientistas analisaram quase 4 milhões de moedas romanas e descobriram por que o dinheiro continuava circulando após a passagem das legiões
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/09/2026 às 16:50
Atualizado em 25/09/2026 às 17:54
Ciência e Tecnologia
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Pesquisadores analisaram quase 4 milhões de moedas e encontraram sinais de que estradas, mercados e instituições civis ajudaram a manter o dinheiro em circulação nos territórios conquistados por Roma.
Uma análise de quase 4 milhões de moedas romanas indica que a expansão militar abriu caminho para a circulação do dinheiro, mas sua permanência nos territórios conquistados esteve associada ao desenvolvimento de mercados, cidades e instituições civis.
Moedas romanas revelam uma rede de circulação
O estudo examinou vestígios datados de 155 a.C. a 2 d.C. Pesquisadores da Universidade de São Paulo reuniram registros de 24.646 conjuntos de moedas encontrados em escavações e compararam os locais de cunhagem com os locais de descoberta.
A SciTechDaily relata que os registros formaram 5.167 pares entre esses locais. A pesquisa foi conduzida por Eduardo Amaral Haddad e Inácio Fernandes Araújo e publicada em junho de 2026 na revista Humanities and Social Sciences Communications.
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Os pesquisadores procuraram identificar padrões na distribuição das moedas. Os achados se concentravam ao longo de rotas de circulação, em vez de aparecerem espalhados ao acaso. Para a equipe, esse padrão oferece uma forma de investigar as conexões econômicas entre regiões sob domínio romano.
Estradas e portos aparecem nos mapas
A principal base de moedas usada na pesquisa foi o Coin Hoards of the Roman Republic Online. Os autores combinaram seus registros com dados sobre cidades, estradas e portos e com o ORBIS, sistema que estima deslocamentos por vias terrestres, fluviais e marítimas antigas.
Assim, puderam comparar a localização dos achados com a infraestrutura de transporte. Segundo a Agência FAPESP, os mapas mostraram uma propagação de moedas cunhadas em Roma e uma circulação próxima às vias da República.
A análise também encontrou uma mudança ao longo do tempo: moedas passaram a ser descobertas a distâncias cada vez maiores de seus locais de cunhagem. Nos modelos dos pesquisadores, a distância perdeu força como barreira à circulação monetária, resultado associado à expansão das redes de transporte e à integração dos territórios.
O papel do exército mudou após a conquista
A pesquisa dá suporte parcial à ideia de que as legiões levaram moeda às áreas conquistadas. Soldados precisavam receber pagamentos, enquanto comerciantes e fornecedores acompanhavam as tropas. Essa demanda tinha peso sobretudo na etapa inicial da expansão.
Os resultados indicam, porém, que a presença militar não bastava para sustentar a circulação monetária. Nas regiões incorporadas de forma mais estável, estruturas econômicas, administrativas, religiosas e civis estavam associadas a uma demanda permanente por dinheiro.
Para examinar essas relações, os autores construíram um modelo aproximado dos fluxos de bens e pagamentos entre governo, famílias, proprietários de terra, comerciantes, pessoas escravizadas e exército. O modelo considera que parte das transações ainda ocorria por meio de bens, enquanto o uso de moedas ganhava espaço.
A análise distingue funções econômicas entre as regiões. Em Roma, os gastos ligados à administração pública tinham destaque. Na Península Itálica, a circulação refletia principalmente atividades de mercado. Nas áreas de expansão mais recente, predominavam despesas relacionadas à conquista e à ocupação.
O que os achados permitem concluir
Os registros arqueológicos mostram onde moedas foram produzidas e onde acabaram encontradas. Ao reunir milhões deles, os pesquisadores conseguiram comparar padrões que peças isoladas dificilmente revelariam. A circulação monetária funciona, nesse estudo, como um indicador indireto das ligações entre regiões.
Ela não permite acompanhar cada pagamento ou determinar o trajeto exato percorrido por uma moeda. Os autores também consideraram possíveis distorções ligadas à preservação, perda e descoberta das peças ao optar pela análise dos conjuntos arqueológicos.
O recorte temporal merece atenção: embora trate da economia da República Romana, a base analisada vai até 2 d.C., depois do fim convencional da República, em 27 a.C. Dentro desse período, os resultados associam a integração territorial à combinação de transporte, atividade econômica e instituições locais.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

