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Após 13 anos de pesquisa, CTC inaugura no Brasil fábrica de sementes sintéticas de cana que reduz plantio de 16 toneladas para 400 kg por hectare
Escrito por Ana Alice
Publicado em 11/10/2026 às 20:04
Atualizado em 11/10/2026 às 20:20
Agronegócio
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Unidade inaugurada em Piracicaba recebeu mais de R$ 100 milhões em investimentos e leva ao campo uma tecnologia desenvolvida para reduzir o volume de material usado no plantio da cana-de-açúcar.
Após 13 anos de desenvolvimento, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inaugurou em 16 de abril de 2026, em Piracicaba (SP), sua primeira Unidade de Produção de Sementes Sintéticas de cana-de-açúcar. A tecnologia muda uma etapa histórica do cultivo: no lugar de grandes volumes de colmos usados como mudas, o sistema utiliza sementes sintéticas produzidas em ambiente controlado.
Segundo o CTC, o volume de material necessário para implantar um hectare pode cair de cerca de 16 toneladas de cana para aproximadamente 400 quilos de sementes sintéticas. A redução afeta principalmente a logística do plantio, diminuindo a quantidade de material que precisa ser cortada, transportada e distribuída pelo canavial.
A unidade recebeu mais de R$ 100 milhões em investimentos na construção e nas tecnologias utilizadas, com participação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A instalação ocupa 10 mil metros quadrados e tem capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano, considerando operação em um turno, com possibilidade de expansão.
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Projeto começou em 2013 e reuniu cerca de 150 especialistas
O desenvolvimento das sementes sintéticas começou em 2013 e reuniu aproximadamente 150 profissionais, segundo o CTC. Registros de propriedade intelectual também mostram que um pedido relacionado ao método de produção da tecnologia foi depositado naquele ano pelo próprio centro de pesquisa.
A inauguração representa o resultado de 13 anos de pesquisa, período que levou o projeto da etapa experimental até uma estrutura capaz de produzir o material em escala maior.
O investimento total previsto pelo CTC até o lançamento comercial da tecnologia é de aproximadamente R$ 1 bilhão. A unidade inaugurada em abril representa uma etapa de validação de processos, produção e plantio em escala e não significa que todas as lavouras brasileiras já estejam utilizando o novo sistema.
Dentro da fábrica, o processo combina ambiente laboratorial controlado e automação industrial. O objetivo é transformar material biológico selecionado em sementes com padrão de sanidade e uniformidade que possa ser reproduzido em escala.
Semente sintética muda logística tradicional do plantio da cana
A cana-de-açúcar tradicionalmente é multiplicada de forma vegetativa. Em vez de sementes convencionais, partes dos colmos contendo gemas são distribuídas no solo para originar as novas plantas.
Esse sistema exige grande movimentação de biomassa. Segundo o CTC, são necessárias aproximadamente 16 toneladas de cana por hectare no modelo tradicional considerado pela empresa. Com a tecnologia sintética, a quantidade cai para cerca de 400 quilos por hectare.
Além da redução de peso, o CTC afirma que o sistema pode dispensar viveiros atualmente mantidos para multiplicação das mudas. A companhia estima que essas áreas representem até 5% da área agrícola, equivalente a cerca de 500 mil hectares dentro da referência utilizada pela empresa.
Na prática, a proposta é fazer com que áreas hoje ocupadas com multiplicação de material vegetal possam voltar à produção comercial, ao mesmo tempo em que a logística passa a exigir menos máquinas, viagens e movimentação de cana apenas para implantação das lavouras.
O centro também associa o sistema à redução do consumo de diesel e da compactação do solo, já que uma quantidade menor de material precisa ser transportada. Esses benefícios, porém, correspondem às projeções apresentadas pelo desenvolvedor da tecnologia e dependem da adoção e do desempenho do sistema em escala comercial.
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Sanidade e uniformidade estão entre os objetivos da tecnologia
Outro ponto destacado pelo CTC é a possibilidade de reduzir a disseminação de pragas e doenças associadas ao material usado no plantio. Como as sementes sintéticas são produzidas em processo controlado, a companhia pretende entregar material com maior padronização sanitária.
A uniformidade também é um dos objetivos. Falhas no estabelecimento inicial do canavial podem afetar produtividade e aumentar custos ao longo dos cortes seguintes. Por isso, a qualidade da muda utilizada na implantação tem efeitos que se estendem por diferentes safras.
A tecnologia ainda está conectada aos programas de melhoramento genético e biotecnologia do CTC. A companhia trabalha com quatro frentes integradas — melhoramento genético, biotecnologia, ciência de dados e sementes sintéticas — para acelerar a chegada de novas variedades ao campo.
Essa integração busca reduzir parte do intervalo entre o desenvolvimento genético de uma variedade e sua utilização comercial, já que a multiplicação pelos métodos tradicionais demanda tempo até que exista material suficiente para áreas maiores.
Fábrica integra plano para elevar produtividade até 2040
A unidade de Piracicaba integra uma estratégia do CTC que prevê dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros até 2040 sem ampliar a área cultivada. A meta é da própria companhia e depende de diferentes tecnologias, não apenas das sementes sintéticas.
A estrutura foi desenvolvida ao longo de 15 meses e passou a funcionar como ponte entre a pesquisa de laboratório e a validação no campo. A capacidade inicial de 500 hectares por ano ainda é pequena diante da dimensão da canavicultura brasileira, justamente porque a tecnologia permanece em fase de expansão e avaliação operacional.
O projeto também recebeu apoio da Finep, que participou da inauguração e classifica a instalação como a primeira fábrica de sementes sintéticas de cana-de-açúcar do mundo.
A tecnologia passa agora por etapas de validação e expansão para avaliar seu desempenho em escala maior e a viabilidade de adoção comercial no setor sucroenergético.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

