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Quem vive no litoral norte capixaba ganha térmicas de 690 MW e terminal de GNL da Eneva em Barra do Riacho, com área portuária garantida até 2046
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 04/11/2026 às 13:45
Atualizado em 04/11/2026 às 13:46
Petróleo e Gás
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A Eneva escolheu o Porto de Barra do Riacho, em Aracruz, no litoral norte do Espírito Santo, para instalar um complexo de térmicas a gás de 690 MW abastecido por um terminal de GNL.
A empresa informou nesta terça-feira (3) que assinou com a Vports, autoridade portuária capixaba, os contratos de uso das áreas e instalações onde o projeto será erguido.
Os contratos garantem à Eneva o direito de usar as áreas até 31 de dezembro de 2046, com possibilidade de renovação se as condições previstas forem cumpridas.
O que vai ser construído.
O empreendimento, antes chamado de Hub Sudeste, agora se chama Hub Espírito Santo. Ele terá capacidade termelétrica instalada de 690 MW, segundo a MegaWhat.
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As usinas serão abastecidas por um novo terminal de regaseificação de GNL, também desenvolvido pela Eneva. O gás natural liquefeito vai chegar de navio ao porto e voltar ao estado gasoso para queimar nas turbinas.
A operação comercial está prevista para 1º de agosto de 2031, com compromisso de venda de potência por 15 anos.
De onde vem o contrato.
A Eneva é a maior operadora privada de gás natural do país e tem o BTG Pactual como maior acionista, segundo o O Globo.
O projeto faz parte dos empreendimentos que a Eneva venceu no Leilão de Reserva de Capacidade de março deste ano. Nele, a empresa garantiu contratos para cerca de 5 GW de potência.
A Eneva foi a maior vencedora do leilão, com mais de um quarto da oferta: 5,06 GW, dos quais 3,6 GW em capacidade nova, segundo o blog Capital, do O Globo.
Os três projetos novos da empresa no leilão estão orçados em mais de R$ 18 bilhões. A Eneva não divulgou quanto desse valor fica no Espírito Santo.
Por que o Sudeste virou Espírito Santo.
Desde o leilão, a Eneva já tinha dito que, dos três projetos, dois ficariam em Sergipe e no Ceará. O terceiro iria para um local no Sudeste ainda a definir.
A definição veio agora, com a escolha de Barra do Riacho.
A empresa terá 100% de participação no hub capixaba. Segundo a Eneva, a infraestrutura também poderá servir a novos projetos de geração e ao fornecimento de gás natural a terceiros.
O papel da Vports.
A Vports administra os terminais de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho desde a privatização da antiga Companhia Docas do Espírito Santo, a Codesa, em 2022.
“Este projeto representa um novo patamar na trajetória de avanços da concessão Vports e reforça o enorme potencial do Estado para receber empreendimentos estruturantes”, disse o presidente da Vports, Pedro Benevides, em nota.
Os outros dois hubs.
No Ceará, o Hub Ceará terá 1.659,4 MW em Caucaia: 1.199,4 MW com operação prevista para agosto de 2029 e 460 MW para agosto de 2031, com GNL pelo Porto do Pecém, segundo a Agência iNFRA.
O projeto cearense já foi mostrado pelo CPG, quando a Eneva anunciou quase R$ 6 bilhões no Pecém.
Em Sergipe, o Hub Sergipe, em Barra dos Coqueiros, combina uma usina de ciclo combinado de 1.593 MW com um terminal flutuante de regaseificação capaz de processar até 21 milhões de m³ de gás por dia.
O que diz a Eneva.
“Com os projetos em construção e um portfólio superior a 10 GW de capacidade instalada, seguimos avançando na consolidação de uma plataforma integrada de infraestrutura energética”, disse o diretor Marcelo Lopes.
Os hubs do Ceará e do Espírito Santo ficam em áreas da Sudene e são elegíveis aos benefícios do Reidi, regime especial de incentivos para obras de infraestrutura, segundo a Agência iNFRA.
Um outubro movimentado para a empresa.
O anúncio capixaba vem depois de semanas de reorganização. Em outubro, o Itaú injetou mais R$ 1,77 bilhão numa subsidiária de gás e energia da Eneva.
No mesmo mês, a empresa transferiu a térmica a carvão de Itaqui à Diamante Energia e encerrou sua geração a carvão.
Para que serve uma térmica de reserva.
Usinas contratadas no leilão de reserva de capacidade recebem para ficar disponíveis e gerar quando o sistema elétrico precisa de potência firme.
Por isso o contrato fala em venda de potência por 15 anos, e não em volume de energia entregue.
O que ainda falta.
A Eneva não informou quantos empregos o Hub Espírito Santo vai gerar na obra nem na operação, nem o calendário de licenciamento ambiental do terminal de GNL e das usinas.
Até agosto de 2031, quem vive em Aracruz deve ver o porto de Barra do Riacho virar canteiro de obras de um terminal de GNL e de usinas a gás.
Você acha que o Espírito Santo ganha mais com um hub de gás em Aracruz ou que a energia de reserva deveria vir de outra fonte?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

