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Aos 16 anos, jovem brasileiro com os pais desempregados encontra carteira com R$ 1,6 mil a caminho da escola, devolve cada centavo a um pedreiro aposentado e transforma o gesto de honestidade em bolsas integrais para ele e a irmã estudarem de graça em colégio particular
Escrito por Ana Alice
Publicado em 28/07/2026 às 18:12
Curiosidades
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Uma carteira perdida, uma quantia que faria diferença em duas famílias e uma decisão tomada a caminho da escola transformaram um episódio de 2015 em uma história sobre honestidade, educação e oportunidades inesperadas.
Uma carteira caída ao lado de sacos de lixo guardava dinheiro suficiente para pagar contas, comprar alimentos e garantir os remédios de um casal de idosos.
Quem a encontrou também conhecia de perto as dificuldades financeiras.
Segundo o UOL, a mãe e o padrasto estavam desempregados, havia três filhos em casa e parte do salário que o adolescente recebia em um hospital ajudava nas despesas da família.
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Ainda assim, Lucas Yuri Bezerra, então com 16 anos, não considerou os R$ 1,6 mil uma oportunidade de resolver os próprios problemas.
Para ele, havia uma questão anterior a qualquer necessidade: o dinheiro pertencia a outra pessoa.
Jovem devolveu carteira com R$ 1,6 mil
A decisão tomada por Lucas em Samambaia, no Distrito Federal, foi registrada em agosto de 2015.
Mais de dez anos depois, o caso continua chamando atenção por reunir, em poucas horas, uma carteira sem documentos, uma busca quase sem pistas, a aposentadoria inteira de um pedreiro e uma recompensa que ninguém havia prometido ao adolescente.
Depois de devolver todo o valor, Lucas recebeu bolsas integrais para que ele e a irmã estudassem em um colégio particular de Brasília.
A carteira apareceu no caminho para o Centro de Ensino Fundamental 312 de Samambaia.
Ela estava perto de uma lixeira e não trazia carteira de identidade, CPF ou qualquer outro documento que permitisse localizar rapidamente o dono.
Dentro, além dos R$ 1,6 mil, havia um orçamento de oficina mecânica e um número de telefone anotado.
Esses papéis se tornariam as principais pistas disponíveis.
Dinheiro apareceu durante uma brincadeira
Lucas estava acompanhado de amigos quando percebeu o objeto no chão.
Segundo o relato dado na época, a carteira chegou a ser jogada para o alto durante uma brincadeira.
Foi nesse instante que o dinheiro apareceu.
Um dos jovens correu com as notas e afirmou que ficaria com elas, mas Lucas o convenceu a devolver tudo e levou a carteira para a escola.
O adolescente permaneceu inquieto durante a aula porque não sabia como encontrar o proprietário.
Ao perceber o nervosismo, uma professora recomendou que ele procurasse a coordenação.
Rivânia de Araújo, responsável por ajudar na busca, perguntou mais de uma vez se Lucas realmente queria localizar o dono.
Ele confirmou que sim.
Escola usou orçamento para localizar aposentado
Sem documentos na carteira, a equipe decidiu telefonar para a oficina cujo orçamento estava guardado junto ao dinheiro.
A ligação permitiu seguir o caminho até Benício Eleutério, pedreiro aposentado que tinha 66 anos na época.
A carteira havia caído quando ele saiu de casa para acompanhar a mulher a uma consulta no Hospital Universitário de Brasília.
Antes da viagem, Benício havia sacado o valor integral de seu benefício.
O dinheiro seria usado para pagar as contas da casa, comprar alimentos, abastecer o carro e adquirir medicamentos.
Ele só percebeu o desaparecimento ao chegar ao hospital, a cerca de 25 quilômetros de casa.
Sem saber onde havia perdido a carteira, o aposentado voltou para casa sem o dinheiro e sem uma forma clara de recuperá-lo.
A notícia chegou algumas horas depois.
A coordenação da escola havia localizado Benício, conferido as características do objeto e confirmado a quantia guardada dentro dele.
Quando recebeu novamente a carteira, o aposentado afirmou que aqueles R$ 1,6 mil eram tudo o que possuía naquele momento.
Lucas não esperava receber recompensa
A devolução ainda revelou uma coincidência: Benício descobriu que Lucas era neto de um conhecido.
O vínculo, porém, só foi identificado depois de o jovem decidir procurar o proprietário.
Lucas não sabia para quem estava devolvendo o dinheiro nem imaginava que sua atitude sairia dos limites da escola.
“O dinheiro não era meu. Então não era certo”, declarou na época.
O adolescente acrescentou que não conseguiria gastar a quantia mesmo que o dono nunca fosse encontrado, pois sentiria que havia retirado o dinheiro de alguém.
A situação financeira de sua própria casa tornou a escolha ainda mais significativa para quem acompanhou o episódio.
Lucas trabalhava durante as tardes como auxiliar administrativo de um hospital e recebia aproximadamente meio salário mínimo.
Parte do valor era usada para ajudar a mãe e o padrasto, que estavam desempregados.
Apesar desse contexto, ele afirmou não ter cogitado ficar com as notas.
Professor sugeriu bolsa integral de estudos
A história foi publicada por veículos de alcance nacional e chegou ao professor de artes cênicas Hugo Veiga, do Colégio Madre Carmen Sallés, instituição particular católica de Brasília.
Em vez de oferecer dinheiro como recompensa, o professor apresentou outra ideia à direção: conceder a Lucas uma bolsa integral para cursar todo o Ensino Médio.
As responsáveis pela escola aceitaram a proposta.
Quando a instituição conheceu a situação da família, o benefício foi estendido à irmã do adolescente, que tinha 14 anos.
Assim, os dois passariam a estudar gratuitamente no colégio a partir do ano seguinte.
Até então, Lucas nunca havia estudado em uma instituição particular.
Ele estava no 9º ano e decidiu concluir o período letivo com os colegas da rede pública antes de iniciar a nova rotina.
Na entrevista concedida após receber a bolsa, contou que já organizava uma tabela de horários para se adaptar ao aumento da carga de estudos.
“Sei que a rotina vai ser mais puxada e já estou me preparando para isso”, afirmou.
Assista o vídeo
Sonho era conquistar uma vaga na UnB
Seu plano era tentar uma vaga na Universidade de Brasília por meio do Programa de Avaliação Seriada, o PAS.
O colégio pretendia prepará-lo para as três etapas realizadas durante o Ensino Médio.
O professor Hugo Veiga chegou a declarar que a meta da escola era encaminhar Lucas e a irmã para a UnB em 2019.
Não foram encontrados registros públicos confiáveis que permitam confirmar se os dois concluíram os estudos na instituição, participaram de todas as etapas do PAS ou ingressaram posteriormente na universidade.
Por esse motivo, a trajetória acadêmica posterior não pode ser apresentada como um desfecho confirmado.
Bolsas valiam mais que o dinheiro encontrado
Para a mãe, Cintia Marques da Silva, o valor recebido pelo filho depois da devolução foi muito maior do que os R$ 1,6 mil encontrados.
Na época, ela informou que a mensalidade custava mais de R$ 800 e que Lucas havia conquistado três anos de Ensino Médio sem cobrança.
Segundo Cintia, o adolescente chorou ao saber da bolsa.
A irmã também recebeu gratuidade, embora as reportagens consultadas não detalhem por quantos anos o benefício dela seria mantido.
O caso ocorreu em uma época na qual R$ 1,6 mil representavam cerca de quatro vezes o salário mensal recebido por Lucas no trabalho de auxiliar administrativo.
Para Benício, o valor correspondia a todo o benefício sacado naquele mês.
Para a família do adolescente, três anos de mensalidades escolares acima de R$ 800 formavam uma quantia muito superior ao dinheiro encontrado na calçada.
Essas comparações ajudam a dimensionar a escolha, mas a devolução ocorreu antes de qualquer promessa de bolsa, prêmio ou exposição pública.
Lucas levou a carteira à escola sem saber quem era o dono e sem imaginar que uma instituição particular tomaria conhecimento da história.
A recompensa surgiu depois, por iniciativa de pessoas que não estavam presentes no momento em que ele decidiu não ficar com as notas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

