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Com 1,5 km de comprimento, até 30 metros de altura e 38 milhões de toneladas, El Cogulló virou um colosso branco maior que o próprio morro que lhe deu nome: uma montanha artificial equivalente a mais de 300 estádios do Maracanã cheios de sal e a maior acumulação visível de sal e potassa da Europa
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 28/07/2026 às 18:06
Ciência e Tecnologia
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El Cogulló, em Sallent, concentra milhões de toneladas de resíduos da potassa e segue no centro do debate sobre a salinidade do Rio Llobregat.
Na cidade de Sallent, na Catalunha, uma imensa pilha de resíduos salinos transformou a paisagem industrial da região e virou símbolo de um problema ambiental que atravessa gerações. O depósito de El Cogulló está ligado à mineração de potassa no interior da bacia do Rio Llobregat, uma atividade que moldou a economia local e também deixou um passivo de grande escala.
As fontes usadas aqui permitem confirmar que os sais potássicos foram descobertos na região em 1912, que a exploração começou na década seguinte e que o depósito salino de El Cogulló foi aberto em 1977 para receber o excesso de sal gerado pela extração. Também permitem confirmar que os descartes no local foram encerrados em 30 de junho de 2019, mas não que o impacto ambiental tenha desaparecido.
Mineração de potassa em Sallent gerou fertilizante e também milhões de toneladas de resíduos salinos
A potassa é uma matéria-prima estratégica para a agricultura, e a bacia potássica catalã ganhou relevância industrial ao longo do século XX justamente por abastecer essa cadeia. No caso de Sallent, a mineração subterrânea separa a fração útil da potassa e deixa para trás grandes volumes de sal residual.
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Estudo publicado no Journal of Limnology descreve que até 50 milhões de toneladas de rejeitos salinos já foram dispostas na área analisada da bacia do Llobregat, sendo esses resíduos compostos majoritariamente por cloreto de sódio. Isso ajuda a explicar por que a montanha branca de El Cogulló se tornou uma das imagens mais marcantes da mineração catalã.
A escala do rejeito mostra como a produção mineral usada na agricultura moderna pode gerar um volume de passivos que continua pressionando solo, drenagem e cursos d’água mesmo depois de décadas de operação.
Pilha de resíduos El Cogulló mudou a paisagem industrial de Sallent
Segundo a ICL, o depósito de El Cogulló foi aberto em 1977 para armazenar o excesso de sal oriundo da extração de potassa na mina de Vilafruns. A empresa informa que o local deixou de receber novos descartes em 30 de junho de 2019 e entrou em uma fase de restauração.
Mesmo sem novos despejos, a pilha continua sendo uma presença dominante na paisagem de Sallent. O que se vê hoje não é um acidente natural, mas o resultado acumulado de décadas de deposição de resíduos minerais ao lado das estruturas de mineração e beneficiamento.
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A própria empresa descreve a recuperação como um processo de longo prazo, baseado na retirada gradual do sal, no tratamento do material e no encaminhamento de parte dele por um novo coletor. Isso mostra que o tamanho do passivo exige uma resposta que vai muito além de uma solução rápida ou pontual.
Salinização do Rio Llobregat mantém El Cogulló no centro do debate ambiental
O principal problema ambiental associado a El Cogulló não é apenas a existência física da pilha, mas a forma como o sal entra em contato com a água. Quando a chuva incide sobre os resíduos, parte desse material se dissolve, formando fluxos salinos que podem alcançar drenagens locais e afetar a bacia do Llobregat.
O estudo de caso publicado no Journal of Limnology trata justamente dos impactos da mineração de potassa sobre os cursos d’água da bacia do Llobregat e relaciona o acúmulo de rejeitos ao aumento da salinidade e à piora do estado ecológico de trechos fluviais. A questão deixou de ser apenas um problema local de mina e passou a ser um tema persistente de qualidade da água.
A Agència Catalana de l’Aigua afirma, em documento de 2026, que as medidas implantadas ao longo dos anos melhoraram a qualidade das massas d’água afetadas nos eixos principais da bacia. Ainda assim, o órgão ressalta que, em anos mais secos, a falta de diluição continua provocando impacto relevante nas concentrações medidas no meio.
Rio Llobregat, coletor de salmoura e restauração mostram que o problema segue aberto
A mesma documentação da agência catalã destaca que, em alguns períodos, já foram alcançados objetivos de qualidade para a massa d’água do Llobregat com salinidade inferior a 250 mg/L de cloretos. Mas o texto também deixa claro que esse avanço não eliminou o risco, sobretudo quando a bacia enfrenta estiagem e menor capacidade de diluição.
Por isso, a ACA mantém como relevantes as medidas ligadas à interceptação de surgências salinas e à ampliação da capacidade hidráulica do coletor de salmouras. O documento informa ainda que um novo coletor está em execução e que essa infraestrutura continua sendo tratada como peça importante para reduzir o efeito da contaminação salina.
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O fim dos descartes em 2019 foi um marco importante, mas não encerrou o passivo histórico criado ao redor de El Cogulló. O que existe hoje é um processo prolongado de contenção, monitoramento e restauração de um problema acumulado por décadas.
El Cogulló expõe o custo oculto da potassa sobre água e território
O caso de Sallent resume com clareza uma contradição frequente da mineração industrial. A mesma cadeia que fornece insumos essenciais para a produção agrícola também pode deixar rejeitos duradouros, caros de controlar e ambientalmente difíceis de neutralizar. Isso fica evidente quando um depósito salino passa a influenciar a gestão da água em toda uma bacia.
El Cogulló não é apenas uma montanha branca ao lado de uma mina. É a expressão material de um ciclo produtivo que transformou relevo, drenagem e debate público na Catalunha, mantendo o Rio Llobregat como um dos pontos centrais dessa disputa entre atividade econômica, restauração ambiental e segurança hídrica.
Por isso, a pauta funciona melhor quando sai do exotismo visual e entra no terreno real dos fatos. A história mais forte não é a da curiosidade geológica, mas a de um passivo salino de grande escala que ainda exige resposta técnica, vigilância pública e soluções de longo prazo.
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montanha artificialmontanha artificial no deserto
Fontes
Journal of Limnology
Agència Catalana de l’Aig
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

