Especialista em cibersegurança voltou ao campo no sertão do RN, apostou em pitaya para pagar os custos do sítio, viu a primeira variedade não se adaptar, encontrou uma pitaya roxa que prosperou com água salina e colheu 15 toneladas em 2024 antes de comprar outra propriedade
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/07/2026 às 19:01
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Mudança de carreira, adaptação agrícola e uma colheita de 15 toneladas transformaram uma experiência no sertão potiguar em exemplo de diversificação produtiva, depois que a pitaya roxa respondeu à irrigação com água salina e abriu caminho para a expansão da propriedade.
Uma tentativa de equilibrar as despesas de uma propriedade rural levou o especialista em cibersegurança Jafet Araújo a investir em uma cultura ainda pouco comum no sertão do Rio Grande do Norte, onde buscava uma atividade capaz de sustentar financeiramente o sítio.
Embora tivesse carreira consolidada na área de segurança digital, ele decidiu retornar ao ambiente rural e procurar uma produção de maior valor agregado, capaz de combinar viabilidade econômica, diferenciação comercial e adaptação às condições da Serra de Santana, em Cerro Corá.
Pitaya surge como alternativa no sertão potiguar
Em vez de escolher uma cultura já estabelecida na região, o produtor apostou na pitaya, fruta conhecida pela aparência marcante e pela possibilidade de alcançar preços superiores aos de produtos tradicionais, mas a primeira variedade plantada não respondeu bem às condições locais.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Diante desse resultado, Jafet reviu o planejamento, comparou materiais disponíveis e passou a cultivar a variedade conhecida como pitaya roxa do Pará, que apresentou melhor adaptação ao terreno irrigado com água salina e permitiu a continuidade do projeto.
Segundo a Agência Sebrae de Notícias do Rio Grande do Norte, o desempenho da nova variedade mostrou que a escolha adequada do material plantado era decisiva para a lavoura, sobretudo em uma propriedade exposta às limitações hídricas comuns no interior potiguar.
Ainda de acordo com a publicação, o manejo adotado foi descrito como orgânico, com uso de adubação natural e sem aplicação de defensivos, estratégia que acompanhou o crescimento de uma produção inicialmente pensada apenas para reduzir os custos do sítio.
Colheita de 15 toneladas muda a escala do projeto
A experiência ganhou outra dimensão quando a safra registrada em 2024 alcançou 15 toneladas de pitaya, volume que indicou a passagem de um teste restrito para uma atividade comercial capaz de justificar novos investimentos dentro da mesma região serrana.
Animado pelos resultados das vendas, o produtor adquiriu outra propriedade na Serra de Santana e passou a planejar novos plantios, mantendo o cuidado de avaliar diferentes materiais antes de ampliar uma cultura cuja primeira tentativa havia fracassado.
Na nova área, Jafet mencionou a intenção de testar cerca de dez variedades, embora a definição dependesse das pesquisas realizadas para identificar quais opções poderiam responder melhor ao solo, à água disponível e às demais características concretas da propriedade.
Essa cautela evita tratar o sucesso de uma variedade como garantia para todas as outras, já que aparência, produtividade, resistência e qualidade dos frutos podem mudar significativamente conforme o material escolhido e as condições de manejo adotadas em cada plantio.
Distribuição de mudas amplia o interesse regional
Durante os períodos de poda, o especialista também passou a distribuir mudas, permitindo que outros agricultores conhecessem a cultura e observassem seu comportamento em diferentes pontos da região, sem transformar a experiência de Cerro Corá em uma receita universal.
A ampliação do interesse, porém, exige mais do que acesso às plantas, porque cada novo cultivo precisa reunir irrigação, acompanhamento, colheita, transporte e canais de venda capazes de preservar a qualidade da fruta até sua chegada ao consumidor.
A trajetória aproxima dois campos profissionais raramente associados, pois a cibersegurança depende da proteção de sistemas e informações, enquanto a agricultura exige observação constante das plantas, leitura das condições do terreno e decisões práticas tomadas ao longo de cada ciclo.
Ao trocar parte da rotina digital pelo acompanhamento da lavoura, Jafet não escolheu qualquer produto, mas uma fruta capaz de ocupar um espaço específico no mercado e contribuir para o equilíbrio financeiro de uma propriedade localizada no sertão potiguar.
Agricultura de valor agregado exige adaptação
O cultivo em Cerro Corá integra um movimento de diversificação observado em áreas serranas do Rio Grande do Norte, onde agricultores testam produtos normalmente associados, no imaginário dos consumidores, a outras regiões brasileiras e a condições climáticas diferentes.
Mesmo assim, a experiência não indica que qualquer cultura possa ser levada ao semiárido sem planejamento, pois o próprio fracasso da primeira variedade demonstrou como solo, água, material plantado e manejo interferem diretamente nos resultados obtidos.
O gestor do programa Agro+RN, Elton Alves, afirmou à Agência Sebrae que não existe uma fórmula única para o sucesso no campo, já que propriedades, solos e perfis de produtores distintos exigem soluções ajustadas a cada realidade.
Além da produção, a chegada da fruta ao mercado depende de regularidade no fornecimento, organização logística, qualidade e atendimento às exigências legais, fatores necessários para aproximar pequenos produtores de restaurantes, bares e outros compradores do setor de alimentação.
Logística e mercado completam o desafio da produção
Para a pitaya cultivada no sertão potiguar, essa conexão comercial pesa tanto quanto a escolha da variedade, porque uma safra volumosa precisa ser colhida, transportada e vendida sem perda das características que sustentam seu valor diante dos consumidores.
No sítio de Jafet, a necessidade de pagar os custos da propriedade deu origem a um projeto que superou a inadaptação inicial, alcançou uma colheita medida em toneladas e levou à compra de uma segunda área rural.
Quantas outras culturas de alto valor poderiam encontrar condições favoráveis no semiárido brasileiro depois de testes cuidadosos de variedades, solo, água e manejo, realizados com planejamento e observação das características específicas de cada propriedade rural?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

