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Estudante de Paraisópolis juntou garrafas PET, tubos de silicone, uma bomba submersa e uma fonte velha de notebook para criar uma névoa contra o calor, e o protótipo chegou à maior feira de ciências do Brasil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/07/2026 às 19:02
Curiosidades
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Garrafas PET, tubos de silicone e uma fonte reaproveitada deram origem a um sistema de névoa d’água criado por um estudante de Paraisópolis para enfrentar o calor urbano. Projeto chegou à FEBRACE e mostrou como materiais simples podem virar tecnologia aplicada à comunidade.
Garrafas PET, tubos de silicone, uma bomba submersa e uma fonte reaproveitada de notebook formaram a base de um sistema de névoa d’água criado por um estudante de Paraisópolis, em São Paulo, para amenizar o calor em áreas urbanas adensadas.
Chamado Sistema Termoneblina, o projeto foi desenvolvido por Carlos Eduardo Silva Cardoso, da Escola Alef Peretz, Unidade Paraisópolis, e chegou à FEBRACE, feira brasileira de ciências e engenharia vinculada à Universidade de São Paulo.
A proposta ganhou força por transformar materiais simples em um protótipo voltado a um problema vivido diariamente por moradores de regiões densamente construídas, onde o calor se concentra por causa da pouca vegetação e da circulação limitada de ar.
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No lugar de equipamentos caros, o estudante aproveitou componentes acessíveis para montar uma estrutura capaz de liberar uma névoa fina de água por microaspersores, criando uma resposta prática para um incômodo presente na rotina da comunidade.
Sistema Termoneblina usa materiais reaproveitados contra o calor em Paraisópolis
Segundo a FEBRACE, o protótipo foi montado com garrafas PET, tubos de silicone, uma bomba submersa e uma fonte de 12 volts reaproveitada de um notebook, combinação que sustenta a proposta de baixo custo.
Nos testes laboratoriais descritos pela feira, o Sistema Termoneblina reduziu a temperatura em até 2 °C, resultado apresentado como demonstração de eficiência térmica e de potencial de aplicação comunitária.
Embora se aproxime de sistemas de resfriamento evaporativo já usados em diferentes contextos, a ideia se diferencia pela adaptação a um cenário de reaproveitamento de materiais e simplicidade de montagem.
Dentro do protótipo, a água é impulsionada pela bomba submersa, passa pelos tubos de silicone e sai pelos microaspersores em forma de névoa, produzindo uma redução localizada de temperatura ao redor do ponto de instalação.
O foco da pesquisa foi além do funcionamento físico do sistema, já que o estudo combinou observação de campo, coleta de dados com 200 moradores e testes experimentais em laboratório, de acordo com a FEBRACE.
Essa etapa aproximou a solução técnica da percepção de quem convive com o calor em Paraisópolis, uma das comunidades mais conhecidas da capital paulista e território central para a pesquisa desenvolvida pelo estudante.
Projeto de estudante une ciência escolar e problema urbano real
A escolha de Paraisópolis como território de estudo deu ao projeto uma dimensão social direta, porque o calor urbano afeta com mais intensidade espaços marcados por alta densidade, pouca sombra e grande presença de superfícies impermeáveis.
Em áreas desse tipo, o excesso de concreto, a concentração de moradias e a presença limitada de áreas verdes favorecem temperaturas mais altas em pontos específicos da cidade, especialmente nos períodos de maior incidência solar.
A pesquisa trabalhou justamente com esse problema, buscando uma alternativa pensada a partir da realidade local e sem depender de infraestrutura complexa para gerar uma resposta térmica pontual.
O nome Termoneblina resume a proposta do estudante ao unir a ideia de temperatura e névoa d’água, recurso usado no protótipo para amenizar o calor em ambientes comunitários.
Sem substituir políticas públicas de arborização, saneamento, moradia, ventilação urbana ou planejamento climático, a solução aparece como um experimento de baixo custo para reduzir a temperatura em pontos de maior acúmulo de calor.
Também chama atenção o uso de materiais recicláveis, já que as garrafas PET, normalmente associadas ao descarte, foram incorporadas à estrutura do sistema em vez de permanecerem como resíduo.
Ao lado da fonte de notebook reaproveitada, os demais componentes ajudaram a construir uma tecnologia simples, baseada em itens mais acessíveis do que equipamentos comerciais de climatização.
Garrafas PET e fonte de notebook viram tecnologia de baixo custo
Outro ponto relevante está na relação entre ciência escolar e problema urbano concreto, pois Carlos Eduardo partiu de uma condição observável no próprio território para criar um protótipo direcionado a uma demanda cotidiana.
Esse vínculo entre escola, comunidade e tecnologia dá força ao caso para além do ambiente acadêmico, principalmente porque a solução dialoga com uma necessidade percebida pelos moradores no dia a dia.
Na apresentação do projeto, a FEBRACE descreve a pesquisa como qualitativa e aplicada, classificação que indica uma investigação voltada tanto à compreensão do território quanto ao teste de uma resposta possível.
Por esse caminho, o trabalho não se limitou a medir temperatura em laboratório, mas também buscou observar a realidade dos moradores e relacionar os resultados técnicos ao contexto de Paraisópolis.
A coleta com 200 pessoas acrescentou uma camada comunitária ao estudo, aproximando o protótipo da experiência de quem enfrenta calor em ruas estreitas, moradias densas ou espaços com pouca circulação de ar.
Obtido em testes laboratoriais, o resultado de até 2 °C de redução térmica aparece como um dos principais dados técnicos do projeto apresentado pela feira.
Embora pareça pequeno à primeira vista, esse tipo de variação pode ser relevante em ambientes muito quentes, principalmente quando a diferença é percebida em locais de circulação, permanência ou convivência.
Ainda assim, o dado técnico permanece vinculado ao cenário experimental apresentado pelo projeto, sem transformar o Sistema Termoneblina em produto comercial ou solução definitiva para ilhas de calor.
FEBRACE destaca protótipo criado por jovem de Paraisópolis
A presença do Sistema Termoneblina na FEBRACE ampliou a visibilidade de uma trajetória comum a muitos jovens cientistas brasileiros, marcada pela criação de soluções a partir de problemas próximos, recursos limitados e orientação escolar.
Projetos desse tipo costumam chamar atenção porque mostram que a inovação não nasce apenas em laboratórios sofisticados, mas também em escolas e comunidades onde os desafios aparecem de forma urgente.
O caso de Paraisópolis se conecta a uma preocupação cada vez mais presente nas grandes cidades brasileiras, onde ondas de calor, bairros pouco arborizados e diferenças térmicas têm provocado debates sobre saúde, infraestrutura e qualidade de vida.
Nesse cenário, um protótipo feito com PET, silicone, bomba submersa e fonte reaproveitada ganha força por propor uma resposta visual, simples e compreensível para um problema sentido por milhões de pessoas.
A ciência feita por estudantes também aparece como ponte entre conhecimento escolar e demandas reais, especialmente quando um projeto nasce da observação de problemas cotidianos e avança para testes, coleta de dados e apresentação pública.
Calor em excesso não é um problema abstrato para quem vive em casas pequenas, ruas estreitas ou áreas com pouca sombra, pois afeta o conforto, a permanência nos espaços e a rotina da população.
Quando um projeto escolar transforma essa experiência em pesquisa aplicada, a tecnologia deixa de ser apenas um exercício de sala de aula e passa a dialogar com necessidades concretas da comunidade.
O Sistema Termoneblina não é apresentado como produto comercial nem como solução definitiva para ilhas de calor, mas como um protótipo experimental feito com materiais reaproveitados, testado em laboratório e associado a uma pesquisa de campo.
Essa combinação entre simplicidade, impacto social e comprovação técnica torna a história forte do ponto de vista jornalístico, principalmente por aproximar reciclagem, educação científica e adaptação climática.
Em uma comunidade marcada por desafios urbanos complexos, Carlos Eduardo Silva Cardoso usou peças comuns para criar uma névoa contra o calor e levar essa ideia a uma das principais vitrines da ciência jovem no país.
Se garrafas PET, tubos simples e uma fonte reaproveitada conseguiram virar um protótipo contra o calor, quantas outras soluções podem estar escondidas dentro das escolas brasileiras?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

