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Greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade começa em São Paulo, afeta três eixos da CPTM e coloca 2.300 empregos no centro da disputa
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 04/08/2026 às 15:40
Transporte Ferroviário
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Greve começou à 0h desta terça-feira, 4, após impasse entre trabalhadores e governo de São Paulo sobre empregos e concessão das três linhas.
Os ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir da 0h desta terça-feira, 4. A decisão foi tomada após uma assembleia realizada na noite de segunda-feira, 3, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, no Brás, região central da capital paulista.
A paralisação ocorre em meio à disputa sobre o futuro dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM, após a concessão das três linhas à iniciativa privada. A principal preocupação da categoria está relacionada à manutenção dos empregos quando os ramais voltarem a ser administrados pela concessionária TriviaTrens.
Segundo Luiz Barbosa Neto Junior, uma das lideranças sindicais, cerca de 2.300 funcionários da CPTM podem perder seus postos caso não sejam absorvidos posteriormente. O sindicalista afirma que o governo ainda não apresentou uma garantia definitiva de continuidade dos empregos após o período atual de operação temporária pela CPTM.
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Greve foi confirmada após reunião entre ferroviários e governo de São Paulo
Antes da assembleia que confirmou a paralisação, representantes da categoria participaram de uma reunião com integrantes do governo paulista no Palácio dos Bandeirantes. A tentativa de negociação ocorreu nesta segunda-feira, 3, mas não foi suficiente para convencer os trabalhadores a cancelar a greve.
CPTM e governo de São Paulo afirmaram, em nota, lamentar a decisão do sindicato. Segundo o comunicado, o Estado reiterou durante a reunião o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei relacionados aos interesses da categoria.
Entre os pontos discutidos está a possibilidade de absorção dos funcionários por outros órgãos públicos estaduais. Mesmo assim, os ferroviários decidiram manter a paralisação, alegando que ainda não receberam uma garantia efetiva de permanência nos empregos.
TRT determina 80% do efetivo nos horários de pico e estabelece multa diária
A CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho após a confirmação da greve. O tribunal determinou que 80% do efetivo permaneça trabalhando durante os horários de pico e que 60% dos funcionários sejam mantidos nos demais períodos do dia.
O TRT também estabeleceu multa diária de R$ 400 mil ao sindicato em caso de descumprimento da decisão. A determinação busca manter parte da operação das linhas enquanto a paralisação estiver em andamento.
A Prefeitura de São Paulo também adotou uma medida relacionada à greve. O rodízio municipal de veículos foi suspenso nesta terça-feira, 4, diante da possibilidade de impactos no deslocamento dos passageiros da capital.
Garantia de emprego dos ferroviários é principal reivindicação da categoria
Os trabalhadores afirmam que a principal reivindicação é a manutenção dos empregos nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A categoria também defende a reestatização dos três ramais, que foram concedidos à iniciativa privada.
Luiz Barbosa Neto Junior afirmou que o ponto central da mobilização é justamente assegurar que os funcionários continuem trabalhando após a transferência definitiva dos serviços. Segundo ele, o governo não garantiu a reabsorção dos empregados ao término do período temporário de operação pela CPTM.
O temor envolve aproximadamente 2.300 trabalhadores. Caso não sejam incorporados por outros órgãos ou entidades públicas, esses funcionários poderão ficar sem seus atuais postos quando a TriviaTrens voltar a assumir as linhas.
Projeto de Lei 730/2025 prevê absorção de trabalhadores da CPTM
A categoria também defende o Projeto de Lei 730/2025, apresentado pelo deputado federal Guilherme Cortez. A proposta autoriza a absorção dos trabalhadores das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta do Estado.
O projeto busca criar uma alternativa para os funcionários após os serviços ferroviários passarem à iniciativa privada. O tema ganhou ainda mais importância entre os trabalhadores diante da indefinição sobre o que ocorrerá depois dos 90 dias de operação temporária da CPTM.
Segundo Junior, o governo sinalizou que poderia apoiar o projeto que já está em tramitação. O sindicalista, no entanto, afirmou que esse apoio não representa uma garantia de que os atuais funcionários permanecerão empregados.
CPTM reassumiu as três linhas após falhas registradas em julho
As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade voltaram a ser operadas pela CPTM no último dia 24 de julho. A decisão partiu do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo, a Artesp, após problemas registrados na operação.
A companhia ficará responsável pelos serviços durante 90 dias. A medida foi tomada na mesma semana em que a TriviaTrens havia assumido os ramais e enfrentou falhas nas operações.
Uma das ocorrências aconteceu em 23 de julho, quando um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca. O episódio causou transtornos aos passageiros e afetou o transporte público da capital paulista.
Período de 90 dias aumenta preocupação sobre futuro dos trabalhadores
O retorno temporário das linhas para a CPTM não encerrou a preocupação dos funcionários. O principal ponto de incerteza está no que ocorrerá após o término dos 90 dias estabelecidos pelo governo paulista.
Luiz Barbosa Neto Junior afirma que os trabalhadores ainda não receberam confirmação de que serão absorvidos quando a operação retornar à TriviaTrens. A falta dessa garantia tornou-se um dos principais motivos para a manutenção da greve.
A discussão sobre o Projeto de Lei 730/2025 também faz parte desse cenário. Embora o governo tenha mencionado apoio à análise da proposta, a categoria considera que ainda não existe uma solução definitiva para os empregados.
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A Linha 11-Coral liga Palmeiras-Barra Funda à Estação Estudantes, em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo. O ramal conecta diferentes regiões da capital e municípios da Grande São Paulo.
A Linha 12-Safira conecta o Brás à zona leste paulistana e atende cidades como Itaquaquecetuba e Poá. Já a Linha 13-Jade é uma das principais ligações ferroviárias entre São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A greve, portanto, envolve três linhas importantes do sistema ferroviário metropolitano e ocorre em meio à discussão sobre concessão, operação e manutenção dos empregos. O futuro dos cerca de 2.300 trabalhadores permanece como o principal ponto de impasse entre categoria e governo paulista.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

