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Cliente compra batatas, esquece bilhete de US$ 3 milhões na máquina, atendente tenta receber o prêmio, discute com namorado sobre a divisão dos valores e câmera revela o esquema
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 02/09/2026 às 19:28
Atualizado em 02/09/2026 às 19:29
Curiosidades
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Uma compra de apenas US$ 12 em uma loja de Lakeville terminou em investigação criminal após o bilhete premiado ficar na bandeja do terminal, passar por outras mãos e chegar rasgado à sede da loteria.
Uma compra de US$ 12, equivalente a cerca de R$ 61,44, terminou com o cliente levando para casa apenas um pacote de batatas chips. Os bilhetes de loteria permaneceram esquecidos na bandeja da máquina, incluindo um comprovante que valeria US$ 3 milhões.
O episódio aconteceu em 17 de janeiro de 2023, na antiga Savas Liquors, localizada no número 330 da Bedford Street, em Lakeville, Massachusetts. O Plymouth County District Attorney’s Office, órgão responsável pela acusação criminal no condado, publicou a reconstrução do caso.
A história ganhou contornos criminais dois dias depois, quando a atendente Carly Nunes tentou receber o prêmio. O estado do bilhete e uma discussão sobre US$ 200 mil levaram funcionários da loteria a suspender o pagamento e procurar o verdadeiro comprador.
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Paulo Nogueira
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A compra de US$ 12 que escondia US$ 3 milhões
O cliente, posteriormente identificado como Paul Little, entrou na loja e comprou um pacote de batatas chips sabor churrasco, duas apostas automáticas da Mega Millions e duas da Mass Cash. Ele também acrescentou um multiplicador ao bilhete da Mega Millions.
Carly Nunes, que trabalhava no caixa, registrou o pedido no terminal da loteria e imprimiu os comprovantes. A compra inteira custou US$ 12, mas Little saiu do estabelecimento levando apenas as batatas.
Na noite daquele mesmo dia, os números do bilhete esquecido foram sorteados. O prêmio chegou a US$ 3 milhões, aproximadamente R$ 15.360.000, usando a cotação de R$ 5,12 por dólar em 2 de setembro de 2026.
O bilhete deixado na bandeja do terminal
Cerca de 45 minutos após a saída de Paul Little, outra cliente entrou na loja para comprar cinco apostas. Ao utilizar o terminal, ela percebeu que havia dois bilhetes extras na bandeja e os entregou a Carly Nunes.
A própria atendente reconheceu naquele momento que os papéis provavelmente pertenciam ao cliente anterior. Mesmo assim, o bilhete premiado não foi devolvido ao comprador nem encaminhado imediatamente à loteria.
Os registros do terminal permitiram verificar quando as apostas foram impressas e relacionar os comprovantes à transação de US$ 12. As câmeras da loja completaram essa linha do tempo ao mostrar Little fazendo a compra e saindo sem recolher os bilhetes.
Bilhete rasgado e discussão por US$ 200 mil despertam suspeita
Em 19 de janeiro de 2023, dois dias após a compra, Joseph Reddem, colega de trabalho de Nunes, levou a atendente e o namorado dela até a sede da Loteria Estadual de Massachusetts, em Dorchester.
O bilhete apresentado estava rasgado e aparentemente queimado. Mesmo danificado, o comprovante foi digitalizado por uma funcionária, que identificou o prêmio de US$ 3 milhões. Nunes e o namorado comemoraram quando ouviram o valor.
Pouco depois, as câmeras da sede registraram Nunes e Reddem discutindo no saguão. Ele exigia uma parcela do prêmio, enquanto ela afirmava que pagaria “apenas” US$ 200 mil, cerca de R$ 1.024.000 pela mesma cotação usada nas demais conversões.
O Plymouth County District Attorney’s Office, órgão responsável pela acusação criminal no condado, registrou que a discussão e o estado físico do bilhete levantaram dúvidas. O pagamento foi suspenso, Nunes foi entrevistada e a polícia estadual acabou acionada.
Como as câmeras encontraram o verdadeiro comprador
Nunes declarou inicialmente que havia comprado o bilhete no fim de seu turno. Ela afirmou que rasgara o papel por engano ao retirá-lo da carteira e que as marcas de queimadura surgiram depois de um contato acidental com um cano.
A investigação confrontou essa versão com registros comerciais, imagens das câmeras e entrevistas com testemunhas. O vídeo da Savas Liquors mostrou que o comprador verdadeiro era um homem que havia entrado na loja antes da cliente que encontrou os bilhetes.
Em uma nova entrevista, Nunes deixou de afirmar que havia comprado a aposta e declarou que obtivera o comprovante de forma acidental. Os investigadores, porém, ainda precisavam descobrir quem era o homem registrado pelas câmeras.
Capturas das gravações foram colocadas em cartazes, estabelecimentos da região foram visitados e clientes passaram a ser questionados. Em 13 de fevereiro de 2023, quase um mês depois da compra, os investigadores localizaram e entrevistaram Paul Little.
A Loteria Estadual de Massachusetts reconheceu Little como verdadeiro proprietário do bilhete e honrou sua reivindicação ao prêmio. Dessa forma, a tentativa apresentada por Nunes não impediu o comprador original de receber o valor correspondente à aposta.
Declaração de culpa encerrou o processo contra a antiga atendente
É importante separar as etapas judiciais. A acusação surgiu durante a investigação, enquanto o indiciamento formal ocorreu em maio de 2023, quando um grande júri autorizou o avanço das imputações criminais.
Naquele momento, Nunes foi formalmente acusada de furto dentro de estabelecimento, tentativa de furto, apresentação de reivindicação falsa e intimidação de testemunha. Joseph Reddem foi indiciado por tentativa de extorsão, mas esse ato não representava uma condenação.
O desfecho de Nunes veio em 9 de fevereiro de 2024. Ela declarou culpa por uma acusação de apresentação de reivindicação falsa, o que significa que admitiu ter tentado obter o pagamento usando uma alegação que não correspondia à realidade.
O juiz William Sullivan aplicou dois anos de liberdade condicional, além de determinar exames e acompanhamento relacionados ao uso de drogas. A sentença não repetiu automaticamente todos os delitos mencionados no indiciamento, pois a declaração de culpa envolveu uma acusação específica.
O caso mostrou como os mecanismos de segurança de uma loteria podem reconstruir o caminho de um bilhete mesmo quando o comprovante passa por diferentes pessoas. Terminal, caixa, câmeras da loja e monitoramento da sede formaram uma sequência capaz de ligar a aposta ao comprador verdadeiro.
Uma compra de R$ 61,44 quase terminou na perda de um prêmio estimado em R$ 15,36 milhões, mas a análise documental interrompeu a tentativa de recebimento.
Você acredita que as lojas deveriam adotar um procedimento obrigatório para guardar e identificar bilhetes esquecidos? Deixe sua opinião e compartilhe esta história.
Fonte
Plymouth County District
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

