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Mergulhadores seguiram rastro de 200 metros com canhões no fundo do mar até encontrar naufrágio misterioso em Yucatán
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 02/09/2026 às 19:26
Atualizado em 02/09/2026 às 19:54
Ciência e Tecnologia
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Arqueólogos reconstruíram os últimos movimentos do Ánimas de la Victoria, encontrado em Yucatán, e apontam que sua posição fora das rotas espanholas reforça a hipótese de que a embarcação atuava no contrabando caribenho século XVIII
O naufrágio Ánimas de la Victoria, localizado na costa caribenha de Yucatán, reúne 19 canhões e quatro âncoras espalhados pelo fundo do mar. Um estudo reconstruiu a trajetória final da embarcação e aponta que o navio, afundado há mais de 250 anos, provavelmente estava envolvido em contrabando.
Naufrágio Ánimas de la Victoria forma rastro de destroços de cerca de 200 metros
O sítio arqueológico está na Baía Espíritu Santo, dentro da Reserva da Biosfera de Sian Ka’an, em Quintana Roo, aproximadamente 4,25 quilômetros distante da costa do acampamento de pescadores de La Victoria.
Trata-se de uma região isolada e sem estradas. Segundo o estudo publicado no Journal of Maritime Archaeology, o Ánimas de la Victoria é o único naufrágio documentado do século XVIII encontrado até agora nessa baía.
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Os vestígios não estão concentrados em apenas um ponto. Eles formam um rastro com aproximadamente 200 metros de extensão, no sentido leste-oeste, seguindo em direção às ondas que quebram sobre o recife.
A profundidade também varia bastante. Algumas peças estão a cerca de 7 metros, enquanto outras aparecem em águas com apenas 1,5 metro.
Para a pesquisadora principal Helena Barba-Meinicke, a distribuição dos objetos pode registrar diferentes momentos das tentativas da tripulação de evitar o desastre.
As quatro âncoras são fundamentais nessa reconstrução. A menor delas, chamada âncora 1, possui braços retos em formato de “V” e características relacionadas a projetos britânicos e franceses.
Os pesquisadores consideram que ela poderia funcionar como uma pequena âncora de deriva utilizada durante manobras dentro de uma baía.
A âncora 2, encontrada abaixo da primeira, apresenta braços curvos associados ao início da Idade Moderna e provavelmente era empregada em águas mais calmas.
Âncora de 4,70 metros ajuda a estimar tamanho da embarcação
A âncora 3 chama atenção pelas dimensões. Sua haste mede 4,70 metros e apresenta proporções consideradas mais comuns nos séculos XVI e XVII.
Essa característica indica que a peça poderia ter sido produzida décadas antes do próprio naufrágio e continuado em uso posteriormente.
A partir de tabelas navais britânicas da época, os pesquisadores calcularam para essa âncora um peso aproximado de 1.650 quilos.
Esse dado permitiu estimar que a embarcação teria entre 650 e 700 toneladas de arqueação bruta.
Segundo o estudo, essas proporções são compatíveis com uma embarcação de maior porte, possivelmente construída como fragata mercante ou, com maior probabilidade, como navio mercante armado.
A quarta âncora, encontrada mais a oeste, apresenta uma haste claramente torta. A deformação é compatível com uma situação em que a peça teria ficado presa enquanto era içada.
19 canhões estavam cobertos por uma densa camada de corais
Outro conjunto importante do naufrágio Ánimas de la Victoria é formado por 19 canhões de ferro fundido.
Grande parte estava escondida sob uma camada densa de corais, dificultando a identificação das peças.
Durante a limpeza manual realizada com martelo, cinzel e escova de arame, os pesquisadores encontraram uma letra “C” em relevo nos munhões dos canhões identificados como C8 e C10.
A marca pode estar relacionada à fundição Le Creusot, localizada na Borgonha, França, ou à fundição Conster, em Sussex, Inglaterra.
A Conster produziu canhões entre 1700 e 1760 e também é conhecida por ter fornecido armamento utilizado em embarcações britânicas.
Um canhão separado de quatro libras, que teria sido retirado anteriormente do naufrágio por pescadores locais e hoje está em propriedade privada, também foi examinado.
Segundo a pesquisa, suas características parecem corresponder a padrões britânicos de fundição de meados do século XVIII.
Localização fora das rotas espanholas reforça hipótese de contrabando
A posição da embarcação é uma das principais pistas utilizadas pelos pesquisadores para explicar por que ela estava navegando naquela região.
Navios espanhóis normalmente não utilizavam aquele trecho repleto de recifes, que ficava distante das rotas regulares da Coroa pelo Canal de Yucatán.
A costa leste de Yucatán também tinha presença espanhola limitada. Não havia grandes portos ou assentamentos, e Bacalar funcionava como o principal posto avançado espanhol nas proximidades.
Documentos de navegação mencionados pelos pesquisadores ajudam a demonstrar esse isolamento.
Mesmo em 1810, o Guia Prático das Ilhas Antilhas não apresentava instruções de navegação ao norte do Rio Belize e alertava as embarcações sobre os perigos dos recifes.
Esse cenário levou os autores a considerar o contrabando como a principal explicação para a presença do navio na Baía Espíritu Santo.
A pesquisa sobre o Ánimas de la Victoria ainda está em andamento. Segundo os autores, o sítio pode fornecer novas informações sobre a história marítima do noroeste do Caribe, incluindo o litoral oriental da Península de Yucatán e Belize.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do estudo publicado no Journal of Maritime Archaeology, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://dailygalaxy.com/2
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

