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Geração Z sofre hoje para pagar aluguel e comprar a casa própria, mas pode protagonizar uma virada histórica: 38% dos jovens caminham para integrar a geração mais rica de todos os tempos
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 02/09/2026 às 19:24
Atualizado em 02/09/2026 às 19:25
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Pressionados pelo custo de vida e por um mercado imobiliário cada vez mais difícil, jovens podem viver uma mudança econômica radical: renda global da geração deve chegar a US$ 36 trilhões até 2030 e US$ 74 trilhões por volta de 2040
A Geração Z enfrenta hoje um paradoxo difícil de imaginar olhando apenas para sua situação financeira atual. Muitos jovens encontram dificuldades para pagar aluguel, formar reservas e alcançar a casa própria, mas projeções econômicas apontam que justamente essa geração poderá se transformar em uma das maiores forças financeiras e de consumo do planeta.
Um levantamento do Bank of America Institute mostra que a renda global da Geração Z, estimada em cerca de US$ 9 trilhões em 2023, pode alcançar aproximadamente US$ 36 trilhões por volta de 2030 e chegar a US$ 74 trilhões perto de 2040.
A projeção chama atenção porque ocorre justamente enquanto grande parte desses jovens ainda sente no bolso o peso da moradia, da inflação e de um mercado de trabalho mais competitivo.
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De US$ 9 trilhões para US$ 36 trilhões em poucos anos
O salto projetado pelo Bank of America é expressivo.
Segundo a instituição, a Geração Z deverá representar aproximadamente 30% da população mundial na próxima década, ao mesmo tempo em que sua renda passa a ocupar uma fatia cada vez maior da economia global.
Os números ajudam a dimensionar a transformação:
- renda global estimada em US$ 9 trilhões em 2023;
- aproximadamente US$ 36 trilhões por volta de 2030;
- cerca de US$ 74 trilhões em torno de 2040;
- gastos anuais podendo alcançar US$ 12,6 trilhões até 2030.
Não significa que cada jovem ficará rico individualmente.
A projeção descreve o crescimento da renda agregada de toda a geração, impulsionada principalmente pela entrada de milhões de jovens no mercado de trabalho, progressão profissional, crescimento salarial e mudanças demográficas.
É justamente aí que está o contraste mais interessante da história: uma geração atualmente associada à dificuldade de acumular patrimônio pode tornar-se, coletivamente, uma das mais poderosas economicamente.
Hoje, porém, a realidade financeira ainda é bem diferente
A prosperidade projetada para o futuro ainda não aparece integralmente na vida financeira cotidiana.
Dados do próprio Bank of America mostram que, apesar de apresentarem crescimento salarial, jovens da Geração Z continuam pressionados pelo elevado custo de vida.
O estudo identificou ainda que os gastos desse grupo avançam rapidamente e que, em determinadas análises realizadas com clientes do banco nos Estados Unidos, os jovens estavam gastando quase duas vezes mais do que conseguiam direcionar às economias.
O mercado de trabalho também apresenta obstáculos.
Em fevereiro de 2025, o número de famílias da Geração Z recebendo seguro-desemprego na amostra analisada pelo Bank of America havia crescido quase 32% em relação ao ano anterior.
Ou seja, a previsão de riqueza futura não apaga as dificuldades atuais.
O que os dados mostram é uma transformação econômica acontecendo enquanto a geração ainda atravessa justamente a fase mais difícil de construção de patrimônio.
Uma transferência de riqueza de dezenas de trilhões de dólares também está chegando
Existe outro elemento capaz de acelerar essa mudança: a chamada Great Wealth Transfer, ou Grande Transferência de Riqueza.
Nas próximas décadas, uma quantidade gigantesca de patrimônio atualmente concentrada nas gerações mais velhas deverá passar para filhos, netos e outros herdeiros.
Projeções compiladas pelo Bank of America apontam que mais de US$ 84 trilhões em ativos poderão ser transferidos para gerações mais jovens até 2045, sendo cerca de US$ 53 trilhões originados de famílias Baby Boomers.
É nesse ponto que aparece o número de 38% associado à Geração Z.
Segundo a publicação original reproduzida pelo Terra, baseada em levantamento citado pelo Xataka, aproximadamente 38% dos integrantes da Geração Z deverão receber alguma parcela dessa transferência de riqueza por meio de herança.
Isso não significa que 38% dos jovens individualmente se tornarão “os mais ricos da história”.
O dado indica que essa parcela da geração deverá participar do processo sucessório, enquanto a projeção do Bank of America aponta que a Geração Z como grupo pode assumir uma posição econômica sem precedentes.
A geração que não consegue comprar uma casa pode mudar a forma como o mundo consome
O Bank of America não olha apenas para quanto dinheiro essa geração poderá ganhar.
A instituição também acompanha como ela gasta.
Dados de cartões de crédito e débito analisados pelo banco mostram que o crescimento das despesas da Geração Z, tanto em itens essenciais quanto discricionários, vem superando o observado na população geral em diferentes períodos.
Isso interessa diretamente às empresas.
Uma geração com dezenas de trilhões de dólares em renda disponível pode alterar mercados inteiros — tecnologia, comércio eletrônico, educação, serviços financeiros, produtos de luxo, saúde, bem-estar e até o mercado de animais de estimação aparecem entre os setores acompanhados pelo Bank of America.
A consequência pode ser muito maior do que simplesmente uma geração ficando mais rica.
Estamos falando de centenas de milhões de consumidores entrando simultaneamente em suas fases de maior produtividade e renda.
Por isso, o Bank of America descreve a Geração Z como uma nova força econômica, capaz de exercer influência crescente sobre a economia global ao longo da próxima década.
A ironia é difícil de ignorar: os mesmos jovens que hoje discutem se conseguirão pagar o próximo aluguel podem estar caminhando para controlar uma parcela gigantesca da renda, do consumo e do patrimônio mundial.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

