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Diretor de escola conhece aluna de 11 anos após ela ser suspensa, descobre que a menina vivia em um abrigo e já havia passado por diferentes lares temporários, decide acolhê-la com a esposa, adota a estudante dois anos depois e vê a filha superar defasagem escolar até chegar à universidade para estudar Serviço Social
Escrito por Carla Teles
Publicado em 01/09/2026 às 16:36
Atualizado em 01/09/2026 às 16:37
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Jason Smith, diretor de escola no Kentucky, conheceu Raven Whitaker-Smith em 2015 após uma suspensão no sexto ano. Aos 11 anos, ela vivia em um abrigo e passara pelo sistema de acolhimento. O casal a recebeu em casa, formalizou a adoção em 2017 e depois acompanhou sua chegada à universidade.
O diretor de escola Jason Smith conheceu Raven Whitaker-Smith em 2015 de uma maneira improvável: a estudante de 11 anos estava sentada perto de sua sala depois de ser suspensa do sexto ano. Durante a conversa, ele descobriu que a menina vivia em um abrigo coletivo no Kentucky e havia passado boa parte da infância dentro do sistema de acolhimento dos Estados Unidos.
Aquele contato administrativo acabou produzindo consequências que ultrapassaram os limites da escola. Jason contou o episódio à esposa, Marybeth Smith, e o casal procurou a responsável pelo caso de Raven, retomou a certificação necessária para atuar como família acolhedora e recebeu a estudante em casa em junho daquele mesmo ano. Em novembro de 2017, pouco mais de dois anos depois do primeiro encontro, Raven foi formalmente adotada pelo casal.
Suspensão colocou Raven diante do diretor de escola em 2015
Jason Smith já tinha 14 anos de experiência como diretor quando encontrou Raven do lado de fora de seu escritório. A estudante havia sido suspensa depois de jogar um copo de iogurte durante o almoço e aguardava que alguém fosse buscá-la.
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Durante a conversa, uma resposta chamou a atenção do educador. Ao usar um restaurante como exemplo para discutir o comportamento da aluna, Jason descobriu que Raven nunca havia feito uma refeição em um estabelecimento desse tipo.
O episódio levou o diretor de escola a perceber que o problema disciplinar escondia uma realidade pessoal muito mais complexa do que aquela apresentada inicialmente pela suspensão.
Naquele momento, Raven vivia em um group home, modalidade de acolhimento coletivo, depois de passar grande parte da vida no sistema de proteção temporária.
Menina de 11 anos havia passado boa parte da infância no acolhimento
O histórico conhecido por Jason mostrava que Raven não estava vivendo com os pais biológicos nem em uma residência familiar permanente.
Ela tinha passado por mudanças dentro do sistema de acolhimento e, aos 11 anos, morava em uma instituição coletiva. A própria Raven explicaria anos depois que estava acostumada à ideia de que os adultos e os lares ao seu redor poderiam ser temporários.
Essa experiência influenciou inclusive a maneira como ela reagiria quando Jason e Marybeth começaram a se aproximar.
Quando passou a visitar a casa do casal, Raven ainda imaginava que poderia estar diante de mais uma família temporária, não necessariamente de pessoas que se tornariam seus pais.
Jason levou a história para casa, mas casal já havia vivido experiência com acolhimento
A conversa com Raven permaneceu na cabeça de Jason depois do expediente. Quando chegou em casa, inicialmente hesitou em contar a situação a Marybeth.
O assunto tocava em uma experiência anterior do casal. Jason e Marybeth haviam enfrentado dificuldades para ter filhos e chegaram a atuar como pais acolhedores com a expectativa de adotar.
Anos antes de conhecer Raven, eles haviam cuidado durante quase um ano de três irmãos, que posteriormente retornaram aos pais biológicos. Depois daquela experiência, o casal havia deixado de perseguir naquele momento o plano de adoção.
Por isso, quando o diretor de escola voltou a falar sobre acolhimento, Marybeth percebeu que aquela não era uma decisão que o marido estava tratando de maneira superficial.
Casal procurou responsável pelo caso e precisou ser certificado novamente
Jason e Marybeth não puderam simplesmente levar a estudante da escola para casa.
Nos dias e semanas seguintes ao primeiro encontro, eles procuraram a profissional responsável pelo caso de Raven e iniciaram o procedimento necessário para voltar a atuar oficialmente como família acolhedora.
O casal teve de passar novamente pelo processo de certificação. Somente depois da aprovação Raven pôde ser recebida legalmente na residência dos Smith.
Em junho de 2015, meses depois daquele encontro provocado pela suspensão escolar, a menina se mudou para a casa do casal.
A mudança, porém, não significava naquele momento que uma adoção estivesse garantida.
Raven ainda acreditava que aquela casa poderia ser temporária
No início, a convivência exigiu adaptação de todos. Raven contou ao Good Morning America que ainda enxergava Jason principalmente como a autoridade escolar que aparecia quando ela estava em dificuldades.
A primeira visita de fim de semana à residência começou a modificar essa percepção. Segundo seu relato, Jason e Marybeth haviam preparado o que ela precisava mesmo sem saber se aquela convivência se tornaria permanente.
Mas anos vivendo dentro do sistema de acolhimento deixaram marcas na forma como Raven interpretava relações familiares.
Ela chegou a testar os limites do casal para descobrir se a permanência oferecida pelos dois realmente continuaria mesmo diante de conflitos.
Marybeth afirmou que esse comportamento não surpreendia o casal, justamente porque Raven havia convivido anteriormente com sucessivas rupturas e tinha motivos para desconfiar da estabilidade oferecida por novos adultos.
Defasagem escolar fazia menina de 11 anos ler no nível do terceiro ano
Os desafios não se limitavam à construção de confiança. Quando Raven tinha 11 anos, sua leitura estava aproximadamente no nível esperado para um estudante do terceiro ano escolar, apesar de ela já estar no sexto ano.
A diferença indicava uma defasagem importante na aprendizagem acumulada durante os primeiros anos da infância.
Jason e Marybeth também passaram a trabalhar com Raven em rotinas básicas que ela não havia incorporado de maneira consistente, incluindo organização diária e cuidados pessoais.
Na educação, a recuperação exigiu trabalho depois das aulas e também durante vários períodos de férias de verão.
Marybeth destacou que a filha participava ativamente desse processo e percebia a educação como uma oportunidade para ampliar suas possibilidades futuras.
Raven conseguiu alcançar os colegas durante o ensino médio
O avanço acadêmico aconteceu de forma gradual. Segundo o relato apresentado pelo GMA, Raven saiu daquele nível de leitura equivalente ao terceiro ano e conseguiu posteriormente acompanhar seus colegas no ensino médio.
Isso não ocorreu apenas com apoio dentro de casa. A estudante dedicava horas adicionais às atividades escolares, permanecia depois das aulas e também estudava durante os verões.
A recuperação escolar se tornou uma das mudanças mais concretas observadas depois que Raven passou a viver com Jason e Marybeth.
A história educacional ganhou ainda mais peso porque o primeiro contato entre os três havia começado justamente dentro de uma escola e em razão de um problema disciplinar.
Adoção foi oficializada em 3 de novembro de 2017
O acolhimento iniciado em junho de 2015 permaneceu durante mais de dois anos antes da mudança jurídica definitiva.
Em 3 de novembro de 2017, Jason e Marybeth Smith adotaram formalmente Raven, que naquele momento já estava no primeiro ano do ensino médio.
A estudante que inicialmente imaginava estar diante de mais uma família temporária passou oficialmente a ser filha do diretor de escola e de sua esposa.
A adoção ocorreu aproximadamente dois anos e meio depois do encontro ocorrido durante a suspensão no sexto ano.
A partir dali, Raven passou a usar também o sobrenome Smith e continuou sua formação escolar dentro da nova estrutura familiar.
Quatro anos após a adoção, veio a aprovação na Universidade do Kentucky
Depois de concluir o ensino médio, Raven alcançou outra etapa que parecia distante quando tinha 11 anos.
Quatro anos após a adoção formal, ela foi aceita na University of Kentucky, instituição localizada no mesmo estado onde a família vive.
Na reportagem publicada em 30 de novembro de 2023, o Good Morning America informou que Raven, então com 20 anos, estava no terceiro ano da universidade e estudava Serviço Social.
A condição de universitária descrita aqui corresponde ao momento da reportagem de 2023; a fonte não informa sua situação acadêmica atual em 2026.
A escolha do curso não ficou desconectada da infância de Raven.
Segundo ela, a experiência no sistema de acolhimento influenciou diretamente a decisão de estudar Serviço Social. Durante a graduação, a jovem passou inclusive a contar aos colegas que havia vivido dentro daquele sistema.
Em uma atividade acadêmica ligada ao Mês Nacional da Adoção, Raven também publicou um texto sobre sua trajetória.
A menina que aos 11 anos apresentava anos de defasagem na leitura passou a estudar profissionalmente uma área diretamente relacionada a famílias, proteção social e acolhimento.
Marybeth contou que, depois de uma das primeiras aulas do curso, a filha telefonou para os pais indicando que se identificava com a escolha profissional.
Caso também mostra que adoção não apagou experiências anteriores
Ao relatar sua própria história, Raven fez uma distinção importante: entrar em uma família estável não eliminou automaticamente tudo o que havia experimentado anteriormente.
Na avaliação apresentada por ela, o acolhimento oferecido por Jason e Marybeth criou um ambiente onde pôde aprender a lidar com essas experiências, desenvolver confiança e construir novas perspectivas.
Esse aspecto também ajuda a evitar uma leitura simplificada da trajetória.
A mudança educacional e familiar não aconteceu de uma vez: houve desconfiança, adaptação, esforço escolar, acolhimento temporário e somente depois a adoção definitiva.
A própria família descreveu os primeiros anos como um período de construção gradual de confiança.
História começou com punição escolar e terminou mudando também a atuação da família
Quando Jason encontrou Raven, sua função naquele momento era lidar com uma estudante suspensa.
O que veio depois envolveu instituições e procedimentos que estavam fora da relação convencional entre escola e aluno: contato com responsável pelo acolhimento, nova certificação do casal, entrada da jovem na residência e posterior processo de adoção.
O diretor de escola não decidiu uma adoção dentro do gabinete; ele e Marybeth ingressaram novamente no sistema de acolhimento e seguiram o processo até poder receber Raven legalmente.
Essa sequência é essencial para compreender a história sem transformar uma decisão familiar em um ato instantâneo.
De leitura do terceiro ano à universidade, educação acompanhou toda a trajetória
A escola aparece tanto no início quanto em uma das etapas mais recentes documentadas da história.
Raven conheceu Jason depois de ser suspensa no sexto ano, tinha uma defasagem expressiva de leitura aos 11 anos, recuperou conteúdo com trabalho adicional e alcançou o nível dos colegas no ensino médio.
Depois veio a aprovação universitária e a escolha por Serviço Social.
O percurso conecta proteção social e educação de uma maneira incomum: uma situação disciplinar revelou o histórico de acolhimento da estudante, enquanto anos de estabilidade permitiram que ela avançasse academicamente até a universidade.
Para Jason e Marybeth, divulgar a história também passou a ser uma forma de estimular outras pessoas a conhecerem melhor o sistema de famílias acolhedoras e adoção.
Na sua opinião, o que mais pesa para uma criança em acolhimento conseguir recuperar vínculos e avançar nos estudos: estabilidade familiar, acompanhamento escolar, acesso a profissionais especializados ou a combinação desses fatores? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

