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Estudo aponta valor presente de US$ 7,9 bilhões para uma jazida no interior da Bahia com o maior teor de terras raras já reportado no mundo e retorno do investimento em pouco mais de um ano
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 01/09/2026 às 19:09
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Um estudo técnico entregue pela Brazilian Rare Earths aponta valor presente líquido de US$ 7,9 bilhões para uma jazida no interior da Bahia que reúne o maior teor de terras raras já reportado no mundo, com retorno do investimento projetado em pouco mais de um ano de operação.
O número saiu do scoping study do projeto Rocha da Rocha, divulgado pela companhia e noticiado pela Revista Mineração e pelo Brasil Mineral. Conforme o documento, o valor presente líquido pós-imposto chega a US$ 7,9 bilhões, calculado a uma taxa de desconto de 8%, com taxa interna de retorno de 89%.
O payback estimado é de 1,1 ano, e o Ebitda médio anual projetado ao longo da vida da mina fica em torno de US$ 1,37 bilhão. Para chegar à primeira produção, a empresa prevê investir US$ 969 milhões, valor que inclui o desenvolvimento do depósito de Monte Alto e a primeira fase da estrutura de processamento em Camaçari.
O que significa ter o maior teor do mundo
Em mineração de terras raras, teor é praticamente tudo. O depósito de Monte Alto é descrito como provavelmente o de maior teor já reportado no planeta, com média acima de 15% de TREO, a sigla para óxidos totais de terras raras.
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Para dimensionar: a maioria dos projetos comerciais no mundo opera com teores que ficam bem abaixo de 10%, e vários viabilizam a operação com frações de ponto percentual. Quinze por cento significa que cada tonelada de rocha retirada carrega muito mais metal útil, o que reduz o volume a ser escavado, transportado, moído e tratado para obter a mesma quantidade de produto final.
É daí que vem a agressividade dos números financeiros. Taxa interna de retorno de 89% e payback pouco acima de um ano não são resultados comuns em mineração, um setor conhecido por prazos longos e capital intensivo. Eles aparecem porque o custo por unidade produzida cai quando o minério é rico.
Por que terras raras viraram assunto geopolítico
Terras raras não são raras no sentido de escassez geológica. Elas ocorrem espalhadas em muitos lugares, porém quase sempre em concentração baixa e misturadas entre si, o que torna a separação química cara e complexa. O gargalo do setor nunca foi encontrar, foi separar e refinar.
Esses elementos são o insumo dos ímãs permanentes de alto desempenho, que estão dentro de motor de carro elétrico, gerador de turbina eólica, disco rígido, sistema de defesa e equipamento médico. Sem neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, boa parte da eletrificação industrial simplesmente não funciona no formato atual.
Ocorre que a etapa de refino está historicamente concentrada na China, que domina a maior parte da capacidade mundial de separação. Por isso qualquer projeto fora daquele país, especialmente um que preveja processar internamente em vez de exportar minério bruto, é lido como movimento de cadeia de suprimentos, não apenas como investimento privado.
O Brasil entre a reserva e a fábrica
O plano da companhia contempla justamente a verticalização. A previsão é instalar em Camaçari, no polo industrial baiano, a primeira fase da estrutura de processamento, em vez de embarcar o material bruto para tratamento no exterior. Assim, o valor agregado ficaria em território nacional.
O cronograma, no entanto, é longo. A primeira produção integrada está prevista para 2031, com vida inicial estimada em 14 anos. Cinco anos separam o estudo publicado agora da primeira tonelada comercial, e nesse intervalo cabem licenciamento ambiental, decisão final de investimento, captação de recursos e construção.
Vale registrar o que um scoping study é e o que ele não é. Trata-se do estudo mais preliminar da escala de avaliação de projetos minerais, feito com margens de erro amplas e premissas que ainda serão testadas em etapas posteriores. Portanto, os US$ 7,9 bilhões são uma projeção de cenário, não um valor contratado. Além disso, o material consultado não detalha o município exato do depósito, informação que costuma aparecer nas fases seguintes.
Ainda assim, é difícil não ver o peso do que está sendo dito. O Brasil chega a esta década com um dos inventários de terras raras mais ricos já mapeados, e o país passou décadas exportando minério bruto para que outros ficassem com a parte cara da cadeia. Um projeto que nasce prevendo refino em solo brasileiro, num depósito de teor recorde, mexe exatamente nesse ponto.
Fico imaginando quantas cidades do interior baiano ainda nem sabem que estão sentadas sobre o insumo que move o motor elétrico do mundo inteiro.
O Brasil deveria exigir refino em território nacional como condição para liberar jazida de terra rara?
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Fonte
Revista Mineração — BRE prevê US$ 969 milhões para projeto de terras raras na BA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

