7 min de leitura
Engenheiro que desenvolveu hardware para voos tripulados da NASA agora projeta habitat submarino modular para até 50 pessoas, enquanto primeiro protótipo já repousa a 17 metros nas Florida Keys e futura estação Sentinel promete bases semipermanentes no oceano com vida útil prevista de 20 anos
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 01/09/2026 às 18:57
Atualizado em 01/09/2026 às 19:03
Ciência e Tecnologia
Canal
1 pessoa reagiu a isso.
Prefira o CPG no Google
Norman Smith, que desenvolveu hardware para voos tripulados da NASA, hoje lidera tecnologia da DEEP, responsável pelo Vanguard, habitat instalado a 17 metros nas Florida Keys. O protótipo recebe quatro aquanautas, enquanto a futura Sentinel poderá crescer modularmente até 50 ocupantes e ter vida útil total projetada de 20 anos.
Norman Smith, diretor de tecnologia da empresa britânica DEEP, trocou projetos relacionados a voos espaciais tripulados por um desafio voltado ao fundo do oceano. Depois de trabalhar no desenvolvimento de hardware para missões tripuladas da NASA, ele participa agora da criação de uma nova geração de habitats submarinos destinados a permitir permanências humanas prolongadas debaixo d’água.
As informações foram publicadas pelo Diário do Litoral em 26 de agosto de 2026, em reportagem de Luiz Dias, da Agência Diário. O primeiro passo concreto da iniciativa é o Vanguard, já instalado nas Florida Keys, enquanto a etapa seguinte é o Sentinel, sistema modular ainda em desenvolvimento que poderá formar estações semipermanentes com até 50 ocupantes.
Vanguard já repousa a 17 metros nas Florida Keys
O primeiro habitat está instalado no Tennessee Reef, dentro do santuário marinho das Florida Keys, nos Estados Unidos.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Nova metodologia para gasodutos pode reduzir tarifas de transporte de gás em até 25% e economizar R$ 1,3 bilhão por ano, calcula a Abrace
A discussão sobre a tarifa de transporte de gás entrou numa fase capaz de mexer diretamente com o custo da indústria, depois que a Abrace calculou redução potencial de até…
Paulo Nogueira
0
A estrutura repousa a 17 metros de profundidade e permanece presa a uma base instalada no leito marinho.
Habitat foi instalado no oceano em junho
A DEEP instalou o Vanguard no Tennessee Reef em junho de 2026.
Segundo a empresa, trata-se do primeiro habitat humano para mar aberto desse tipo construído, testado e instalado nos Estados Unidos em 40 anos.
Quatro aquanautas podem permanecer cinco dias ou mais
O Vanguard foi projetado para receber quatro aquanautas.
A proposta é permitir que eles permaneçam em ambiente seco durante cinco dias ou mais, sem precisar retornar diariamente à superfície.
Área habitável reúne trabalho, refeições e descanso
O corpo cilíndrico concentra os espaços utilizados pela tripulação durante as missões.
A câmara possui mesas, assentos, áreas de trabalho, espaço para preparação de refeições e locais para dormir, permitindo que diferentes atividades sejam realizadas dentro do próprio habitat.
Moon pool permite entrar diretamente no oceano
O centro de mergulho possui uma abertura chamada moon pool.
Por esse acesso no piso, os aquanautas podem sair diretamente do habitat para a água e retornar depois das atividades realizadas no ambiente marinho.
Boia na superfície fornece energia e comunicação
O funcionamento do Vanguard depende também de uma estrutura localizada acima da água.
Uma boia na superfície fornece energia, gases respiratórios e comunicação enquanto os ocupantes permanecem no fundo do mar. A eletricidade chega ao habitat por meio de uma conexão que desce até a instalação submarina.
Interior opera na mesma pressão correspondente à profundidade
O Vanguard utiliza o princípio da pressão ambiente.
Isso significa que a pressão interna corresponde àquela existente na profundidade externa, conceito também empregado no mergulho de saturação.
Vanguard funciona como laboratório antes da estação maior
A DEEP desenvolveu o primeiro habitat como uma plataforma para validar uma operação mais ampla.
O Vanguard é descrito como um laboratório piloto destinado a testar tecnologias, procedimentos e a rotina necessária para manter seres humanos no oceano durante períodos prolongados.
Testes continuavam em agosto de 2026
O sistema ainda não havia encerrado sua etapa de preparação quando a reportagem foi publicada.
Em agosto de 2026, o Vanguard permanecia em comissionamento, testes e preparação operacional. Ao mesmo tempo, a DEEP abriu uma seleção financiada destinada a instituições de pesquisa da Flórida.
Primeiras oportunidades de missão estavam previstas para novembro
A abertura para instituições de pesquisa antecede o início das atividades planejadas.
Segundo a DEEP, as primeiras oportunidades de missão estavam previstas para novembro, depois da conclusão das etapas necessárias de testes e preparação.
NASA já utilizou o fundo do oceano para preparar astronautas
A relação entre o ambiente submarino e os voos espaciais não começa com o trabalho atual de Norman Smith.
A própria NASA utilizou durante anos o laboratório Aquarius, também nas Florida Keys, para colocar astronautas, engenheiros e cientistas em condições de isolamento semelhantes às encontradas em missões fora da Terra.
Programa NEEMO mantinha equipes a cerca de 19 metros
O programa NEEMO, da NASA, colocava tripulações a aproximadamente 19 metros de profundidade durante dias ou semanas.
Isolamento, confinamento, sistemas de suporte à vida e a dificuldade de abandonar imediatamente o ambiente ajudavam a transformar o fundo do oceano em um análogo para naves e bases espaciais.
Vanguard também foi pensado para treinamento ligado a voos espaciais
A conexão entre os dois ambientes continua presente no projeto da DEEP.
O Vanguard também foi concebido para permitir treinamento relacionado a voos espaciais, embora a escala prevista aumente significativamente com a geração seguinte.
Sentinel poderá começar com seis pessoas
A futura estação foi projetada com uma arquitetura modular.
A DEEP prevê que uma configuração inicial possa receber seis ocupantes, permitindo ampliar a estrutura conforme as necessidades de cada missão.
Módulos poderão ampliar estação até 50 ocupantes
A mesma arquitetura deverá permitir o crescimento da base.
Novos módulos poderão ser conectados até formar estações multinacionais semipermanentes para até 50 pessoas, uma escala muito superior aos quatro ocupantes previstos para o Vanguard.
Componentes poderão mudar de função sem retirar base do mar
A modularidade deverá servir também para alterar a estação durante sua própria operação.
Segundo a empresa, partes do Sentinel poderão ser reorganizadas, substituídas ou transferidas sem que toda a estrutura precise ser retirada do oceano.
Sentinel terá vida útil projetada de 20 anos
A DEEP trabalha com uma operação de longo prazo para sua futura estação.
A vida útil projetada é de 20 anos, período durante o qual a arquitetura modular poderá receber diferentes configurações e funções de acordo com as missões previstas.
Estação terá dois regimes diferentes de pressão
O Sentinel está sendo planejado para funcionar em dois regimes.
Em pressão semelhante à água do lado externo, mergulhadores poderão deixar a estrutura por duas aberturas diretamente para o oceano.
Em uma configuração com pressão próxima à encontrada ao nível do mar, visitantes poderão chegar por transferência a partir de submersíveis.
Dormitórios terão grandes vigias voltadas para o oceano
Os ambientes internos também estão sendo desenvolvidos pensando em permanências mais longas.
Os dormitórios previstos para o Sentinel utilizam grandes vigias voltadas para o mar, enquanto a DEEP projeta quartos, espaços de trabalho e áreas de descanso para as equipes.
Módulos científicos terão microscópios e bancadas
A arquitetura deverá permitir diferentes usos dentro da mesma estação.
Entre os conceitos apresentados estão módulos científicos equipados com bancadas, microscópios e grandes janelas circulares, além de espaços destinados a equipamentos de mergulho e telas de controle.
Microrrede busca reduzir dependência de grandes embarcações
O projeto também procura diminuir a necessidade de infraestrutura pesada permanentemente posicionada na superfície.
A proposta prevê uma microrrede de energia, uma boia com geração renovável e comunicação por satélite para sustentar parte da operação submarina.
DEEP desenvolve biorreator para tratar resíduos
Outro componente permanece em fase de desenvolvimento.
A equipe trabalha em um biorreator de grande escala destinado ao tratamento de resíduos dentro do próprio sistema submarino.
Sentinel completa ainda permanece em desenvolvimento
O Vanguard já está instalado e funciona como etapa de testes, mas a estação de maior escala ainda não está pronta.
A Sentinel completa permanece em desenvolvimento, com a proposta de começar em configurações para seis pessoas e avançar, por módulos, até estruturas semipermanentes para 50 ocupantes e vida útil projetada de 20 anos.
Na sua opinião, o que mais chama atenção nesse projeto: um habitat já funcionar a 17 metros no oceano, a possibilidade de reunir 50 pessoas em uma estação submarina modular ou a experiência de tecnologia para voos tripulados da NASA ser aplicada à permanência humana debaixo d’água? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

