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Taxista de 52 anos atende corrida de idoso de 85 que só queria ir a uma consulta, percebe que o passageiro morava sozinho e mal conseguia caminhar, decide que aquela seria a última viagem cobrada normalmente e passa três anos levando-o a médicos, banco, mercado e até entregando suas comidas favoritas
Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/09/2026 às 19:39
Atualizado em 07/09/2026 às 19:40
Curiosidades
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Uma corrida comum em Singapura acabou criando um vínculo que atravessou consultas, tarefas diárias e anos de convivência, depois que um taxista percebeu que seu passageiro precisava de muito mais do que apenas transporte.
Para Tan Lai Hock, aquela deveria ser apenas mais uma corrida em Singapura.
Um passageiro havia chamado o táxi para sair de seu apartamento e ir a uma consulta.
Horas depois, porém, o motorista descobriria que o homem de 85 anos vivia sozinho, tinha dificuldade para caminhar e precisava de muito mais do que alguém que simplesmente o deixasse diante de uma clínica.
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O passageiro era Lim Chong Khim, um idoso com diferentes problemas de saúde e pouca autonomia para cumprir sozinho parte de sua rotina.
Tan, que tinha 52 anos quando sua história ganhou repercussão em 2021, acabou fazendo daquela primeira corrida o início de uma relação que já durava cerca de três anos.
Nesse período, deixou de cobrar de Lim as tarifas comuns do táxi, passou a acompanhá-lo em consultas, ajudou nas compras e chegou a procurar comidas específicas quando o idoso sentia vontade de comer algo diferente.
A história não ficou restrita aos dois.
Em 2021, Tan recebeu um reconhecimento no Singapore Health Inspirational Patient and Caregiver Awards, premiação ligada à SingHealth.
O caso também foi citado pelo Ministério da Saúde de Singapura como exemplo de uma pessoa que assumiu espontaneamente funções de cuidado mesmo sem ter parentesco com quem recebia a ajuda.
Uma corrida até a clínica mudou a rotina dos dois
Tan e Lim se conheceram por volta de 2018, quando o idoso solicitou um táxi a partir de seu apartamento em Outram, em Singapura.
O destino era uma policlínica.
Ao chegar, Lim fez um pedido incomum: perguntou se o motorista poderia esperar e acompanhá-lo durante o compromisso.
Inicialmente, a estimativa era de aproximadamente uma hora. A consulta, no entanto, acabou levando cerca de três horas.
Tan permaneceu no local e, ao final, levou o passageiro de volta para casa.
Foi durante o retorno que Lim explicou melhor sua situação.
Ele vivia sozinho em um apartamento alugado, tinha dificuldades para andar e perguntou se poderia voltar a ligar sempre que precisasse ir a consultas ou resolver compromissos.
Tan aceitou.
O motorista relataria posteriormente que não fez grandes cálculos sobre a decisão. Se poderia ajudar e o idoso precisava, tentaria estar disponível.
A partir daquele encontro, Lim deixou de ser apenas mais um passageiro na rotina profissional do taxista.
Taxista passou a acompanhar consultas que duravam horas
Os compromissos não significavam simplesmente buscar Lim, dirigir até uma clínica e seguir para a próxima corrida.
Tan estacionava, entrava com o idoso e permanecia ao lado dele enquanto os atendimentos eram realizados.
Segundo o relato publicado pela SingHealth, algumas consultas podiam consumir quatro ou cinco horas até que tudo fosse concluído e os medicamentos fossem retirados.
Havia ainda outra dificuldade.
Lim falava principalmente mandarim e hokkien e enfrentava problemas para se comunicar com alguns médicos e enfermeiros.
Por isso, Tan também passou a ajudá-lo como intérprete durante os atendimentos.
A necessidade de acompanhamento estava relacionada às próprias condições de saúde do idoso.
O Ministério da Saúde de Singapura informou que Lim tinha, entre outros problemas, osteoartrite, degeneração macular relacionada à idade e glaucoma.
A osteoartrite prejudicava especialmente sua mobilidade.
Segundo Tan, tarefas aparentemente simples podiam demorar várias horas porque Lim não conseguia se deslocar rapidamente.
Ajuda também incluía banco, supermercado e corte de cabelo
Com o passar dos meses, o telefone de Tan começou a ser usado para muito mais do que corridas até hospitais.
Cerca de uma ou duas vezes por mês, segundo seu relato à SingHealth, ele acompanhava Lim em tarefas como ir ao banco, cortar o cabelo e comprar mantimentos.
Cada saída poderia levar de três a quatro horas.
Tan continuava trabalhando normalmente como taxista e precisava conciliar esses compromissos com passageiros regulares.
Por isso, pediu apenas que Lim avisasse com antecedência quando fosse possível.
Mesmo nos dias de descanso, porém, tentava atender quando surgia uma necessidade urgente.
Em uma ocasião, o problema sequer envolvia transporte.
Lim telefonou porque uma lâmpada de sua casa havia queimado.
Preocupado com o risco de o idoso tentar circular pelo imóvel no escuro, Tan foi até o apartamento, procurou uma lâmpada compatível com o modelo antigo e fez a substituição.
Depois, entrou em contato com a administração responsável pelo imóvel para pedir que o sistema antigo fosse trocado por outro mais fácil de manter.
Até as comidas favoritas passaram a entrar nas viagens
Depois de anos acompanhando a rotina de Lim, Tan passou a conhecer pequenos hábitos do passageiro.
Entre eles estavam algumas comidas de que o idoso gostava.
Quando Lim sentia vontade, telefonava pedindo pratos como macarrão frito ao estilo de Hong Kong, Tiong Bahru Pau e bolo de nabo frito, e Tan tentava levá-los até ele.
No Ano-Novo Lunar, havia pedidos ainda mais específicos: uma caixa de laranjas mandarinas e determinada marca de chocolates que, segundo o motorista, não era fácil de encontrar.
O vínculo chamava atenção até nos hospitais e clínicas.
Segundo Tan, algumas pessoas acreditavam que ele era filho de Lim.
O motorista respondia explicando que os dois tinham sobrenomes diferentes e eram apenas amigos.
A relação, porém, já ultrapassava aquilo que normalmente se esperaria entre um taxista e um passageiro.
Primeira corrida foi a última cobrada pela tarifa normal
A frase de que aquela primeira viagem foi a última que Tan cobrou de Lim precisa de uma pequena distinção.
A reportagem da Mothership descreveu o primeiro encontro como a primeira e também a última vez em que Tan recebeu uma tarifa de táxi normal do idoso.
Depois disso, as viagens especiais e o tempo de acompanhamento deixaram de seguir o taxímetro como uma corrida convencional.
Isso não significa que Tan jamais tenha aceitado qualquer quantia.
Segundo a mesma reportagem, Lim ocasionalmente entregava algum dinheiro ao motorista para compensar parte das horas dedicadas a ele.
Era um acordo informal, sem relação com a tarifa normal marcada pelo taxímetro.
Na prática, Tan deixava de fazer outras corridas durante as horas em que acompanhava o idoso, o que representava também abrir mão de parte da renda que poderia obter naquele período.
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Ao descobrir que o homem que permanecia ao lado do paciente não era parente nem cuidador contratado, mas seu taxista, Mohanram indicou Tan ao Inspirational Patient and Caregiver Awards.
A premiação reconheceu o motorista em 2021 como Inspirational Caregiver.
O Ministério da Saúde de Singapura também destacou o caso em discurso oficial realizado em 27 de maio daquele ano, citando Tan como exemplo de alguém que ajudava uma pessoa vulnerável mesmo sem qualquer vínculo familiar.
Na época, Lim já havia aceitado uma recomendação que antes rejeitava: começar a utilizar uma cadeira de rodas.
Segundo Tan, o equipamento tornou mais simples buscá-lo em casa e acompanhá-lo nos compromissos mensais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

