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Aos 7 anos, menino passa seis meses recolhendo 2,2 kg de lacres de latinhas por onde anda no interior de São Paulo, pega peças nas ruas, em churrascos de família e em todos os cantos que encontra e faz questão de entregar tudo pessoalmente a policiais para ajudar campanha que transforma alumínio descartado em cadeira de rodas
Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/09/2026 às 19:33
Atualizado em 07/09/2026 às 19:34
Curiosidades
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Uma iniciativa simples começou com a curiosidade de uma criança diante de um cartaz e, ao longo de meses, transformou pequenos pedaços de alumínio recolhidos pelas ruas em parte de uma campanha solidária no interior paulista.
Durante meses, quase toda latinha que aparecia pelo caminho de Augusto Gabriel Gomes da Silva escondia algo que interessava mais a ele do que a própria embalagem.
Aos 7 anos, o menino passou a recolher lacres encontrados nas ruas, em encontros de família e onde mais conseguisse encontrá-los, até reunir aproximadamente 2,2 quilos de alumínio em Eldorado, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.
Em janeiro de 2020, depois de cerca de seis meses de coleta, Augusto colocou o material em garrafas PET e fez questão de entregá-lo pessoalmente a policiais militares da cidade.
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Paulo Nogueira
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Os lacres seriam incorporados ao Lacre Solidário, campanha que reunia o metal para ajudar na aquisição de cadeiras de rodas destinadas a pessoas que precisavam do equipamento.
A quantidade reunida pelo garoto não correspondia, sozinha, ao volume necessário para uma cadeira de rodas.
O funcionamento da campanha dependia da soma de muitas doações: na época, a Polícia Militar informava que 160 garrafas PET cheias de lacres formavam um lote usado na conversão para uma cadeira.
Mais de mil garrafas já haviam sido reunidas desde o início da iniciativa.
O detalhe que tornou a história especialmente curiosa é que ninguém havia dado a Augusto a tarefa de juntar o material.
Tudo começou com um cartaz sobre o Lacre Solidário
A ideia nasceu quando Augusto viu um cartaz sobre a campanha em um estabelecimento comercial onde sua mãe trabalhava.
O material havia sido colocado no local por um policial conhecido da família. Curioso, o menino perguntou à mãe, Aline Gomes, para que serviam aqueles lacres.
Quando soube que o alumínio poderia contribuir para uma campanha destinada à obtenção de cadeiras de rodas, decidiu participar.
Segundo Aline, a iniciativa partiu do próprio filho.
A partir daí, olhar para o chão ganhou outro significado para Augusto. Quando encontrava um lacre na rua, recolhia.
Em churrascos e reuniões de família, procurava as pequenas peças que normalmente seriam descartadas junto com as latas.
A mãe contou que chegou um momento em que a determinação do menino chamava atenção até dentro da família, porque ele queria aproveitar praticamente todo lacre disponível.
As reportagens da época apresentam uma pequena diferença sobre o início exato da coleta.
Uma fonte registra que Augusto começou em junho de 2019, enquanto outra cita julho do mesmo ano.
O ponto em comum é que a entrega ocorreu em 10 de janeiro de 2020, após aproximadamente seis meses juntando o material.
Menino reuniu 2,2 quilos de lacres de alumínio
Um lacre de latinha pesa muito pouco.
Por isso, chegar a mais de 2,2 quilos exigiu acumular uma grande quantidade dessas pequenas peças ao longo dos meses.
Depois de separar o material, Augusto o colocou em garrafas e levou a arrecadação aos policiais militares de Eldorado.
Os cabos Flávio e Valdoski receberam a entrega.
Segundo os relatos publicados pelo portal R7, Flávio trabalhava havia 13 anos na cidade, enquanto Valdoski somava 17 anos de atuação no município.
A proximidade também tinha um significado particular para Augusto: ele era fã da Polícia Militar e queria entregar pessoalmente o resultado da coleta.
O cabo Flávio relatou que a atitude surpreendeu a equipe justamente por ter partido de uma criança tão nova.
Segundo ele, a relação entre a polícia e os moradores de Eldorado era próxima, especialmente com as crianças da cidade.
A entrega, no entanto, não significou o fim da coleta.
Aline contou que o filho continuou procurando novos lacres mesmo depois de levar os primeiros 2,2 quilos aos policiais.
Como os lacres ajudam na compra de cadeiras de rodas
A campanha da qual Augusto participou havia começado antes de sua coleta.
O Lacre Solidário surgiu de uma parceria firmada em 2017 entre o 14º Batalhão de Polícia Militar do Interior e o Rotary Club Ouro de Registro, segundo as reportagens que documentaram a iniciativa.
Estabelecimentos comerciais da região também funcionavam como pontos de arrecadação.
O princípio é simples: os lacres são feitos de alumínio e possuem valor como material reciclável.
Quando grandes quantidades são reunidas, o metal pode ser encaminhado para reciclagem, e o valor obtido na cadeia de reaproveitamento ajuda a viabilizar a aquisição de equipamentos.
Isso significa que não existe uma transformação física direta em que os lacres viram uma cadeira de rodas.
O material é acumulado, destinado à reciclagem e convertido em recursos dentro da dinâmica organizada pela campanha.
Na época da história de Augusto, os responsáveis afirmavam ter reunido mais de 1.000 garrafas PET cheias de lacres.
Quatro cadeiras de rodas já haviam sido obtidas, enquanto o restante do material ainda seria encaminhado para novas trocas.
Registros do Rotary daquele período também mostram que o projeto já recebia lacres coletados em atividades e eventos realizados em Eldorado.
Em junho de 2019, uma publicação do Distrito 4610 mencionou 11 garrafas PET cheias arrecadadas em quermesses e eventos da cidade para o projeto do Rotary Club de Registro.
Família dizia que o hábito de ajudar já aparecia em casa
Para Aline, a decisão de juntar lacres combinava com comportamentos que Augusto demonstrava antes mesmo de conhecer a campanha.
Na época, o garoto vivia com a mãe, o pai e dois irmãos mais velhos.
Segundo o relato familiar, ele gostava de participar das tarefas domésticas, ajudava a lavar louça e também colaborava nos cuidados com um sobrinho ainda bebê.
A mãe afirmou ainda que Augusto costumava dividir o que tinha com os irmãos e colegas da escola.
Quando soube para que servia o Lacre Solidário, o menino teria explicado à família que queria contribuir com pessoas que necessitavam de cadeira de rodas e não tinham condições de comprar o equipamento.
Aline também relatou que parentes passaram a ajudá-lo na coleta, embora a iniciativa tivesse começado por decisão do próprio garoto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

