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Volkswagen prepara nova van para vender no Brasil e investe R$ 300 milhões no projeto, mas não garante produção por aqui, estuda outros estados e admite levar a montagem para Argentina ou Uruguai para reduzir custos e fugir do imposto de importação de 35%
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 08/09/2026 às 19:06
Atualizado em 08/09/2026 às 19:12
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rojeto começa com vans vindas da China, mas a corrida para reduzir custos e nacionalizar a produção abriu uma disputa que pode terminar com a nova linha industrial instalada fora do Brasil
A Volkswagen Caminhões e Ônibus prepara uma ofensiva para entrar em um mercado brasileiro estimado em 50 mil vans por ano, mas uma das decisões mais importantes do projeto ainda permanece aberta: onde esses veículos serão produzidos quando deixarem de chegar prontos da China.
Apesar de possuir em Resende, no Rio de Janeiro, uma de suas principais estruturas industriais, a empresa não garante que a nova família de comerciais leves será fabricada ali. O presidente e CEO da VWCO, Roberto Cortes, confirmou que existem conversas com outros estados, cidades e possíveis parceiros e admitiu que Argentina e Uruguai também estão no radar.
A declaração cria uma situação que chama atenção especialmente no Brasil. A Volkswagen pretende conquistar uma fatia relevante do mercado nacional com um veículo desenvolvido para as condições brasileiras, mas parte da produção responsável por abastecer esse mercado poderá acabar instalada em outro país da América do Sul.
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Paulo Nogueira
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Volkswagen quer reduzir dependência da China e imposto de 35% aumenta pressão
A nova van nasce de uma parceria entre a Volkswagen Caminhões e Ônibus e a gigante chinesa SAIC Motor. O projeto representa um investimento de aproximadamente R$ 300 milhões e utiliza uma plataforma já existente na China, modificada pela engenharia para atender às condições de operação encontradas no Brasil.
Inicialmente, os veículos serão fabricados na China e importados completamente montados. A estratégia permitiu à Volkswagen acelerar a chegada ao mercado, mas traz um problema financeiro importante: o Imposto de Importação sobre o produto pode chegar a 35%.
Segundo Cortes, a companhia quer produzir regionalmente o modelo “o mais rápido possível” justamente para reduzir essa exposição ao imposto. Por isso, a discussão deixou de ser apenas sobre lançar uma van e passou a envolver uma decisão industrial muito maior: qual país ou estado receberá a futura linha de montagem.
A localização pode começar de maneira gradual, inclusive por meio de kits CKD ou SKD, antes que uma parcela maior dos componentes seja regionalizada. A empresa prevê concluir esse processo dentro do ciclo de investimentos que termina em 2030.
Resende tem fábrica da Volkswagen, mas isso não garante a nova van
À primeira vista, Resende seria o destino mais óbvio. A Volkswagen Caminhões e Ônibus mantém no município fluminense sua principal operação industrial brasileira e dali saem caminhões e ônibus vendidos dentro e fora do país.
O problema é que a estrutura foi concebida para caminhões e ônibus. Cortes explicou que esses veículos são industrialmente muito diferentes de uma van, o que significa que simplesmente colocar o novo modelo na linha existente não é necessariamente a alternativa mais barata ou eficiente.
A produção de Resende também utiliza o conhecido Consórcio Modular, sistema no qual fornecedores participam diretamente de diferentes etapas da montagem. A nova van possui outra arquitetura industrial, e a própria Volkswagen admite avaliar uma linha específica, uma nova instalação ou até outro parceiro.
Assim, o fato de existir uma fábrica Volkswagen no Brasil não significa que o investimento adicional para produzir a van ficará automaticamente no país.
Argentina já tem fábrica usada pela própria Volkswagen Caminhões e Ônibus
Entre as alternativas estrangeiras, a Argentina talvez seja a mais sensível para o público brasileiro, porque não se trata de começar uma operação do zero.
Desde 2024, a Volkswagen Caminhões e Ônibus já produz caminhões e chassis de ônibus no Centro Industrial de Córdoba, em parceria com a Volkswagen Group Argentina. A linha possui aproximadamente 15 mil metros quadrados e capacidade projetada para chegar a 2.700 veículos.
A operação argentina ganhou peso rapidamente. Em 2025, a marca comercializou 2.182 veículos no país, que se tornou seu principal mercado fora do Brasil. Parte deles já é produzida localmente em Córdoba, enquanto outras unidades continuam chegando de Resende.
Isso ajuda a explicar por que Roberto Cortes foi direto ao falar sobre a possibilidade. Segundo ele, a empresa tem uma estratégia regional e “não podemos excluir a Argentina”.
Na prática, portanto, uma eventual escolha argentina não exigiria que a Volkswagen descobrisse um novo mercado ou construísse toda uma relação industrial do zero. A montadora já possui produção, fornecedores, rede comercial e experiência fabril no país.
Uruguai também aparece como alternativa e já fabrica vans para o Brasil
O Uruguai completa a lista de possibilidades mencionadas pela própria direção da VWCO. Embora tenha um mercado interno muito menor, o país possui experiência justamente no modelo de produção por parceria que a Volkswagen está estudando.
A Nordex, instalada em Montevidéu, fabrica veículos para outras montadoras e alcançou em fevereiro de 2026 a marca de 20 mil Ford Transit produzidas. Parte da produção uruguaia é destinada ao mercado brasileiro.
Esse histórico torna o país uma alternativa industrial plausível caso a Volkswagen decida terceirizar ou compartilhar a produção em vez de construir sozinha uma nova estrutura dedicada à van.
Para o Brasil, essa possibilidade deixa uma questão inevitável: um veículo criado para disputar milhares de vendas no mercado brasileiro poderia gerar parte da atividade industrial e dos futuros postos de trabalho do outro lado da fronteira.
Parceria chinesa economiza anos de desenvolvimento e reduz custo da nova Volkswagen
A busca por custos menores não está restrita à escolha da fábrica. A própria origem do projeto mostra como a Volkswagen está tentando tornar a operação economicamente viável.
A companhia estudou durante anos trazer ao mercado o Volkswagen Crafter europeu, mas considerou o investimento necessário elevado demais. Ao utilizar uma plataforma desenvolvida pela SAIC, o projeto atual pôde avançar em aproximadamente dois anos, enquanto um desenvolvimento completamente novo poderia exigir oito ou nove anos, segundo a empresa.
Mesmo partindo de uma base chinesa, a VWCO afirma ter solicitado mais de 250 modificações para adaptar o veículo às condições brasileiras, incluindo particularidades relacionadas ao biodiesel e ao uso frequente em situações de carga elevada.
O resultado será apresentado oficialmente durante a Fenatran 2026, em novembro. O primeiro produto será uma van de carga a diesel derivada da plataforma do SAIC Maxus Deliver 9 e chegará para disputar espaço com nomes consolidados como Mercedes-Benz Sprinter, Renault Master e Ford Transit.
Volkswagen quer 20% do mercado brasileiro, mas produção continua em disputa
A ambição comercial é grande. A Volkswagen estima que aproximadamente 50 mil vans sejam vendidas por ano no Brasil e afirma que esse segmento cresceu cerca de 15% ao ano nos últimos três anos, impulsionado principalmente pelo comércio eletrônico e pela distribuição urbana.
A meta é chegar a aproximadamente 20% desse mercado em cerca de três anos, o equivalente a algo próximo de 10 mil veículos anuais caso o tamanho atual do segmento seja mantido.
É justamente aí que está o ponto mais controverso do projeto. O Brasil é o mercado que a Volkswagen pretende conquistar, a engenharia brasileira participou das adaptações e o país já abriga a fábrica de Resende, mas isso ainda não foi suficiente para assegurar que a futura produção permaneça em território nacional.
Enquanto a companhia procura a fórmula mais barata para reduzir o peso da importação chinesa e tornar a van competitiva, estados brasileiros terão de disputar o investimento não apenas entre si, mas também com Argentina e Uruguai.
Por enquanto, nenhuma decisão foi anunciada. Resende continua na disputa e a Volkswagen não afirmou que retirará investimentos existentes do Brasil. O que já está confirmado, porém, é significativo: quando chegar a hora de escolher onde produzir regionalmente uma van pensada para vender milhares de unidades aos brasileiros, a fronteira do país não será um limite para a decisão da montadora.
Metadescrição: Volkswagen prepara nova van com investimento de R$ 300 milhões e quer conquistar 20% do mercado brasileiro, mas não garante a produção em Resende e admite instalar a futura montagem na Argentina ou no Uruguai enquanto busca reduzir custos e escapar do imposto de importação de 35%.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

