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Aurum Resources anuncia ao governo da Costa do Marfim 115 toneladas de ouro em Boundiali, mas a última estimativa enviada à bolsa australiana soma 3,22 milhões de onças, cerca de 100 toneladas, e só 38 toneladas já são reserva
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/10/2026 às 23:40
Atualizado em 13/10/2026 às 23:41
Mineração
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A mineradora apresentou o projeto Boundiali na quinta-feira (8) em Abidjan, e o número de 115 toneladas dito ali não aparece nos documentos da empresa na Austrália, onde a conta fecha em 100 toneladas de recursos e 38 de reserva.
A Aurum Resources apresentou na quinta-feira (8) ao primeiro-ministro da Costa do Marfim, Robert Beugré Mambé, o projeto de ouro de Boundiali, no norte do país. O diretor-geral, Caigen Wang, falou em cerca de 115 toneladas de ouro em recursos, de acordo com a Agência de Informação da Costa do Marfim (AIP). Na bolsa australiana, a última estimativa da empresa para o mesmo projeto é de 3,22 milhões de onças, o que dá cerca de 100 toneladas.
Quanto ouro a Aurum Resources declarou na bolsa australiana para Boundiali?
O documento mais recente que a Aurum Resources enviou à bolsa, de 7 de agosto, repete a estimativa de recursos de 14 de maio: 3,22 milhões de onças de ouro em Boundiali, segundo o comunicado da Aurum à ASX. Desse total, 1,70 milhão de onças está na categoria “indicado”, a de maior confiança entre as duas que o projeto tem.
A conversão é simples: uma onça troy tem 31,1035 gramas. Os 3,22 milhões de onças dão 100,2 toneladas. As 115 toneladas ditas em Abidjan equivalem a cerca de 3,7 milhões de onças, ou seja, meio milhão de onças a mais do que a última estimativa publicada.
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O número também não é o do grupo inteiro. A Aurum soma 4,38 milhões de onças com o projeto vizinho de Napié, de 1,16 milhão, o que dá cerca de 136 toneladas.
A diferença também aparece na imprensa da Costa do Marfim. O Alwihda Info cita Wang dizendo “cerca de 100 toneladas”. O Fratmat registra 115 e atribui a mesma frase ao ministro das Minas, Mamadou Sangafowa-Coulibaly: os recursos “atingem agora 115 toneladas e podem aumentar”.
Qual a diferença entre recurso e reserva de ouro, e quanto de Boundiali é reserva?
Recurso é o ouro que a geologia indica estar no solo, sem provar que compensa tirar. Reserva é a parte que o estudo econômico mostra ser viável de minerar, com custo, preço e processo definidos. Os recursos da Aurum incluem a reserva, não se somam a ela.
Em 11 de junho, a Aurum Resources entregou o estudo de pré-viabilidade, que declarou a primeira reserva de Boundiali: 1,21 milhão de onças, cerca de 38 toneladas, de acordo com o resumo do estudo publicado pela FilingReader. É pouco mais de um terço do total anunciado em Abidjan.
Os recursos que ainda não são reserva ficam em duas faixas. Os 1,70 milhão de onças em “indicado” são os que o estudo usou como base. O restante, 1,52 milhão de onças pela conta de 3,22 menos 1,70, está na categoria “inferido”, a de menor confiança.
A Aurum Resources já avisou que a estimativa deve crescer. Na mesma divulgação de 7 de agosto, Wang escreveu que os furos mais recentes encontraram ouro fora do limite atual dos recursos.
O que o estudo de Boundiali diz sobre produção, vida da mina e lucro?
O estudo de junho prevê uma usina de 6 milhões de toneladas de minério por ano e 11 anos de operação, com 1,5 milhão de onças de ouro produzidas, conforme o resumo da FilingReader. A média dá 136 mil onças por ano, cerca de 4,2 toneladas anuais (conta de 1,5 milhão dividido por 11).
O valor presente líquido depois de impostos, com desconto de 5% ao ano, muda muito com o preço do ouro. A US$ 2.900 por onça, o estudo dá US$ 553 milhões. A US$ 4.076 por onça, que a empresa chama de média do consenso do mercado, o valor sobe para US$ 1,5 bilhão.
Em Abidjan, capital econômica da Costa do Marfim, a conversa foi outra. A AIP registra produção estimada de 6,2 toneladas por ano a partir do primeiro semestre de 2028, com usina de 6,8 milhões de toneladas de minério anuais. Nessa mesma reportagem, Wang fala em chegar a até 30 toneladas por ano depois de mais três anos de sondagem intensa.
A meta de 30 toneladas fica distante dos números do estudo, na versão resumida: seria sete vezes a média de 4,2 toneladas. Nenhum dos textos que citam a fala explica como a mina chegaria lá. O próprio Fratmat reproduz os 30 toneladas e os 6,2 sem conciliá-los.
Quanto a mina de ouro de Boundiali deve custar, quando começa e quantos empregos cria?
A AIP e o Fratmat falam em investimento de cerca de US$ 503 milhões, perto de 295 bilhões de francos CFA. O Koaci fala em “mais de 200 bilhões” de francos CFA e em cerca de 11 anos de exploração, com início da produção no primeiro semestre de 2028.
As datas de início também variam entre as fontes. Wang disse em Abidjan que a obra começa no fim de 2026. O Smallcaps, site australiano de mineração, fala em possível início de construção no começo de 2027. A Aurum Resources diz que o estudo de viabilidade definitivo sai no fim deste ano.
Empregos: cerca de 4.200 na fase de construção e mais de 2.200 na produção, diretos e indiretos, conforme a AIP. O Koaci soma 18 bilhões de francos CFA para as localidades afetadas e cerca de 865 bilhões de arrecadação para o Estado ao longo da vida da mina.
Parte do ouro também ficaria com o governo. A Aurum informa na ASX que o Estado da Costa do Marfim recebe 10% de participação gratuita nas futuras empresas de produção dos projetos.
Por que a Costa do Marfim destaca Boundiali como a quarta grande mina de ouro?
O ministro Sangafowa-Coulibaly chamou Boundiali de descoberta “de classe mundial” e de quarta desse porte no país nos últimos anos, de acordo com a AIP. O Koaci cita as outras três: Koné, da Montage Gold, Assafou-Dibibango, da Endeavour Mining, e Doropo, da Resolute Mining.
A mesma reportagem lembra a meta da Costa do Marfim de ser o maior produtor de ouro da África até 2035. Boundiali fica na mesma faixa de rochas de Syama, mina da Resolute no Mali, e de Tongon, da Atlantic Group, a leste, de acordo com a Aurum.
O que falta para fechar a conta é a próxima estimativa. A Aurum prometeu no comunicado de 7 de agosto uma atualização para o fim do terceiro trimestre. O Smallcaps fala em “início do trimestre de dezembro”, com corte dos furos em 30 de setembro. Se a nova estimativa chegar perto de 3,7 milhões de onças, as 115 toneladas ganham documento. Se ficar perto de 3,22, o número dito em Abidjan segue sem estimativa publicada que o sustente.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

