SC
Faça um comentário
5 min de leitura
Empresa brasileira projeta navio “expansível” que nasce com 80 metros e pode chegar a 144 metros para instalar turbinas eólicas no mar
Escrito por Ana Alice
Publicado em 06/10/2026 às 19:42
Atualizado em 06/10/2026 às 19:45
Indústria Naval
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Projeto desenvolvido pela Oceânica prevê construção em duas etapas e permite que embarcação inicialmente voltada ao apoio offshore seja ampliada para atender operações ligadas à instalação de parques eólicos no mar.
A brasileira Oceânica Engenharia desenvolve uma embarcação multipropósito que será construída no estaleiro Enav, em Navegantes (SC), com uma característica pouco comum: o projeto prevê uma primeira configuração com 80 metros de comprimento e possibilidade de ampliação para 144 metros em uma segunda etapa.
A versão maior poderá atuar no transporte de componentes pesados usados na implantação de parques eólicos offshore.
O plano começou a ser desenvolvido pela Oceânica no início de 2026. Em julho, José Luís Baptista Junior, diretor de energias renováveis da companhia, informou que a construção já havia começado e explicou que a estratégia de dividir o projeto em duas fases está ligada ao ritmo de desenvolvimento do mercado brasileiro de energia eólica no mar.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Na configuração inicial, a embarcação terá características de um PSV, sigla para Platform Supply Vessel, tipo de navio utilizado no transporte de suprimentos e apoio a operações offshore.
A estrutura, porém, será preparada desde a construção para receber uma ampliação posterior, caso a demanda ligada aos parques eólicos avance.
Projeto poderá crescer de 80 para 144 metros
A diferença entre as duas etapas é significativa. O primeiro estágio prevê um navio de aproximadamente 80 metros, enquanto a ampliação poderá levar o comprimento total a 144 metros.
Não se trata, portanto, de uma embarcação que aumenta de tamanho durante a operação. O conceito apresentado pela Oceânica prevê que o casco inicial seja construído já considerando uma futura segunda etapa, na qual o navio poderá receber a extensão planejada.
Caso essa ampliação seja executada, a embarcação passará a atuar como um Heavy Lift, categoria associada ao transporte de cargas pesadas.
Segundo Baptista Junior, a configuração permitiria movimentar peças utilizadas na implantação de parques eólicos offshore, além de atender às necessidades de manobrabilidade desse tipo de operação.
A escolha desse formato permite que o projeto tenha uma utilização alternativa caso o mercado de eólicas no mar avance em ritmo diferente do esperado.
Se a segunda etapa não for executada, a previsão apresentada pela companhia é empregar o navio como PSV no segmento de petróleo e gás.
“Já começou a construção do barco. Se esse projeto de offshore não sair a tempo ou se a gente não tiver esse caminho claro na nossa frente, ele vai virar um PSV e vai trabalhar no mercado de petróleo e gás”, afirmou Baptista Junior na entrevista publicada em julho pelo Sinaval.
O navio será construído pela Enav Reparo Naval, em Navegantes, município que concentra atividades ligadas à construção, manutenção e apoio marítimo em Santa Catarina.
O projeto recebeu prioridade do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante para obtenção de empréstimos com recursos do FMM.
A Resolução nº 242, de 10 de abril de 2026, registra um valor total de R$ 81.041.272,80 para a construção de uma embarcação do tipo PSV destinada à Oceânica no estaleiro Enav.
A concessão de prioridade não significa que o financiamento já tenha sido integralmente contratado ou desembolsado. O mecanismo permite que projetos aprovados pelo conselho busquem crédito junto aos agentes financeiros habilitados a operar com recursos do fundo.
Na entrevista publicada em julho, Baptista Junior afirmou que a Oceânica ainda discutia a operação com instituições financeiras para garantir o crédito.
À época, ele também informou que o aço destinado ao navio havia sido adquirido da Gerdau.
Em abril, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o empreendimento tinha previsão de gerar 350 empregos diretos em Santa Catarina. O anúncio oficial tratou a iniciativa como um projeto de construção de embarcação de apoio marítimo apresentado pela Oceânica e executado pela Enav.
Navio acompanha avanço da eólica offshore no Brasil
A possibilidade de transformar o PSV em uma embarcação voltada às operações de Heavy Lift está diretamente ligada ao desenvolvimento da cadeia de energia eólica offshore no Brasil.
Quando apresentou o projeto, a Oceânica destacou que a decisão sobre a segunda etapa dependeria do amadurecimento desse mercado. Desde então, houve novos movimentos regulatórios relacionados ao aproveitamento de energia no mar.
O Brasil possui desde janeiro de 2025 a Lei nº 15.097, que estabelece o marco legal para o aproveitamento do potencial energético offshore.
Em abril de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética também definiu diretrizes para a regulamentação da atividade.
Poucos dias depois da publicação da reportagem que revelou os detalhes do navio, o Ministério de Minas e Energia informou, em 28 de julho, a conclusão de uma metodologia para selecionar possíveis áreas destinadas a projetos de geração eólica no mar.
O trabalho foi elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética e considera critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos.
Esse processo regulatório é relevante para o projeto naval porque a configuração definitiva da embarcação depende da existência de demanda para instalação e movimentação de componentes de parques offshore.
Enquanto esse mercado não estiver consolidado, a Oceânica mantém a possibilidade de usar o primeiro estágio do navio nas atividades de apoio marítimo.
PSV mantém alternativa para o mercado de petróleo e gás
A operação como PSV oferece uma utilização independente da expansão para 144 metros.
Esse tipo de embarcação transporta materiais, equipamentos e suprimentos necessários às unidades offshore e faz parte de uma atividade em que a Oceânica já mantém presença no Brasil.
A companhia atua em engenharia submarina, navegação e serviços offshore e opera uma frota própria voltada principalmente às demandas de petróleo e gás.
Assista o vídeo
Em setembro, uma entrevista concedida por um executivo da empresa à Brasil Energia citou uma frota de 19 embarcações e a preparação para incorporar uma vigésima unidade, embora a publicação não identifique essa nova embarcação como sendo o projeto construído na Enav.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

