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Banco do Brasil desaba 6,4% em um dia depois que o JPMorgan rebaixa a ação para venda e prevê lucro R$ 4,7 bilhões menor em 2026
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 06/10/2026 às 19:33
Atualizado em 06/10/2026 às 19:34
Economia
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A ação do Banco do Brasil foi a que mais caiu no Ibovespa nesta terça-feira (6), depois que o JPMorgan rebaixou o papel para venda. O banco americano projeta para o BB um lucro de R$ 16 bilhões em 2026, R$ 4,7 bilhões abaixo do registrado em 2025, e diz que a virada pode levar anos.
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) fecharam esta terça-feira (6) em queda de 6,42%, cotadas a R$ 24,64, segundo o InfoMoney. Foi a maior baixa do Ibovespa no dia. O tombo veio depois de um relatório do JPMorgan que tirou o BB da recomendação neutra e o colocou em underweight, termo do mercado que equivale a venda.
O movimento chamou atenção também pelo volume. Até as 13h20, o papel já tinha girado cerca de R$ 1,57 bilhão na bolsa, bem acima das sessões anteriores. No mesmo pregão, o Bradesco (BBDC4) foi para o lado oposto: subiu 4,40%, a R$ 22,80, depois de ser promovido pelo mesmo relatório para compra.
Por que o JPMorgan desistiu do BB depois do rali
O relatório saiu logo depois do rali da bolsa brasileira na segunda-feira (5), quando a maioria das ações de bancos subiu entre 15% e 30% em relação ao fechamento de sexta-feira (2), segundo o E-Investidor, do Estadão. O BB pegou carona: acumulava alta de cerca de 16% desde aquela sexta e de 50% desde 15 de agosto.
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Para os analistas do banco americano, a ação andou mais rápido do que o negócio. O preço-alvo para dezembro de 2027 até subiu, de R$ 22 para R$ 23. Mas, comparado aos R$ 26,30 de referência usados no relatório, o novo alvo indica espaço de queda de cerca de 13%. Mesmo depois do tombo desta terça, os R$ 23 ficam uns 6,7% abaixo do fechamento.
A conta que derruba a tese é a da rentabilidade. O BB negocia perto de 0,8 vez o valor patrimonial, o que parece barato à primeira vista. Só que o retorno sobre o patrimônio (ROE) do banco roda perto de 8%, contra cerca de 20% na época em que a ação valia entre 1,1 e 1,2 vez o patrimônio. Barato, para o JPMorgan, tem motivo.
Lucro R$ 4,7 bilhões menor e retorno de 8,7% em 2026
As projeções do relatório, publicadas pelo InfoMoney, mostram o tamanho do buraco. O JPMorgan espera um lucro líquido ajustado de R$ 16 bilhões para o Banco do Brasil em 2026, contra R$ 20,7 bilhões em 2025. Pelas contas do CPG, é um recuo de cerca de 23% em um ano.
A recuperação aparece só mais adiante: R$ 22,6 bilhões em 2027 e R$ 27,1 bilhões em 2028. O ROE projetado segue a mesma trilha, com 8,7% em 2026, 11,8% em 2027 e 13% em 2028. O banco americano chama 2027 de “ano desafiador” e põe a retomada em 2028. Ao mesmo tempo, cortou entre 4% e 5% as estimativas de lucro do BB e diz não ver, no curto prazo, um gatilho claro para revisões para cima.
Bradesco vira compra e Itaú segue o preferido
Na mesma revisão, o JPMorgan elevou o preço-alvo do Bradesco de R$ 22 para R$ 26, o que indica alta de cerca de 19%, e manteve o Itaú Unibanco (ITUB4) como compra, com alvo subindo de R$ 51 para R$ 60. A comparação entre os dois bancos rebaixado e promovido ajuda a entender a troca:
Na projeção para 2026, o lucro esperado do Bradesco fica 75% acima do previsto para o BB. Os analistas dizem que o plano de recuperação do Bradesco já mostra evolução, com custo de risco menor e margens melhores nos últimos trimestres.
Agro, real forte e El Niño: os riscos que pesam no BB
O maior peso continua sendo o campo. O relatório incorporou uma leitura mais dura da inadimplência do agronegócio a partir dos dados de julho e agosto, segundo o UOL. O próprio JPMorgan lembra que o BB tem exposição relevante ao agronegócio, e a deterioração dessa carteira tende a pressionar lucro, rentabilidade e o pagamento de dividendos.
Outros dois fatores entram na conta. Segundo o relatório, um real mais forte tende a não ajudar, e o risco de El Niño permanece. Há ainda um efeito curioso da taxa Selic: juros menores aliviam a inadimplência, mas beneficiam menos o BB do que os bancos privados, porque a vantagem histórica do banco é justamente captar dinheiro barato, com depósitos fortes e muita liquidez.
Onde o gráfico da ação está agora
A queda desta terça fez a ação perder a região de R$ 25,19, que era o primeiro suporte apontado em análise técnica do InfoMoney. O índice de força relativa de nove períodos, que estava em 83 pontos na véspera (nível de sobrecompra), caiu para perto de 63.
Mesmo assim, o papel segue acima da média móvel de 21 dias, em R$ 23,24, e da média de 200 dias, em R$ 21,87. São essas as próximas referências que o mercado vai observar nos próximos pregões, e o alvo de R$ 23 do JPMorgan fica justamente entre elas.
O que o rebaixamento muda e o que não muda
O relatório trata do preço da ação e das projeções de lucro. Ele não fala de mudança em conta, cartão, crédito ou qualquer serviço para quem é cliente do banco. Para quem tem BBAS3 na carteira, o ponto de atenção é outro: o próprio JPMorgan liga a pressão no agro à capacidade do BB de distribuir dividendos nos próximos anos.
O banco americano reconhece qualidades que continuam de pé, como a rede de depósitos, a liquidez e o custo de captação mais baixo. A avaliação é que hoje existem, dentro do próprio setor, opções com relação entre risco e retorno melhor. Recomendações de casas de análise mudam com frequência e não são garantia de resultado; esta reportagem não é indicação de compra ou venda.
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Banco do Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

