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Mina de ouro no Pará vende primeiro lote de 74,6 kg por cerca de R$ 52 milhões e acelera Cuiú Cuiú com planta operando 24 horas por dia antes da produção comercial
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 06/10/2026 às 19:29
Atualizado em 06/10/2026 às 19:30
Mineração
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A mina de Cuiú Cuiú, no Pará, vendeu mais de 2.400 onças de ouro por cerca de R$ 52 milhões, colocou os circuitos seco e úmido em operação 24 horas e agora acelera o ramp-up para produção comercial ainda em 2026.
A mina de ouro de Cuiú Cuiú, no sudoeste do Pará, entrou em uma nova fase depois de realizar sua primeira venda comercial de ouro e colocar os circuitos seco e úmido para funcionar 24 horas por dia. A Cabral Gold informou que vendeu mais de 2.400 onças de ouro, cerca de 74,6 quilos, a uma refinadora no Brasil, em uma operação que marcou o início da geração de receita do projeto.
O lote foi negociado a um preço líquido médio superior a US$ 4.200 por onça. Considerando o volume vendido, a operação superou US$ 10 milhões e foi estimada pela imprensa especializada em aproximadamente R$ 52 milhões. A venda aconteceu poucas semanas depois do primeiro derramamento de ouro da mina, anunciado em setembro, e confirma que a cadeia entre lavra, processamento, produção de doré, transporte e comercialização já está funcionando.
Cuiú Cuiú acelera operação e coloca planta para funcionar 24 horas por dia
Com o comissionamento praticamente concluído, a equipe da mina passou a operar os circuitos seco e úmido em dois turnos diários, mantendo a planta ativa durante 24 horas. A mudança ocorreu antes do previsto, depois que a empresa conseguiu estabilizar a taxa de empilhamento de minério nas pilhas de lixiviação usando inicialmente apenas um turno.
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A mineração ainda funciona majoritariamente em jornadas de 12 horas. Durante a noite, a planta seca é alimentada por estoques de minério ROM acumulados ao longo do dia. Essa combinação permite manter o processamento contínuo enquanto a operação avança para a capacidade planejada.
A Cabral Gold afirma que o próximo objetivo é elevar gradualmente as taxas diárias de produção até atingir a capacidade de projeto. Depois desse ramp-up, a companhia pretende declarar oficialmente o início da produção comercial, ainda esperado para o quarto trimestre de 2026.
Primeira venda confirma que a mina começou a gerar receita
O primeiro lote comercial reduz a distância entre a construção do projeto e uma operação capaz de produzir caixa de forma recorrente. Segundo a companhia, a venda comprova que os principais elos operacionais já estão conectados: extração do minério, processamento, produção do bullion doré, envio e venda para uma refinadora brasileira.
O avanço ocorre depois de uma sequência rápida de etapas. Em julho, a Cabral Gold informou que a construção do circuito seco estava concluída e que o projeto da Fase 1 estava cerca de 85% completo. Em setembro, veio o primeiro derramamento de ouro, com aproximadamente 1.130 onças produzidas durante o comissionamento. Agora, a primeira venda transforma essa produção inicial em receita efetiva.
A operação da Fase 1 é baseada no processamento de ouro em material oxidado próximo à superfície por lixiviação em pilha. O modelo foi escolhido para colocar Cuiú Cuiú em produção com um projeto inicial de menor porte e menor exigência de capital, enquanto a empresa continua avaliando a expansão para os recursos de rocha dura existentes no distrito.
Projeto no Tapajós mira produção comercial ainda em 2026
Cuiú Cuiú está localizado na Província Mineral do Tapajós, uma das áreas auríferas mais importantes do Pará. A Cabral Gold controla 100% do projeto e trabalha com uma estratégia em duas etapas: primeiro, gerar caixa com a operação de óxidos da Fase 1; depois, usar esse avanço para apoiar a avaliação e o desenvolvimento de uma operação maior sobre os recursos de rocha fresca.
Os números de recursos ajudam a explicar por que a empresa vê espaço para expansão. A Cabral informa recursos indicados de 12,29 milhões de toneladas com teor médio de 1,14 grama de ouro por tonelada em material de rocha fresca, além de 13,56 milhões de toneladas de material oxidado com teor médio de 0,50 grama por tonelada. Também existem recursos inferidos adicionais nas duas categorias.
A empresa afirma que a operação segue dentro do orçamento e do cronograma previstos. O foco dos próximos meses será aumentar o ritmo diário de processamento, melhorar as recuperações metalúrgicas e consolidar uma fonte estável de fluxo de caixa operacional. Esse desempenho será decisivo para a declaração formal de produção comercial e para o planejamento da expansão futura.
Estratégia é usar o caixa inicial para ampliar Cuiú Cuiú
A lógica da Cabral Gold é transformar a operação inicial em uma plataforma para um projeto maior. A companhia já indicou que o caixa da Fase 1 poderá ajudar a financiar novas perfurações, ampliar a base de recursos e avançar os estudos ligados à Fase 2, voltada ao material de rocha dura.
Esse plano ganhou reforço em agosto, quando a empresa concluiu uma colocação privada de US$ 45 milhões com um investidor estratégico. Na ocasião, a Cabral afirmou que os recursos aumentariam sua capacidade de expandir a mina da Fase 1 e acelerar o desenvolvimento do potencial de longo prazo de Cuiú Cuiú.
A primeira venda de ouro não encerra o ramp-up, mas muda o status econômico do projeto: Cuiú Cuiú passa a ter receita real enquanto busca escala comercial. O próximo teste será manter a operação contínua, elevar o volume processado e transformar os primeiros lotes em produção recorrente.
Você acredita que Cuiú Cuiú pode se tornar um dos projetos de ouro mais relevantes do Tapajós nos próximos anos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

