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Interior de São Paulo vai fabricar 40 barcaças com investimento previsto de R$ 155,8 milhões e transformar estaleiro de Araçatuba em fornecedor de embarcações para transportar madeira
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 26/10/2026 às 23:04
Atualizado em 26/10/2026 às 23:05
Indústria Naval
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Projeto da MSFC Florestal recebeu prioridade de financiamento do Fundo da Marinha Mercante e prevê 66 empregos diretos, produção em 20 meses e comboios fluviais destinados ao abastecimento da indústria de celulose da Bracell.
A indústria naval do interior de São Paulo está diante de um projeto de R$ 155,8 milhões para construir 40 barcaças destinadas ao transporte de madeira. As embarcações serão fabricadas na unidade do Estaleiro Rio Maguari, em Araçatuba, e deverão integrar uma operação hidroviária ligada ao abastecimento da fábrica de celulose da Bracell.
O projeto pertence à MSFC Florestal, empresa responsável por parte do fornecimento de madeira utilizada pela fabricante de celulose. A iniciativa recebeu prioridade de financiamento do Fundo da Marinha Mercante (FMM) durante reunião realizada em 8 de outubro de 2026.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, que divulgou o empreendimento em 19 de outubro, a construção terá prazo previsto de 20 meses e estimativa de geração de 66 empregos diretos. Cada barcaça contará com porões de 2.406 metros cúbicos, dimensionados para receber a carga transportada pelos comboios fluviais.
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A movimentação é relevante porque leva uma encomenda expressiva de embarcações para uma região mais conhecida pelas atividades agroindustriais do que pela fabricação de navios.
O investimento também conecta dois setores que normalmente aparecem separados nas notícias econômicas: a indústria de celulose e a construção naval.
Quarenta barcaças serão construídas em Araçatuba para transportar madeira por hidrovias
A encomenda prevê a fabricação de 40 embarcações utilizadas no transporte fluvial de cargas.
Diferentemente de navios mercantes convencionais, as barcaças desse projeto serão movimentadas por empurradores, embarcações motorizadas responsáveis pela condução dos conjuntos ao longo das hidrovias.
Segundo os dados apresentados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, cada comboio será formado por um empurrador e quatro barcaças.
Como cada unidade terá porões com volume de 2.406 metros cúbicos, um conjunto de quatro barcaças reunirá 9.624 metros cúbicos de capacidade volumétrica nominal de porões.
O conjunto das 40 embarcações representará 96.240 metros cúbicos de volume de porões.
Esses números não devem ser confundidos com capacidade de carga em toneladas. O volume de madeira efetivamente transportado dependerá de fatores como densidade, acomodação da carga, condições operacionais e limites de peso das embarcações.
A divisão das 40 unidades em conjuntos de quatro também corresponde à possibilidade de formar dez grupos de barcaças. Isso não significa que dez comboios completos, incluindo seus respectivos empurradores, já tenham sido contratados.
O anúncio federal especifica a quantidade de barcaças, mas não apresenta uma encomenda adicional de dez empurradores.
Estaleiro Rio Maguari produzirá embarcações ligadas à cadeia de celulose da Bracell
A fabricação ocorrerá nas instalações do Estaleiro Rio Maguari em Araçatuba.
Embora a empresa seja associada à construção de embarcações fluviais, a nova encomenda possui uma característica particular: será destinada ao abastecimento de uma indústria de celulose.
A MSFC Florestal responde por parte do suprimento de madeira necessário às operações da Bracell no estado de São Paulo.
Com o novo projeto, a cadeia produtiva passará a contar com embarcações especialmente destinadas à movimentação dessa matéria-prima por via aquaviária.
O modelo estabelece uma ligação industrial entre o setor florestal, a construção naval e o transporte de cargas.
Para produzir celulose, uma fábrica precisa receber grandes quantidades de madeira de forma contínua. Isso exige uma estrutura logística capaz de acompanhar o ritmo industrial e reduzir interrupções no abastecimento.
A escolha de barcaças indica a intenção de utilizar a navegação interior como parte dessa organização logística.
O projeto tem potencial para ampliar a utilização do transporte hidroviário, mas o comunicado oficial não apresenta estimativas de redução de custos, economia de combustível ou diminuição das emissões de poluentes. Esses resultados dependerão das características da operação.
Investimento de R$ 155,8 milhões representa quase R$ 3,9 milhões por barcaça
O valor global priorizado para o projeto é de R$ 155,8 milhões.
Dividido pelas 40 unidades previstas, o montante corresponde a uma média aritmética de aproximadamente R$ 3,895 milhões por barcaça.
Esse cálculo serve apenas para dimensionar a encomenda. Não representa necessariamente o preço individual contratado de cada embarcação, já que o valor total do empreendimento pode abranger outros custos associados à construção.
O prazo de execução informado é de 20 meses.
A estimativa de 66 empregos diretos envolve a realização do projeto, não a abertura imediata de 66 vagas para contratação.
A execução deverá demandar atividades típicas da indústria naval, como fabricação de estruturas metálicas, montagem de cascos, soldagem, instalação de componentes e preparação das unidades para entrega.
A fabricação seriada de 40 embarcações também permite organizar etapas semelhantes de produção, uma característica importante para estaleiros que trabalham com modelos padronizados.
Quanto maior a repetição de um mesmo projeto, maiores são as oportunidades de padronizar processos, organizar fornecedores e programar a utilização de equipamentos e mão de obra.
O ganho efetivo de produtividade, entretanto, dependerá da organização industrial adotada pelo estaleiro.
MSFC Florestal será proprietária das barcaças, mas outra empresa fará a navegação
Um detalhe do projeto ajuda a compreender como a operação deverá funcionar.
As 40 barcaças pertencerão à MSFC Florestal. A navegação, porém, será executada por uma empresa contratada para prestar o serviço.
A estrutura separa a propriedade dos equipamentos da operação do transporte aquaviário.
Na prática, a MSFC será responsável pelas embarcações destinadas à sua logística, enquanto um operador especializado ficará encarregado da navegação contratada.
O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) também destacou essa divisão ao divulgar os detalhes do empreendimento.
A contratação de um operador externo poderá permitir que a proprietária das barcaças concentre sua atuação no fornecimento de madeira, enquanto a execução da navegação permanece sob responsabilidade de uma empresa com atividade específica nesse setor.
A documentação divulgada não identifica a futura operadora nem especifica todas as rotas que serão utilizadas pelos comboios.
O ponto central, porém, está definido: as embarcações terão uma aplicação industrial concreta, vinculada ao abastecimento de madeira da cadeia de celulose em São Paulo.
Fundo da Marinha Mercante incluiu as 40 barcaças em pacote de R$ 2,29 bilhões para o Sudeste
A encomenda de Araçatuba integra um conjunto de projetos priorizados pelo Fundo da Marinha Mercante durante a 64ª reunião de seu Conselho Diretor.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, as propostas da Região Sudeste somam aproximadamente R$ 2,29 bilhões e abrangem construção naval, modernização de instalações e infraestrutura portuária.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a carteira contempla a modernização do Estaleiro Aliança, em Niterói, com investimento previsto de R$ 288,9 milhões.
No Espírito Santo, o maior projeto anunciado é o terminal da Hanseatic Global Terminals Aracruz, com aproximadamente R$ 1,119 bilhão.
Em São Paulo, o destaque da carteira foi justamente a construção das 40 barcaças da MSFC Florestal.
Os projetos atendem necessidades distintas, mas compartilham uma característica: dependem de infraestrutura industrial e aquaviária para movimentar cargas ou atender embarcações.
O Fundo da Marinha Mercante é um instrumento de financiamento utilizado para apoiar atividades da indústria naval e do transporte aquaviário brasileiro.
A prioridade concedida pelo Conselho Diretor, entretanto, não equivale à liberação imediata dos R$ 155,8 milhões.
O projeto ainda precisa cumprir as etapas de análise e contratação do financiamento junto às instituições responsáveis.
Próxima etapa será contratar o financiamento e iniciar a fabricação das barcaças
O empreendimento chega à etapa seguinte com números definidos: 40 barcaças, R$ 155,8 milhões em investimento previsto, 66 empregos diretos estimados e cronograma de 20 meses.
A contratação do financiamento e a execução industrial serão os próximos passos necessários para transformar a proposta em embarcações prontas para operar.
O impacto da encomenda vai além do número de unidades. O projeto coloca a construção naval de Araçatuba dentro de uma cadeia logística diretamente ligada à produção brasileira de celulose.
Para o Estaleiro Rio Maguari, a encomenda representa a perspectiva de fabricar uma série de embarcações destinadas a um cliente industrial. Para a MSFC Florestal, significa estruturar uma frota própria de barcaças que será utilizada por um operador de navegação contratado.
Caso seja executado conforme o planejamento, o investimento deverá transformar aço produzido e montado no interior paulista em equipamentos de transporte destinados a abastecer uma das cadeias industriais relevantes do agronegócio brasileiro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

