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Rio Madeira volta a subir, mas permanece abaixo do nível de referência para restringir a navegação e mantém em alerta hidrovia que transportou 12,1 milhões de toneladas em 2025
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/10/2026 às 20:55
Atualizado em 19/10/2026 às 20:56
Logística e Transporte
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Após chegar a apenas 2,46 metros, rio recuperou parte do nível nesta segunda-feira, mas ainda preocupa autoridades por sua importância no transporte de grãos, petróleo e combustíveis
O rio Madeira voltou a subir nesta segunda-feira (19 de outubro), alcançando 3,15 metros em Porto Velho, Rondônia, mas permanece abaixo da referência de 4 metros utilizada para o início de restrições à navegação. A situação mantém em alerta uma das principais rotas logísticas da Amazônia, responsável pelo transporte de milhões de toneladas de produtos agrícolas, petróleo e mercadorias essenciais ao abastecimento regional.
Um relatório do Ministério de Portos e Aeroportos, divulgado pela Folha de S.Paulo em 18 de outubro, revelou que o Madeira encerrou setembro com apenas 3,07 metros, após perder 1,37 metro durante o mês. O documento também identificou condições preocupantes nas hidrovias dos rios Tapajós e Paraguai, importantes corredores de transporte do Brasil.
Rio Madeira chegou a 2,46 metros antes de registrar recuperação nesta segunda-feira
A situação tornou-se ainda mais preocupante em outubro. Segundo a Defesa Civil de Porto Velho, o nível do Madeira chegou a 2,46 metros, ficando 1,47 metro abaixo da média histórica do mês, de 3,93 metros.
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Entretanto, uma atualização divulgada nesta segunda-feira mostrou recuperação de 69 centímetros em relação à medição da sexta-feira anterior, elevando a cota para 3,15 metros.
Apesar da melhora, bancos de areia, pedras e obstáculos continuam oferecendo riscos à navegação. A Defesa Civil recomenda atenção especial aos trechos rasos e aos canais que ficam mais estreitos durante a estiagem.
Referências de 4 metros e 2 metros mostram a preocupação com a navegação
O relatório federal estabelece duas referências importantes para o Madeira: 4 metros para o início de restrições operacionais e 2 metros para a possibilidade de paralisação da navegação.
Esses parâmetros não representam uma proibição automática para todas as embarcações. As condições dependem das características de cada trecho, do tipo de embarcação e da carga transportada.
Também é importante diferenciar a altura registrada na régua de Porto Velho da profundidade efetiva dos canais utilizados pelas embarcações.
Até o momento, não há confirmação de suspensão generalizada do transporte na hidrovia.
Hidrovia movimentou 12,1 milhões de toneladas em apenas um ano
A dimensão econômica do problema aparece nos números oficiais. Conforme o Ministério de Portos e Aeroportos, a hidrovia do Madeira transportou 12,1 milhões de toneladas de cargas em 2025, crescimento de 20,4% em relação ao ano anterior.
Desse volume, aproximadamente 7 milhões de toneladas corresponderam à soja, 3 milhões ao milho e 1 milhão ao petróleo.
A rota conecta Porto Velho ao rio Amazonas e aos portos do Arco Norte, permitindo que parte da produção agrícola do Centro-Oeste siga em direção aos mercados consumidores e internacionais.
Redução da profundidade pode aumentar os custos para transportar grãos e combustíveis
Quando o nível dos rios diminui, grandes embarcações podem enfrentar dificuldades para atravessar determinados trechos com segurança.
Entre as possíveis consequências estão a redução da quantidade de carga por viagem, a necessidade de reorganizar comboios de barcaças e o aumento dos custos operacionais.
O problema também preocupa municípios amazônicos que dependem do transporte fluvial para receber combustíveis, alimentos e outros produtos essenciais.
Caso as limitações se intensifiquem, parte das mercadorias poderá precisar de rotas alternativas, com impactos sobre prazos de entrega e custos logísticos. Essas consequências representam riscos potenciais, não perdas já confirmadas para outubro de 2026.
Governo assinou contrato de R$ 123,6 milhões para dragagem do Madeira
Para preservar as condições de navegação, o governo federal assinou em maio de 2026 um contrato de R$ 123,6 milhões para serviços de dragagem de manutenção no rio Madeira.
As intervenções abrangem o trecho entre Porto Velho e a foz do rio, incluindo a travessia da BR-230. O contrato tem vigência até novembro de 2029.
Os serviços buscam remover sedimentos acumulados, melhorar a segurança das embarcações e reduzir os impactos provocados pelos períodos de estiagem.
A iniciativa integra o planejamento federal para manutenção das hidrovias amazônicas.
Rio Tapajós também enfrenta pontos críticos e movimenta 16,8 milhões de toneladas
O alerta não está restrito a Rondônia. No Pará, o levantamento federal identificou profundidades de 3,15 metros em Itapaiúna e 2,99 metros em Monte Cristo, dois pontos considerados críticos do Tapajós.
A hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas em 2025, sendo soja e milho responsáveis por 88,4% desse volume.
A preocupação aumentou depois que o DNIT cancelou, em setembro, uma licitação de R$ 74,8 milhões para dragagem de manutenção, em meio a questionamentos ambientais e à necessidade de diálogo com comunidades indígenas e tradicionais.
Rio Paraguai também preocupa o setor de transporte
No Pantanal, o rio Paraguai apresentou níveis inferiores às medianas históricas. Em Ladário, Mato Grosso do Sul, a medição de 30 de setembro registrou 1,18 metro, diante de uma mediana de 2,55 metros.
A hidrovia permite a movimentação de cargas pelo Pantanal e sua conexão com portos da Argentina e do Uruguai.
Embora o cenário exija acompanhamento, as condições variam entre os diferentes trechos e não representam paralisação generalizada.
Recuperação do Madeira não elimina riscos para a logística brasileira
A elevação registrada em Porto Velho nesta segunda-feira representa uma melhora nas condições hidrológicas, mas ainda não garante o retorno à normalidade em todos os trechos.
O comportamento das chuvas, a evolução dos níveis dos rios e a execução das medidas de manutenção serão fundamentais para determinar as condições de transporte nos próximos meses.
Para uma região que depende das hidrovias para escoar sua produção e abastecer comunidades, manter os rios navegáveis significa proteger uma infraestrutura essencial à economia brasileira.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

