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Eni prepara perfuração de seis poços offshore em Moçambique e estuda terceira plataforma de gás natural com capacidade superior a 5 milhões de toneladas
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 19/10/2026 às 19:46
Atualizado em 19/10/2026 às 19:47
Setor Offshore
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Petroleira italiana avança no projeto Coral North, que deve começar a produzir em 2028, enquanto avalia uma nova unidade flutuante para ampliar as exportações de gás.
A italiana Eni pretende iniciar a perfuração de até seis poços offshore em Moçambique em novembro de 2026. A campanha faz parte do desenvolvimento do projeto Coral North, na Bacia do Rovuma, uma das principais regiões produtoras de gás natural da África. Segundo reportagem da Offshore Engineer, publicada em 16 de outubro de 2026, a empresa mantém a previsão de iniciar a produção em 2028. Além disso, já estuda a construção de uma terceira unidade flutuante de gás natural liquefeito (GNL) no país.
Coral North terá capacidade para produzir 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano
O projeto Coral North representa a segunda grande unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito da Eni em Moçambique.
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A estrutura ficará na Área 4 da Bacia do Rovuma, em águas profundas próximas à província de Cabo Delgado, no norte do país.
Com capacidade prevista de aproximadamente 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano, a instalação deverá aproveitar o gás extraído dos novos poços submarinos.
Segundo Mario Bello, responsável pelas operações da Eni na África Subsaariana, a companhia pretende começar a campanha de perfuração em novembro.
Se o cronograma avançar conforme o previsto, a nova unidade entrará em operação em 2028.
Com isso, a produção de GNL de Moçambique poderá praticamente dobrar, alcançando cerca de 7 milhões de toneladas anuais.
Atualmente, a Eni já opera a Coral South, que começou a produzir em 2022 e abriu caminho para o desenvolvimento de novos projetos na região.
A expansão mostra como as descobertas offshore podem transformar o abastecimento de gás. No Brasil, por exemplo, a Bacia de Pelotas apresenta potencial superior a 1 trilhão de metros cúbicos de gás natural recuperável, embora ainda dependa de novas perfurações para confirmar sua viabilidade comercial.
Eni também avalia terceira plataforma flutuante de gás natural
Enquanto prepara os poços do Coral North, a Eni analisa a possibilidade de instalar uma terceira unidade flutuante de GNL em Moçambique.
Segundo Mario Bello, o projeto está na fase inicial de estudos de engenharia, conhecida como pré-FEED.
Nessa etapa, a companhia avalia diferentes alternativas técnicas e econômicas antes de decidir se realizará o investimento.
A intenção é desenvolver uma instalação maior que as anteriores, com capacidade superior a 5 milhões de toneladas de GNL por ano.
Entretanto, a Eni ainda não anunciou o valor do empreendimento nem estabeleceu uma data para a decisão final de investimento.
O interesse está relacionado às grandes reservas de gás da Bacia do Rovuma e à localização estratégica de Moçambique.
O país possui acesso ao Oceano Índico, o que facilita o transporte de GNL para mercados asiáticos.
Além disso, a posição geográfica permite atender parte dessa demanda sem depender de determinadas rotas marítimas que enfrentam tensões geopolíticas.
Projetos dessa dimensão exigem investimentos elevados e planejamento de longo prazo. A Petrobras também avalia o desenvolvimento de uma descoberta offshore com mais de 6 trilhões de pés cúbicos de gás na Colômbia, em um empreendimento que ainda depende de decisões e licenças.
Investimento de US$ 7,2 bilhões impulsiona expansão do gás offshore
O Coral North já possui uma estrutura de financiamento aprovada pelo governo de Moçambique, com previsão de mobilizar até US$ 7,2 bilhões.
Em setembro de 2026, as autoridades moçambicanas aprovaram os instrumentos necessários para organizar o financiamento e a participação da estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
Além disso, a construção da unidade flutuante avançou ao longo do ano. Em janeiro, a Eni e seus parceiros realizaram o lançamento do casco em um estaleiro da Coreia do Sul.
Agora, a campanha de perfuração representa outra etapa importante para preparar o início da produção.
Entretanto, a expansão do GNL não depende apenas da descoberta de gás. As empresas também precisam de infraestrutura para processar, transportar e comercializar o combustível.
No Brasil, essa cadeia inclui os terminais de importação. Recentemente, a ANP autorizou a Petrobras a importar até 24,34 milhões de metros cúbicos de GNL por ano por terminais no Rio de Janeiro e na Bahia, conforme as condições regulatórias estabelecidas.
Em Moçambique, a Eni pretende ampliar sua presença justamente na etapa de produção e liquefação offshore.
Por enquanto, o Coral North segue com início de produção previsto para 2028, enquanto a terceira plataforma permanece em avaliação.
Se os projetos avançarem, Moçambique poderá fortalecer sua participação no comércio internacional de gás natural liquefeito. Contudo, a ampliação dependerá do cumprimento dos cronogramas e das futuras decisões de investimento.
Fonte
OE Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

