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Algaroba: Árvore trazida do Peru desafia a seca do Sertão, mantém a copa verde e carregada de vagens, mas avança sobre a Caatinga e sufoca plantas nativas
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 09/09/2026 às 13:22
Atualizado em 09/09/2026 às 13:27
Ciência e Tecnologia
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Enquanto árvores do bioma perdem as folhas para reduzir o consumo de água, espécie trazida do Peru mantém a copa viva, produz vagens e forma áreas densas no Sertão nordestino.
Quando a estiagem se prolonga e boa parte da Caatinga assume aparência seca e acinzentada, a algaroba chama atenção por continuar verde. Em algumas áreas do Sertão, a árvore ainda permanece carregada de vagens mesmo sob temperaturas elevadas e meses de pouca chuva.
A resistência está relacionada a um conjunto de características, entre elas o sistema radicular extenso e profundo. Enquanto muitas plantas dependem principalmente da umidade encontrada nas camadas superficiais do solo, a algaroba consegue explorar reservas localizadas muito abaixo da superfície.
Estudos realizados em regiões áridas mostram que exemplares do gênero Prosopis podem alcançar água subterrânea situada a dezenas de metros de profundidade. Entretanto, a profundidade efetivamente atingida varia conforme o solo, a idade da árvore, a disponibilidade de água e as condições ambientais.
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Essa capacidade ajuda a algaroba a manter atividade durante a estação seca. Uma pesquisa publicada pela revista Scientific Reports identificou que árvores de Prosopis juliflora conseguem utilizar águas subterrâneas durante períodos sem chuva, sustentando a folhagem quando outras espécies reduzem suas atividades.
Estratégia diferente das plantas nativas
A perda das folhas observada em muitas espécies da Caatinga não significa que as plantas morreram. Trata-se de uma estratégia para diminuir a transpiração e economizar água. Quando as chuvas retornam, a vegetação rapidamente volta a brotar e a paisagem recupera sua coloração verde.
A algaroba segue uma estratégia diferente. Seu sistema radicular combina raízes laterais, capazes de aproveitar a umidade próxima à superfície após as chuvas, com raízes profundas que podem buscar água durante a estiagem.
Por isso, afirmar que todas as algarobas alcançam exatamente 30 metros de profundidade seria impreciso. O mais correto é dizer que a espécie pode desenvolver raízes com dezenas de metros em condições favoráveis, obtendo acesso a reservas que permanecem fora do alcance de muitas plantas menores.
Árvore chegou ao Nordeste em 1942
A algaroba não faz parte da flora original da Caatinga. A espécie foi introduzida no Nordeste brasileiro em 1942, no município de Serra Talhada, em Pernambuco, por meio de sementes provenientes da região de Piura, no Peru, segundo informações da Fundação Joaquim Nabuco.
A árvore foi levada ao Semiárido por sua resistência às estiagens e por seu potencial econômico. Suas vagens passaram a ser utilizadas na alimentação animal, enquanto a madeira encontrou aplicação como lenha, carvão, estacas e matéria-prima para diferentes atividades rurais.
De acordo com o Instituto Nacional do Semiárido, a algaroba pode atingir de quatro a 15 metros, tolera longos períodos de estiagem e consegue se desenvolver em solos rochosos, arenosos e salinizados.
Resistência também trouxe problemas ambientais
As mesmas características que fizeram da algaroba uma alternativa para áreas secas contribuíram para sua expansão descontrolada. A árvore cresce rapidamente, espalha sementes por meio das vagens consumidas pelos animais e pode formar agrupamentos densos.
Em ambientes invadidos, esses agrupamentos disputam espaço, água, nutrientes e luz com a vegetação nativa. Um estudo sobre a Caatinga concluiu que a presença de Prosopis juliflora reduziu o crescimento e aumentou a mortalidade das espécies nativas avaliadas.
Pesquisas também apontam efeitos alelopáticos, fenômeno no qual substâncias liberadas pela planta ou por seus resíduos interferem na germinação e no desenvolvimento de outras espécies. A sombra intensa e o acúmulo de folhas sob a copa podem ampliar essa dificuldade.
Assim, a copa verde que se destaca durante a seca revela tanto a impressionante adaptação da algaroba quanto o problema provocado por sua expansão. Útil para diferentes atividades econômicas, a espécie exige manejo controlado para que sua resistência não resulte na substituição da flora nativa da Caatinga.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

