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Eneva vende térmica Porto do Itaqui para a Diamante e abandona geração a carvão, encerrando uma etapa importante da estratégia energética da companhia enquanto o mercado brasileiro acelera mudanças na matriz elétrica e busca fontes menos emissoras
Escrito por Hilton Libório
Publicado em 09/09/2026 às 13:24
Atualizado em 09/09/2026 às 13:50
Economia
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Eneva conclui venda de Itaqui à Diamante Energia, deixa o carvão e reforça foco em gás natural em meio às mudanças do mercado de energia brasileiro.
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil em 02 de setembro de 2026, a companhia acertou a venda da termelétrica Porto do Itaqui, em São Luís (MA), para a Diamante Energia. O negócio marca a saída da companhia da geração a carvão e ainda depende da aprovação do Cade e de outras condições previstas no contrato. A compradora assumirá 100% da Itaqui Geração de Energia, dona da usina de 360 MW.
Em troca, a companhia ficará com 100% da Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM) e receberá R$ 400 milhões. O acordo prevê ainda uma parcela contingente de até R$ 467 milhões, condicionada à eventual antecipação do contrato de reserva de capacidade conquistado por Itaqui no leilão de 2026.
A operação acontece poucos dias depois da venda da Porto do Pecém II para a mesma empresa. Com os dois negócios, a Eneva deixa de ter usinas a carvão no portfólio e reforça sua estratégia de gás natural e GNL.
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Térmica Porto do Itaqui muda de controlador
A Térmica Porto do Itaqui começou a operar comercialmente em fevereiro de 2013 e fica próxima ao Porto do Itaqui. A localização facilita o recebimento do carvão mineral importado usado como combustível.
A transferência coloca a usina sob controle integral da Diamante Energia. Já a companhia passa a concentrar sua participação no Pecém por meio da PPTM, responsável pela infraestrutura de transporte de carvão e outros granéis no complexo portuário cearense.
Assista o vídeo
No mercado de energia, a operação chama atenção porque Itaqui continuará relevante para a oferta de potência. A usina venceu o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 e terá novo contrato por dez anos, a partir de 2031.
Valores e condições da operação da Eneva e Diamante
Além dos R$ 400 milhões, o contrato prevê até R$ 467 milhões adicionais. A parcela contingente depende de uma eventual antecipação do início do contrato de capacidade.
Entre os principais pontos estão:
- transferência de 100% da Itaqui Geração para a Diamante Energia;
- transferência dos 50% da PPTM pertencentes à Diamante para a Eneva;
- pagamento de R$ 400 milhões;
- possibilidade de mais R$ 467 milhões;
- aprovação do Cade e cumprimento das condições precedentes.
Geração a carvão sai da carteira da Eneva
A saída da geração a carvão ocorre depois da venda da Porto do Pecém II. A operação foi concluída em 31 de agosto, com pagamento de R$ 748,4 milhões à companhia. Com Itaqui e Pecém II fora do portfólio, a geração a carvão deixa de fazer parte das operações da companhia. O movimento consolida uma direção voltada ao gás natural, à geração termelétrica associada ao combustível e à infraestrutura de GNL.
Gás natural ganha espaço
A estratégia inclui o Hub Ceará, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. A PPTM será integrada à implantação de um terminal de importação, armazenamento e regaseificação de GNL.
A infraestrutura amplia a atuação da companhia na cadeia de gás e aproxima suprimento, regaseificação e geração. Para o mercado de energia, essa integração ajuda a explicar por que o gás natural passou a ocupar espaço relevante na estratégia de expansão.
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Térmica Porto do Itaqui terá contrato até 2041
A venda da Térmica Porto do Itaqui não significa desativação da usina. A planta foi vencedora do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 e garantiu uma contratação adicional de dez anos.
Foram contratados 311,7 MW de potência da planta, com receita fixa anual de R$ 503,59 milhões, em valores da data-base do certame. O novo período de suprimento começa em 2031 e vai até 2041. Para a compradora, a aquisição amplia a presença em geração térmica a carvão. Para a companhia, a venda libera espaço estratégico para outros projetos.
Diamante Energia amplia exposição ao carvão
A aquisição fortalece a presença da Diamante Energia em um segmento que ainda participa da oferta de potência no sistema brasileiro. Com Itaqui e Pecém II, sua exposição ao carvão aumenta enquanto outras companhias buscam reduzir esse tipo de ativo. Esse contraste ajuda a entender a operação e a diferença entre as estratégias empresariais.
Enquanto uma empresa concentra capital em gás e infraestrutura, a outra amplia sua plataforma de geração térmica. O resultado é uma reorganização de ativos dentro de um setor que passa por mudanças importantes.
Hub Ceará permanece estratégico
Os projetos Jandaia II e Jandaia III somam cerca de 1,2 GW e têm contratos de capacidade por 15 anos, a partir de agosto de 2029. Com a decisão, os empreendimentos permanecem na estrutura da companhia e ganham importância dentro do Hub Ceará. As plantas estão associadas ao desenvolvimento de infraestrutura para GNL no Porto do Pecém.
Para o mercado de energia, o desenho mostra como tecnologias diferentes podem coexistir em contratos de capacidade. Itaqui seguirá utilizando carvão, enquanto os novos projetos estão ligados à expansão do gás.
Uma reorganização além de Itaqui
A operação cria uma divisão mais clara de ativos no mercado de energia. A companhia passa a controlar integralmente a PPTM, enquanto a Diamante concentra as termelétricas a carvão adquiridas.
Nesse cenário, a geração a carvão não desaparece imediatamente. Itaqui, por exemplo, tem contrato de capacidade até 2041. O que muda é o controlador e a estratégia empresarial associada ao ativo.
A própria estrutura do LRCAP 2026 mostra que o sistema brasileiro continua contratando diferentes tecnologias para garantir potência. O certame incluiu usinas a gás natural, carvão mineral e hidrelétricas, além de produtos específicos para outros combustíveis.
O que a operação sinaliza ao mercado de energia
O caso no mercado de energia mostra que a transição energética não ocorre da mesma forma para todas as empresas. A companhia reduz sua exposição ao carvão e amplia a atenção a gás natural, GNL e infraestrutura. Já a Diamante Energia segue outra direção ao aumentar sua participação em termelétricas a carvão. Contratos de capacidade de longo prazo ajudam a sustentar essa escolha.
No mercado de energia, o desafio é equilibrar segurança de abastecimento, competitividade e transformação tecnológica. A contratação de Itaqui para 2031-2041 mostra que ativos térmicos ainda podem ocupar espaço no planejamento do sistema.
Ao mesmo tempo, projetos de gás e GNL ganham relevância como alternativas de flexibilidade para uma matriz com participação crescente de fontes renováveis. A EPE também vem estruturando leilões de armazenamento em baterias, reforçando a busca por novas soluções de flexibilidade no sistema.
Uma nova fase na estratégia da Eneva
A venda da Térmica Porto do Itaqui encerra a presença da Eneva na geração a carvão e reorganiza sua carteira. O acordo combina R$ 400 milhões, possibilidade de até R$ 467 milhões adicionais e a transferência integral da PPTM. A Eneva também reforça uma mudança de perfil. A Diamante Energia amplia sua posição, enquanto a companhia concentra esforços em gás natural, GNL e projetos do Hub Ceará.
Para quem acompanha o mercado de energia, o negócio mostra como a transformação do setor pode ocorrer por operações societárias, contratos de capacidade e mudanças na alocação de capital. A geração a carvão continuará presente em Itaqui por mais anos, mas sob outro controlador.
A Eneva, por sua vez, encerra esse capítulo para avançar em uma agenda baseada no gás e na infraestrutura energética. A mudança não elimina os desafios da transição, mas deixa mais clara a direção estratégica escolhida pela companhia.
Fonte
Cnn Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Hilton Libório.

