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Homem fica sete dias desaparecido em montanha, sem comida e sem telefone, encontra abrigo em uma caverna e toca saxofone para ajudar socorristas a chegar até ele
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 02/09/2026 às 18:48
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A caminhada para esfriar a cabeça terminou em um desfiladeiro sem saída, onde chuva, pedras soltas e paredões extremamente íngremes transformaram o retorno em uma operação de resgate
O que começou como uma caminhada solitária terminou em sete dias de isolamento em uma região montanhosa de difícil acesso, sem comida, telefone ou equipamentos adequados. Um australiano de 50 anos, identificado apenas como Matthew, ficou preso em uma área da Cordilheira Costeira de Taiwan depois de descer por um barranco em busca de água e perceber que já não conseguia retornar pelo mesmo caminho.
Enquanto familiares, bombeiros e equipes especializadas tentavam descobrir onde ele estava, drones passaram a sobrevoar a montanha e transportar suprimentos. Mas outro objeto improvável também entrou na operação: o saxofone que Matthew havia decidido carregar durante a caminhada.
O instrumento, usado por ele para tocar enquanto estava isolado, acabou servindo como uma espécie de sinal sonoro para indicar sua posição aos socorristas que avançavam pela mata.
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Paulo Nogueira
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Australiano entrou sozinho na montanha levando um saxofone e uma Bíblia
Matthew tem 50 anos e mora há vários anos em Donghe, no condado de Taitung, no leste de Taiwan. Segundo informações divulgadas pela agência CNA e por veículos locais, ele costumava fazer caminhadas sozinho pelas montanhas da região e mantinha boa condição física.
Em 9 de maio de 2026, após uma discussão com a esposa, ele decidiu sair para caminhar. A intenção teria sido passar algum tempo sozinho e esfriar a cabeça.
Matthew entrou na Cordilheira Costeira levando poucos objetos. Entre eles estavam uma Bíblia e seu saxofone. Ele não carregava celular nem outro equipamento eletrônico que permitisse comunicar sua localização caso algo desse errado.
A situação se complicou quando ele começou a sentir sede.
Matthew contou depois do resgate que decidiu descer em direção a um barranco seguindo a água, chegando a uma região próxima de uma pequena queda d’água. O problema apareceu quando tentou voltar.
A inclinação era tão grande que o australiano percebeu que conseguia descer, mas não conseguia mais subir.
Preso entre paredões, ele encontrou abrigo em uma cavidade na montanha
Matthew acabou chegando a uma espécie de cavidade natural ou pequena caverna formada no paredão, dentro de uma área descrita pelos bombeiros como um vale estreito em formato de “V”.
O terreno ao redor dificultava qualquer tentativa de fuga. Havia vegetação fechada, pedras soltas, solo instável e trechos extremamente inclinados.
Relatos das equipes de resgate apontaram que algumas encostas apresentavam inclinações próximas de 70 a 80 graus.
Sem celular e sem conseguir sair sozinho, Matthew permaneceu no local esperando que alguém percebesse seu desaparecimento.
A pequena caverna acabou se tornando uma proteção fundamental. De acordo com autoridades envolvidas no resgate, ela ajudou a protegê-lo do vento e da chuva, reduzindo o risco de permanecer constantemente molhado e desenvolver hipotermia.
Sete dias sem comida e água encontrada na própria montanha
Depois de ser resgatado, Matthew afirmou que passou o período sem comida, sem calçados adequados e sem dispositivos eletrônicos.
Para conseguir água, ele dependia do que encontrava na região e das chuvas que atingiram a montanha durante aqueles dias.
A própria chuva criou uma situação contraditória para o australiano: ao mesmo tempo em que fornecia água que poderia ser utilizada para sobreviver, tornava o terreno ainda mais instável e dificultava a chegada das equipes de resgate.
Em alguns momentos, Matthew começou a perder a esperança.
Foi então que passou parte do tempo lendo a Bíblia, rezando, cantando e tocando saxofone dentro da montanha.
O instrumento que inicialmente parecia apenas um objeto incomum para levar em uma caminhada acabou ganhando uma função inesperada.
Família encontrou motocicleta e equipes iniciaram buscas na região
Quando Matthew não voltou para casa, familiares e amigos começaram a procurar informações sobre o caminho que ele poderia ter seguido.
Eles sabiam que o australiano costumava caminhar pelas montanhas atrás de comunidades da região de Donghe.
A descoberta de sua motocicleta estacionada próxima à entrada da área montanhosa ajudou a definir onde as buscas deveriam ser concentradas.
A família comunicou o desaparecimento em 10 de maio, e as operações passaram a mobilizar bombeiros, voluntários e profissionais ligados às áreas florestais.
No dia seguinte, foi instalado um posto avançado de busca.
O problema era a dimensão e a dificuldade do terreno.
Sem sinal de telefone e sem saber exatamente onde Matthew havia ido parar, os socorristas passaram a utilizar drones para observar barrancos, vales e áreas que seriam perigosas demais para verificar imediatamente a pé.
Drone encontrou Matthew na entrada da caverna
A primeira grande mudança ocorreu em 12 de maio, três dias depois de Matthew entrar na montanha.
Por volta das 10h, um drone que sobrevoava a região conseguiu localizar o australiano próximo à entrada da cavidade onde estava abrigado.
Ele estava consciente e conseguiu responder aos sinais da aeronave.
Imagens feitas durante a operação mostraram Matthew reagindo à presença do equipamento. Relatos locais também apontaram que ele acenou e chegou a tocar o saxofone diante do drone, indicando aos operadores que ainda estava em condições de responder.
A localização, porém, estava longe de significar que o resgate havia terminado.
Os bombeiros sabiam onde Matthew estava, mas ainda precisavam encontrar uma maneira segura de chegar até ele.
Drones começaram a levar água, comida e equipamentos
As chuvas e as condições do relevo impediram uma retirada rápida por helicóptero.
Com isso, os drones passaram a ter uma segunda função.
Além de observar a área e estudar possíveis caminhos, as aeronaves começaram a transportar água, alimentos e posteriormente um equipamento de rádio, permitindo que Matthew recebesse suprimentos enquanto as equipes avançavam por terra.
Os socorristas tentaram chegar até ele por diferentes direções.
Em alguns pontos foi necessário abrir caminho cortando a vegetação. Em outros, as equipes precisaram utilizar cordas para atravessar encostas e áreas onde o solo poderia ceder.
Havia ainda o risco constante de queda de pedras.
Segundo relatos dos próprios participantes da operação, determinados trechos eram tão difíceis que os bombeiros quase utilizaram todas as cordas que haviam levado.
Saxofone virou uma espécie de “apito” para orientar os socorristas
Enquanto os drones já haviam permitido confirmar visualmente a posição de Matthew, o saxofone continuou sendo útil à medida que os socorristas se aproximavam.
Kao Yung-hsu, amigo e pastor de Matthew, explicou que o australiano tocava o instrumento quando escutava as equipes chamando por ele.
O som ajudava os homens que avançavam pela mata a identificar de qual direção vinha a resposta.
Segundo o pastor, o saxofone acabou funcionando como uma espécie de apito de localização.
Por isso, apesar de alguns relatos internacionais resumirem a história dizendo que Matthew foi encontrado “graças ao saxofone”, a operação foi mais complexa: o drone realizou a localização visual inicial, enquanto o instrumento ajudou como sinal sonoro durante a aproximação dos socorristas.
Bombeiros finalmente chegaram até ele cinco dias depois do início das buscas
Somente em 14 de maio as equipes conseguiram chegar fisicamente ao ponto onde Matthew estava.
Ele estava consciente e apresentava condições consideradas estáveis apesar do longo período sem alimentação.
Os socorristas forneceram comida, água e equipamentos necessários para que ele pudesse começar a sair da região.
Mas o mau tempo e a dificuldade do terreno impediram que todos retornassem imediatamente.
O grupo precisou passar mais uma noite na montanha antes de completar o trajeto de volta.
Na manhã de 15 de maio, Matthew finalmente conseguiu alcançar uma área segura e chegou à estrada costeira por volta das 11h.
Ao todo, havia passado sete dias na montanha.
Operação mobilizou mais de uma centena de participações de socorristas
Os números divulgados pelas autoridades mostram a dimensão necessária para retirar uma única pessoa daquela região.
Durante aproximadamente cinco dias de operação oficial foram contabilizados 33 deslocamentos de veículos e 144 participações de profissionais e voluntários envolvidos na busca e no resgate.
Informações divulgadas pela imprensa taiwanesa também apontam que os grupos terrestres percorreram cerca de 17 quilômetros, em uma operação que acumulou dezenas de horas de deslocamento por áreas praticamente sem trilhas.
Matthew conseguiu realizar parte do caminho de volta caminhando, utilizando cordas em alguns trechos.
Mesmo depois de passar sete dias isolado, relatos dos bombeiros indicam que ele deixou a montanha cantando e dizendo que estava voltando para casa.
“É um milagre”, disse australiano depois de finalmente sair da montanha
Ao alcançar a estrada, Matthew reencontrou a esposa e agradeceu às pessoas que participaram da operação.
Uma das frases ditas por ele depois do resgate acabou sendo repetida por diversos veículos de Taiwan:
“É um milagre. Obrigado, Taiwan.”
Matthew também reconheceu que havia entrado na montanha sem estar devidamente preparado para uma situação de emergência.
Apesar de ser experiente em caminhadas e manter boa condição física, desta vez estava sem telefone, sem equipamentos de comunicação e sem alimentos suficientes para enfrentar qualquer imprevisto.
Depois da experiência, afirmou que não pretendia voltar a desaparecer sozinho pelas montanhas.
O saxofone que decidiu carregar naquela caminhada provavelmente não foi o objeto que o manteve fisicamente vivo durante os sete dias, mas acabou cumprindo uma função que ninguém poderia prever quando Matthew saiu de casa: transformou música em sinal de localização enquanto drones e equipes de resgate tentavam atravessar uma das partes mais difíceis da montanha para encontrá-lo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

