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Onde funcionava uma agência do Bradesco, Balneário Camboriú prepara arranha-céu de 406 metros e 114 andares, com apartamentos de R$ 10 milhões
Escrito por Ana Alice
Publicado em 19/10/2026 às 19:48
Atualizado em 19/10/2026 às 19:50
Construção
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Projeto da Lotisa ocupará área no centro de Balneário Camboriú e combina apartamentos de alto padrão, engenharia para ventos intensos e soluções estruturais desenvolvidas para uma torre de mais de 400 metros.
Uma área que abrigava uma agência do Bradesco no centro de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, será ocupada por um arranha-céu residencial de 406 metros de altura e 114 pavimentos.
O empreendimento é desenvolvido pela incorporadora catarinense Lotisa e terá 165 unidades, com apartamentos a partir de aproximadamente R$ 10 milhões.
O lançamento está previsto para dezembro de 2026, enquanto o começo das obras é planejado para fevereiro de 2027.
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O terreno de cerca de 5 mil metros quadrados foi formado a partir da área anteriormente ocupada pelo banco e da incorporação de propriedades vizinhas. A negociação inicial envolveu uma parceria com a BSP Empreendimentos Imobiliários, braço imobiliário do Bradesco, e abriu espaço para a estreia da Lotisa no centro de Balneário Camboriú, mercado onde a empresa ainda não havia construído.
Embora o tamanho seja o aspecto mais visível do projeto, boa parte do desenvolvimento ocorre antes da abertura do canteiro.
A altura superior a 400 metros exigiu estudos específicos para entender como a torre responderá aos ventos do litoral catarinense, especialmente em uma região cercada por outros edifícios de grande porte.
Testes em túnel de vento alteraram o desenho da torre
A Lotisa contratou a canadense RWDI para conduzir os estudos aerodinâmicos do edifício. A empresa de engenharia já trabalhou em projetos de arranha-céus de grande altura, incluindo o Burj Khalifa, em Dubai, atualmente o prédio mais alto do mundo, com 828 metros.
Nos ensaios, uma representação da torre e das construções próximas foi submetida a diferentes condições em túnel de vento.
A análise não ficou restrita à resistência da estrutura: também considerou fachada, conforto dos futuros moradores e efeitos provocados pela interação entre o novo prédio e os edifícios existentes no entorno.
O estudo levou a uma mudança efetiva no projeto. Segundo a Lotisa, uma ampliação de aproximadamente 18% na abertura localizada no topo da torre reduziu em cerca de 30% os esforços de momento transmitidos à fundação.
Em construções desse porte, alterações na geometria podem modificar a forma como o vento contorna a estrutura e, consequentemente, as cargas que chegam aos elementos estruturais. Testes em túnel de vento são utilizados para determinar com maior precisão essas cargas, especialmente em edifícios cuja altura e geometria exigem análises específicas.
Além das alterações aerodinâmicas, a torre receberá um Tuned Mass Damper (TMD), ou amortecedor de massa sintonizada, com mais de 700 toneladas.
Instalado na região superior do edifício, o sistema funciona como uma grande massa que reage às oscilações provocadas pelo vento, contribuindo para diminuir a percepção de movimento nos pavimentos mais altos.
De acordo com Fábio Inthurn, CEO da Lotisa, o equipamento foi incorporado como recurso adicional para o conforto dos ocupantes, e não como solução para uma deficiência estrutural.
A concepção das estruturas, sistemas mecânicos, hidráulicos, elétricos e elevadores está sob responsabilidade da multinacional de engenharia WSP.
A participação da WSP e da RWDI no projeto já havia sido informada pela própria Lotisa antes da divulgação dos números definitivos da torre. A incorporadora afirma que a primeira será responsável pelas disciplinas estruturais e pelos sistemas prediais, enquanto a segunda concentra os trabalhos relacionados ao comportamento do vento.
Apartamentos terão quatro suítes e área a partir de 237 metros quadrados
O projeto prevê 165 unidades residenciais, incluindo 18 penthouses.
Os apartamentos terão quatro suítes e áreas privativas a partir de aproximadamente 237 metros quadrados. Conforme os dados divulgados pela incorporadora, os valores começam na faixa de R$ 10 milhões.
O Valor Geral de Vendas (VGV), que representa a soma estimada dos imóveis disponíveis para comercialização no empreendimento, deverá superar R$ 2 bilhões.
A Lotisa também afirma já ter destinado mais de US$ 4 milhões aos estudos e projetos de engenharia necessários para desenvolver a torre.
Cerca de 5% do custo total da obra deverá estar relacionado especificamente a equipamentos e soluções destinados ao comportamento do edifício diante do vento, segundo a incorporadora. Esse conjunto inclui os estudos aerodinâmicos, adaptações estruturais e sistemas utilizados para reduzir oscilações.
O Estudo de Impacto de Vizinhança também avaliou o sombreamento provocado pelo futuro prédio e os efeitos do vento próximos ao nível da rua.
Segundo as informações fornecidas pela Lotisa, os estudos não indicaram mudanças relevantes na dinâmica de ventos já observada na região, enquanto o impacto de sombra foi considerado compatível com a configuração urbana existente.
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Construção está prevista para começar em fevereiro de 2027
A apresentação oficial do empreendimento ao mercado está programada para dezembro de 2026. Até o momento, a torre ainda não teve o nome comercial divulgado.
O cronograma apresentado prevê o início da construção em fevereiro de 2027 e conclusão entre seis e sete anos depois, o que colocaria a entrega aproximadamente entre 2033 e 2034, caso o planejamento seja mantido.
O projeto também representa uma mudança de escala na atuação da Lotisa.
Fundada em 2005 e concentrada historicamente em Itajaí e na Praia Brava, a companhia informa já ter entregado mais de 1.600 imóveis e construído mais de 360 mil metros quadrados na região.
Em maio de 2026, quando detalhes preliminares da entrada da empresa em Balneário Camboriú foram divulgados, o empreendimento ainda era apresentado como uma torre com mais de 350 metros e cerca de 150 unidades.
Com o avanço dos projetos de engenharia, os números foram atualizados para 406 metros, 114 pavimentos e 165 residências na divulgação mais recente de outubro.
A Lotisa também prevê ampliar sua presença no município depois desse primeiro empreendimento. A incorporadora informou ter outros dois projetos planejados para Balneário Camboriú em 2027 e 2028 e calcula um banco de terrenos com potencial superior a R$ 5 bilhões em VGV.
Antes disso, o próximo marco do arranha-céu de 406 metros será o lançamento comercial previsto para dezembro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

