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Monges ocuparam pilares quase inacessíveis na Grécia, construíram 24 mosteiros sem estradas, puxaram comida, madeira e pedra por cordas e transportavam peregrinos em redes junto a um penhasco de 373 metros
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 29/07/2026 às 19:21
Curiosidades
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Os mosteiros de Meteora nasceram sobre pilares de arenito quase inacessíveis, onde monges usaram cordas, redes, guinchos, escadas e cisternas para transportar pessoas e mantimentos, armazenar água e sustentar a vida religiosa a mais de 400 metros acima do terreno, sem estradas praticáveis até os platôs.
Um peregrino era envolvido por uma rede de cordas e lentamente puxado para o alto, enquanto o vale se abria sob seus pés. No mosteiro de Varlaam, em Meteora, na Grécia, essa subida acontecia junto a um penhasco de 373 metros.
A UNESCO, agência das Nações Unidas dedicada à educação, ciência e cultura, registra que 24 mosteiros foram construídos nessa paisagem. Os pilares naturais passam de 400 metros acima do terreno, e monges ocupam a região desde o século XI.
O desafio não acabava quando uma pessoa alcançava o topo. Comida, água, madeira, pedra e ferramentas também precisavam vencer as paredes rochosas. Sem estradas praticáveis, o abastecimento dependia de uma rota vertical movida por cordas e força humana.
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O isolamento de Meteora fazia parte da escolha religiosa
Meteora reúne colunas naturais de arenito, um tipo de rocha formado por grãos compactados. Os paredões íngremes dificultavam a subida e separavam os platôs do movimento comum do vale.
Para os monges, essa distância favorecia o retiro, a meditação e a oração. O isolamento não era apenas uma dificuldade imposta pela paisagem. Ele também fazia parte da busca por silêncio e recolhimento.
As primeiras ocupações religiosas começaram no século XI. No auge do movimento eremítico, forma de vida dedicada à solidão e à prática espiritual, a região chegou a reunir 24 mosteiros construídos sobre os pilares.
Construir 24 mosteiros exigiu adaptar cada obra ao formato da rocha
Os platôs não ofereciam terrenos largos e regulares. Cada edifício precisava acompanhar as bordas, os desníveis e o espaço disponível. Em muitos pontos, a própria rocha servia como base para as construções.
A obra também não dependeu de um único sistema. Escadas de madeira, redes, cestos, cordas e guinchos foram usados em funções diferentes. O método escolhido mudava a partir do formato do paredão e do tipo de carga.
Pedras destinadas às paredes, vigas de madeira e ferramentas eram preparadas na parte baixa. Depois, as cargas eram amarradas e puxadas até o topo. O processo exigia subidas repetidas e volumes controlados, pois todo o peso precisava ficar sustentado durante o percurso.
Redes, guinchos e escadas formaram uma rota entre o vale e os platôs
As escadas permitiam atravessar partes da rocha e podiam ser retiradas. As redes envolviam pessoas ou cargas maiores. Os cestos transportavam alimentos, recipientes e objetos menores.
O guincho funcionava com um eixo que enrolava a corda. Quando o mecanismo girava, a carga subia. A ideia era simples, mas a operação exigia força, controle e atenção para impedir que o peso batesse contra o paredão.
A UNESCO, agência das Nações Unidas dedicada à educação, ciência e cultura, destaca a ausência de estradas praticáveis e registra o transporte vertical de peregrinos em Varlaam. A rede era uma das soluções, não o único método usado em todos os mosteiros.
Água, comida, madeira e pedra precisavam chegar ao topo
Madeira, pedra e ferramentas eram essenciais durante as obras. Depois da construção, comida e objetos de uso diário continuavam subindo. Cada entrega exigia preparar a carga na base, prender os volumes e acionar o mecanismo no alto.
A água apresentava outro problema. A chuva era captada e guardada em cisternas, reservatórios usados para armazenar água. Recipientes também podiam ser içados quando necessário, embora o peso tornasse a subida mais difícil.
Esse sistema transformava o abastecimento em uma tarefa contínua. Não bastava construir paredes e telhados. Era preciso garantir água armazenada, alimentos disponíveis e equipamentos funcionando para manter pessoas vivendo sobre os platôs.
A vida religiosa dependia de planejamento e manutenção
Os mosteiros eram espaços de oração, meditação e vida comunitária. A localização reforçava o recolhimento, mas também obrigava os moradores a usar com cuidado tudo o que chegava do vale.
Água e alimentos precisavam ser guardados. Cordas, escadas e guinchos exigiam conservação. Uma falha nesses mecanismos poderia interromper a chegada de mantimentos e dificultar a entrada ou a saída de pessoas.
O espaço limitado no alto precisava reunir áreas de oração, moradia, preparo de alimentos e armazenamento. Assim, fé e trabalho cotidiano dividiam o mesmo platô, cercado por paredões e grandes desníveis.
O acesso moderno facilitou a visita, mas aumentou a responsabilidade de conservar Meteora
Estradas próximas, pontes, passagens e degraus foram criados posteriormente. Essas mudanças reduziram a dependência das redes para transportar visitantes, embora as grandes alturas e os caminhos inclinados continuem presentes.
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Vento, chuva, desgaste da rocha e possíveis terremotos ameaçam construções antigas instaladas sobre pilares naturais. O turismo também exige controle, pois o local permanece ligado à vida religiosa e ao patrimônio cultural.
Os 24 mosteiros erguidos sem estradas praticáveis mostram que a dificuldade não estava apenas na construção. A permanência no alto dependia de uma rota capaz de transportar pessoas, comida, madeira, pedra e outros recursos sobre o vazio.
Se cada refeição e cada visita dependiam de cordas sobre o abismo, Meteora representa mais uma obra de fé ou uma conquista da engenharia?
Fonte
UNESCO
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

